sábado, 10 de fevereiro de 2018
DEPOIS DE DUBLIN, 2
30/1 às 7:01 ·
A CARNE MAIS CARA DO MERCADO É A CARNE NEGRA...
Pela 4ª semana consecutiva a Revista Ela, encartada no jornal O Globo dos Domingo, faz matéria de capa com personalidade negra. Dessa vez foi Preta Gil. Essa revista é, na verdade, um grande ensaio de marketing de luxo, disfarçada de revista de variedades.
As personagens que são matérias de capa, tem um pequeno texto ou entrevista sobre suas vidas, normalmente de superação, e muitas fotografias vestindo modelitos de grifes da moda, que custam o que só gente de classe média pode pagar e ostentar.
O uso de personalidades negras como manequins tem o claro, ironicamente objetivo de atingir um publico alvo negro, que há 20 anos a Revista Raça estimava em 8 milhões de negras e negros com poder aquisitivo para consumir carros de luxo, casas, roupas de grife, jóias...
Agora, 2018, eu não tenho ideia de quantos são esses negros e negras, mas se o Globo s interessa é porque são numericamente o bastante pra consumir e gerar lucro para moda e a indústria têxtil.
E nada melhor que o negro do homem e da mulher pra servir de veiculo pra essa venda. o corpo negro ele mesmo meio de venda de mercadoria e mercadoria.
No auge do ciclo de café no Estado do Rio, quando ocorreu a Revolta de Manoel Congo, 1838, o escravo alcançou o mais auto preço de mercado. Sufocada a revolta, houve pressão do fazendeiros, para que só Manoel congo fosse, dentre o mais de 500,de varias fazendas, fosse condenado e executado. Perder tão valiosa mercadoria, ao mesmo tempo produtora de mercadoria, seria um banque tal que levaria a uma crise fatal de uma hora pra outra a mais rica economia do império.
Todas e todos, 21 crioulos, crioulas, africanos e africanas que lideraram a revolta, foram perdoados ou punidos com penas de chicotada, não pela bondade de seus senhores, mas porque eram mão de obra especializadas,inclusive as sete mulheres, difíceis de repor em caso de perda por morte, prisão ou degredo.
Estima-se 75% dos escravos das fazendas de café do vale do paraiba eram africanos de origem na região do congo e angola, gente com grande conhecimento de agricultura,marcenaria e ferraria. Manoel Congo por exemplo era ferreiro, "profissão" nobre e valorizada no seu povo bakongo, e aqui no brasil.
Neste 2018 que faz 180 da revolta negra no sul fluminense, 30 anos depois da abolição, o povo negro, principalmente suas mulheres poderiam refletir sobre o que há de comum entre a cultura do estupro, o estupro continuado de centenas de meninas atletas negras, na sua maioria, de norte américas, o comercio internacional de escravas sexuais nigerianas, os clips de anita, beonce,, os closes das tvs nos meninos negros do time do flamengo e as capas da revista Ela, do Globo... volto a escrever. Sou negro, faço parte do povo negro, sou poeta, escritor e militante, vou voltar pra fazia, nessas condições minhas reflexões que vem me levando a ações sobre essa questão.
Pego como motes, frases de dois antipsiquiatras anglofonos que me influenciaram pensar e agir dialeticamente sobre a luta libertária.
David Cooper: "tão importante quanto pregar o que fazer é fazer o que se prega."
Ronald Laing: " a teoria é a articulação da experiência."
Vou num pé volto, no mesmo... o esquerdo!
26 de Janeiro de 2015 ·
ANSSUNTANDO LUÍZA MAHIN 180 ANOS. QUE EXISTIU DE VERDADE E, ATÉ ACHO QUE TEVE EM ACARI, DIA DESSES! E UM VIGÍLIA QUE NÃO HOUVE! PARTE 1
Esperava pelo menos de cinco a dez pessoas na Víligia para Luíza Mahin. Aluguei mesas e cadeiras, eu e Wesley preparamos caipirinhas, copiei e imprimi mais de 80 poemas de e sobre mulheres negras e mulheres negras mães, me consentrei pra dinamizar jogos e exercicios de criação de textos ,oral, visual, plástico, gestual e escritos...
Me entusiasmei pra uma roda de conversa sobre a mulher africana mais importante do Seculo IX no mundo.
Só esqueci de me parguntar e perguntar as e os compas do Movimento Social de Esquerda e principalmente negras e negros, Se estão interessados, hoje em dia, numa atividade desse tipo.
Eu tinha, e tenho a certesa de que se a vígilia tivesse acontecido seria otima e que tivesse participado sairia dela feliz e realizado.
Eu, pessoalmente, num dava tanta importância a Revolução Malê... me “ ligava” mais em Luíza Mahin pelo fato dela ser mãe de Luiz Gama.
Mas a partir de ir conhecendo mais detalhes sobre Luíza, mas especificamente, meu fascínio por essa mulher africana, que venho escrava para o Brasil conseguiu a alfforia, teve um filho com um branco, participou de varias revoltas, se deixar vestígio escrito de sua participação nelas, teve o filho vendido como escravo pelo próprio pai e por volta de 1860 simplismente sumiu do “mapa.”
Não resta dúvida de Luíza realmente existiu... era do povo Mahin, uma das etnias Jeje, bonita, baixinha( como a maioria dos negros maranhenses). Daí ser bem possivel que ela tenha vividos seus ultimos dias de vída, como sacerdotiza de uma das Casas da Mina, “candomblé”, jeje puro. Pelo menos é o que diz as mais recentes pesquisas.
Sai do CCPR triste e desanimado, com o Wesley, já mais de “meia noite” e passei no bar do Carlão, um “Mais Velho” maranhense radicado no Rio, em Acari, há mais ou menos, uns tres anos.
Me lembrei de sua mãe, que nem sei o nome, 101 de idade, que ficou em Acari, uns seis meses, tomava seis cervejas por día, e deixou Acari e voltou pra São Luiz porque achou a Favela de Acari muito “parada.” Lá em São Luiz esta a tocar tambou nas festas de Tambor de Crioulo e dos cultos das casa da mina.
Me impressiona como as descrições fisicas que Luiz Gama faz de sua mãe “bate” com o tipo físico da mãe de Carlão. Fico me parguntando se eu não teria converdo varias vezes como uma Luiza Mahin na Favela de Acari.
Mem lembrei de mais algumas coisas que almentam meu fascinio por Mahin:
Seu Jorge de Yemanjá, babolixá do um “terreiro jeje puro” que conheci, deve haver mais algum no Rio, dizia aos pesquisadores que tudo que ele tinha a dizer sobre Jeje é que todo feitiço do Jeje estava num copo de água e de uma vela acesa.
Me lembrei também que no Caribe há cultos jeje nos quais as sacedotisas usam um bracelete que é um serpente mordendo o próprio rabo. Para os asíaticos essa imagem simbolisa Oroborus, a parfeição.
23/1 às 19:27 ·
SOBRE ÓDIO RELIGIOSO NAS FAVELA: NÃO EXISTE TRAFICANTE EVANGÉLICO!
O que há é que nos ultimos 30 anos os dogmas néopentecostais foram se transformando em valores culturais e normas de vida nas favelas, passando a ser a cultura hegemônica. Há 30, 40 atrás o povo das favelas se guiavam pelos valores culturais e normas de religiões afros, principalmente Umbanda e do catolicismo popular.
Tanto o catolicismo popular quanto as religiões afros, são fortemente pluriteocraticas, santos e orixás e guias diluem socializam e democratarizam o poder divino com o Deus Supremo. Além disso o papel de Nossa Senhora Maria Mãe de Deus pulveriza e democratiza ainda mais poder divino patriarcal nas suas multiplas visualizações e aparições sendo uma só Maria ela consegue ser centenas de mães senhoras carinhosa, não autoritaria e genorosa, se alguem sofre e tem dor ela é Maria das Dores, se aluguem precisa de graça ela faz Maria das Graças, se alguem precisa de socorro pela vida toda ela tá como sua Maria do Perpetuo Socorro.
Por isso, durante a prevalência dos valores e normas culturais das religiões afros e do catolisismo popular, Nossa Senhora e Vovó Maria Conga sempre conviveram muito bem.
Com a cresente imposição violenta fisica e simbolica dos valores e normas neopentecostais como valores culturais nas favelas, o poder do Deus supremo patricarcal, autoritário, punidor e castigador foi sendo restabelecido e tornado hegemonico.
Quem nasceu nas favelas nos ultimos 40 anos, nasceu sob a hegemonia da cultura neopentecostal, acreditando nos seus valores, normas, dogmas, suas verdades.
Não é preciso ser envagélico batizado e convertido pra acreditar que é verdade e que deve ser seguida respeitada sem contestação, as verdades neopentecostais. Traficantes não são extraterrestres, nasceram e cresceram, são crias das favelas, poucos poucos mesmo tiveram a oportunidade de conhecer viver e conviver pessoalmente, sem ter o prisma distorcedor do neopentostalismo o dia á dia de um terreiro ou da nave de uma igreja catolica. A maioria dos traficantes são filhos de familias evangélicas ou que tem pessoas mais velhas que já foram de santo ou catollicas e que se decepcionaram com sua ex-religião.
E muitos dos pastores dessas igrejas também são crias das favelas varios "ascenderam" na hierarquia e se tornaram bispos. Como não podem bater de frente com o que ainda resta de religiões afros e afrosbrasileiras nas favelas, nos suburbios e na baixada, como é caso de Belford Roxo e da Ilha do Governador, convencem os traficantes, na sua maioria jovens que os males que o afrigem são culpa do diabo e que o diabo é do candomblé ou da umbanda que por isso são ímpios e devem ser expurgados ou mortos, o por isso dizer "purificados" pelo fogo da fogueira de um microondas de pneus, ou pelas balas sagradas de uma 762.
Não é por acaro que o pastor Jan Rip Palharin lider da crescente, assustadoramente crescente Igreja Paz e Vida culpa as imagens de Yemanjá na praia de Sepetiba pela poluição da praia e o fim da segunda colonia de pesca mais produtiva do estado do rio ,antes a instalação do porto de sepetiba e da CSKA de Eike Bastista.
Na suas pregações e no incentivo ao povo de sepetiba pra destruir as imagens de yemanjá pra só assim a praia voltar a ser despoluida e bela, o pastor não diz que neste apocalipse local estão incluidos a destruição do porto de sepetiba e a CSKA . Nem fica claro em suas pregações racistas se Eike é enviado de Deus ou do Diabo. Se deve ou não ser queimado ou abençoado pelo fogo vingador de Jesus.
26/1 às 7:54 ·
GLOBO COP E OUTROS CAVEIRÕES VOADORES PARA-MILITARES...
Antes de tudo quero lamentar as agressões sofridas pela jovem repórter da band. por petistas na durante o julgamento do Lula.
Mas esses repórteres tem colhido os frutos que eles mesmo plantaram ou que outros repórteres plantaram.
Já foi o tempo que um cara, uma pessoa publica como eu, da favela podia bancar a entrada de uma equipe de reportagem garantindo com minha credibilidade a minha comunidade que sua matéria seria imparcial e justa. E garantindo o repórter que ele poderia fazer com liberdade uma matéria imparcial e justa.Sempre essas matérias eram feitas antes ou depois da intervenção policial, ou quando durante, o repórter sempre arrumava um jeito de conversar depois e fazer uma matéria insenta. agora não é mais assim. Pelo menos aqui em Acari, por umas cinco vezes o repórter e sua equipe foi proibida de entrar na favela pra fazer entrevistas com gente da favela. tive que levar as pessoas para frente do hospital de acari, muitas vezes pondo-as em risco, já que lá passa carro de policia toda hora.
Quem é líder comunitário como eu, com muito orgulho, ou pessoa pública, sabe que coisas assim tem que dar um papo aos caras antes quem dá e convence eles que vai ser bom pra favela, assume a responsabilidade. coisa que eu faço de boa. acontece que eles ficam bolados quando um equipe de reportagem se recusa entrar na favela quando a gente media. não falam nada, mas ficam escaldados.
Agora que os helecopteros de reportagem sobrevoam as favelas durante operações policiais, fazendo o papel de caveirrões voadores, drones não armados, filmando em tempo real, dando a localização de traficantes e até apontando jovens que saem pro trabalho de mochilas nas costas ou grupos de cinco seis jovens que saem pra praia, o vão jogar fora da favela levando suas bolsinha com chuteira, camisa meiões dentro, com bonde de traficantes aí é que fudeu tudo.
Não é por acaso que o helicóptero da tv globo, se chama Globo Cop.
25/1 às 16:10 ·
LULA, LENDA VIVA!
Não exagero nenhum em Lula se comparar a Mandela no que diz respeito ao que ele pode fazer mesmo na cadeia. Mandela pegou 27 anos de cadeia como preso politico, mas o estado racista sul-africano sempre o considerou criminoso comum. Mandela foi preso mais ou menos jovem e nem era a principal figura do ANC quando foi preso. Pouco se sabia dos seus pensamentos e ideologia, incomunicavel numa cela diminuta só tinha ontanto com o mundo através de sua mulher winie mandela.mesmo assim virou uma bandeira. quando saiu o que se viu foi um ideologo da paz e da união, um não comunista, que enriqueceu rapido deixou seus familiares brigando por sua herança.
Lula, vai pegar 12 anos de cadeia, mas não vai ficar nem 4 fechado. mesmo no periodo de prisão fechada, ao contrario de Mandela vai poder continuar mantendo contato com o mundo.
O povo brasileiro pobre esta conseguindo o melhor e maior pai dos pobres desde Getulio, porque jamais será visto por ele como um preso comum, mas um preso politico.
Quem vive na favela e convive com famlias de presos comuns sabe que essa história de que preso não vota, é pura caozada. Preso não vota, mas sua voz convence e as vezes ordena que sua familia, amigos na rua vote num candidato.
Imagina um preso "politico" ou poiitico como Lula? o grande pai dos pobres, acusado, condenado e preso injustamente por influencia de forças nada ocultas, sabidas localizadas, diferente das forças ocultas, que levaram getulio a se matar pra entrar na história. Lula não precisou se matar pra entrar pra história, embora preso, não por muito tempo, e até por isso, vai ver em vida, o Lulismo se tornar o mais forte populismo das américas, mais que o peronismo, o getulismo e o chavismo. Havia gente, inclusive de esquerda, torcendo pra que Lula fosse absolvido, se candidatasse, perdesse a eleição e assim se daria por encerrado a era petista.
Se danaram. porque hoje o lulismo é tão grande que não cabe no petismo. o petismo talvez naufrague sem o lulismo, mas, livre do fardo do petismo, o lulismo poderá nadar de braçada até a barraca de caipirinha na praia, se morrer na areia.
Deley De Acari Vanderley Cunha
24/1 às 16:03 ·
QUEM É NEGRO E FAVELADO JÁ FOI COMPAS DE LULA NÃO MORRE DE AMORES POR ELE MAS...
Fui compas de partido de Lula por dois periodos, de 83 á 1993 3 de 2000 á 2002. Como todo negro fevelado afrocomunista não morro de amores pelo Lula mas torço para que ele seja inocente e consiga se eleger presidente. Embora não vá votar nele e nem em ninguém.
Qualquer Bolsonaro, Alkimin, o Ciro Gomes da vida, com certeza vai criar upps em tudo que é favela, e vai por em pratica o que Lula prometeu quando liberou os bilhões para poltica de segurança pública de seu parceiro da hora em 2008, Sérgio Cabral, então recem eleito governador do Rio.
Lula: Agora(com as upps) a policia vai bater em que tiver que bater e proteger quem tiver que proteger.
Se eleito, será que ele vai rever esses conceitos?
Fico aqui na espectativa do resultado das eleições como aquele time pequeno que derrotou um grande na semifinal que chegou na final do campeonato e agora tá de camarote aguardando o resultado da outra semifinal entre dois grandes.
Seja qual for o vencedor a opção do meu time é vencer ou vencer.
O principal lema do meu afrocomunismo é há imigo eu sou contra. Bolsonaro o Alkimin seriam inimigos muito chatos de jogar feito time aalemão. preferio times de talento e toque d de bola, como barça.
Brizola foi um inimigo gostoso e divertido de jogar contra, Lula também.
São raros hoje os inimigos gostosos de jogar e vencer como o Palmeiras do anos 60, de Ademir da Guia e Dudu, o Santos de Pelé e Coutinho, o Cruzeiro de Tostão, Zé Carlos e Dirceu Lopes, o Flmengo de Adílio e Zico.
23/1 às 18:11 ·
MARCO ANDRADE, COMO NISE DA SILVEIRA...
Ainda não fui ver Marquinho como não fui ver Buba no Hospital. Como diz aquela música: ando tão a flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar.
Não vou falar do músico, nem do amigo, vou falar do ativista preto da periferia que conheci na década de 70, antes de conhecer a Dra Nise da Silveira. Quando conheci Marcos e o Grupo Panela de Pressão, um ano depois de eu ter sido preso na Praça do Coreto em Marechal Hermes, levado pra "boite" da Barão de Mesquita e ter sido torturado por dois dias por causa de uma peça de teatro censurada, que ensaiava no Teatro Armando Gonzaga.
O diretor do Teatro Armando Gonzaga, na época, era duble de diretor e informante dos milicos e havia me caguetado como fizera com o Grupo Garra Suburbana, do qual o Panela herdou o banker de resistência artistica e cultural suburbana a ditadura militar.
Depois do trauma da prisão e tortura na boite verde oliva, fique ide 40tena no grupo de dança do Quilombo sob a severá vigilancia do Mestre Candeia, a quem minha mãe delegara a missão de não deixar eu me meter mais com comunistas.
No Quilombo encontrei um amigo que ia fazer um show no Armando Gonzaga. Fui ver o show dele, descobri que Garra havia acabado e o Panela de Pressão havia assumido o a administração auto-gestionada do espaço cultural.
O amigo me apresentou a Lilian Gomes que me apresentou a Genesis Jenuncio que me apresentou a Marco Andrade que me apresentou a Hélio de Assis que era o "capa" da CAIS, Cooperativa de Artistas Independente Suburbanos.
Eu já conhecia o Ele Semog, 4 anos depois nos tres criamos o Negricia Poesia e Arte de Crioulo, mas isso é outra história, o que é mais importante dizer aqui, é que foi muito estranho participar de um movimento com um grupo multicultural suburbano subversivo, o Panela de Pressão gerindo um espaço cultural estatal no suburbio em plan ditadura miilitar, com Marquinho, Lilian e Genisis como principais cabeças.
Como artistas suburbanos subversivos podiam gerir um espaço público cultural em plena ditadura?
Só vim a entender isso, 3 anos depois em 1979, quando fui trabalhar no Museu de Imagens do Incosciente, com a Dra Nise da Silveira. Nise era um comuinista radical, psiquiatra concursada, presa pela ditadura Vargas sempre se orgulhou de ser servidora pública, de servir ao seu povo, não aos poderosos.
Foi Nise que me fez compreender melhor o Grupo Panela de Pressão, e Marco Andrade e não ter nenhuma crise existencial em ser servidor público, servir ao povo.
Infelizmente, a rica e complexa experiencia no teatro armando gonzaga não durou muito, e só vim encontrar a matilha do Panela de Pressão e trabalharmos juntos, de novo como servidores públicos a partir da arte e da cultura, como animadores culturais dos Cieps, em 1985/86.
Significativamente, Marquinho foi ser animador cultural do Ciep Solano Trindade, em Bangu, e eu vim ser animador cultural do Ciep Zumbi do Palmares em Acari.
Logo, além de animador cultural, Marco Andrade passou a ser uma das principais lideranças trabalhadora dos animadores culturais que não lutavam pela continuidade e fortalecimento da animação cultural no Programa Especial de Educação que geria os Cieps, mas como tenaz lutador pra diginificaçao e regulamentação da profissão de animador cultural. Marquinhos com outros e outras compas foi "linha de frente" na criação da ATAC- Associação de Animadores Culturais, a nivel da capital e da ANIMA Associação de Animadores Culturais e âmbito estadual do Rio de Janeiro.
Marquinho, como eu e outras lideranças de acs e outros animadores culturais por varias vezes fomos de pelegos por combatermos animadores culturais que foram indicados por politicos e/ou viam a animação cultural na educação pública como um cabide de emprego ou curral eleitoral politico partidário.
Bom pra o texto não ficar mais textão do que já tá, estou me preparando espiritualmente pra ver Marquinho. Quem já foi, quem ainda vai, fica aqui uma sampleada no Paulinho da Viola que já disse um dia que "se for falar da portela hoje não vou terminar." Véio: se for falar da história da arte e da cultura suburbana, revolucionaria e de resitencia, nos ultmos 40 anos é só falar de Marco Andrade, e hoje não vou terminar. Até porque Marquinho vai continuar como um dos seus principais protagonistas no minimo pelo proximos 40 anos mais.
ACHÉ AMOR LIVRE E LUTA.!
23/1 às 1:22 ·
ACARI, NUM TEM PISCINA SUSPEITA, NÃO PASSA BANDIDO, QUEM DIRÁ CAVEIRÃO...
Aqui no Acari, final de semana, feriado quase toda rua, quse toda esquina tem uma piscina e não passa nem bonde de bandido, quem dirá caveirão.
Pouca gente pergunta cade os piscinões de ramos, são Gonçalo, deodoro, parque radical, cade as piscinas das vilas olímpicas? Menos gente ainda sabe que pelo 10 cieps do estado tem piscinas semi-olímpicas ao lado de favelas inauguradas nos anos 80, pra preparar nadadores nas comunidades? eu fui a inauguração de duas no Rio, a do Ciep Nação Rubro Negra, na Mangueira, em no CIep Mariaa Werneck no Complexo Irajá/Acari com a presença de Brizola e Pelé, então Ministro dos Esportes.
E que sabe mais que se foda, se o morador não bota, que trafico que bote, pra resolver a finalidade dele, que a menorzada que mais resolver a finalidade dela que é se resfrescar do calor,, que na favela com lajes e asfalto quente tá batendo 50% graus.
A menorzada que lá saber quem botou o ovo, a pata ou galinha? a menorzada que é cume omelete.
22/1 às 15:53 ·
AINDA SOBRE RESPOSTA A MONIQUE CRUZ...
Então: minha proposta é que a gente dê inicio a aglguma coisa concreta no sarau em homenagem as DEFENSORAS pioneira na defesa de direitos humanos, africanas e afrodescendentes do Séc. 19, Luiza Mahin e Mariana Crioula, muito provavelmente, no dia 10 de março, 15h00 Sábado ma Escola Daniel Piza em Acari tendo como referencia o Dia Internacional da Mulher. Continua aberta a proposta de uma reunião no JG pra pensarmos e pormos em praticca ações concretas.
Deley de Acari,
do Grupo Negrícia, Poesia
E Arte de Crioulo.
21/1 às 11:21 ·
DE ACARI;DESCULPEM SE DESSA VEZ SÓ TIAMOS COISA BOA E ALEGRIA E NÃO COISA RUIM E TRISTESA PRA LHES OFERECER...
Pelo jeito Acari acostumou mal a companheirada de fora e de dentro, oferecendo desde 1990, com a chacina de cari, como menu principal a coisas ruins e tristesa como a morte de jovens acaienses e a dor o sofrimento e as lagrimas e a morte em vida ao poucos de sua mães,companheiras, irmãs sobreviventes.
No que a gente convida a companheirada do asfalto,militantes famílias de vitimas midiativistas pra ver uma exposição de fotografias de meninos do complexo de Acari, que só mosta coisa positiva e boa, o descostume com o que há de bom e de bem, em Acari, faz com que não venham, embora a divulgação da atividade já vendo rolando há varias semanas.
Mas, se até os acarienses, de dentro estão viciados e viciadas pelo gosto amargo mas dopante do sangue de nossos jovens e das lagrimas amargas de suas mães e não vieram prestigiar e fortalecer a mostra, como reclamar, com que razão e moral politica, dos de foram que não vem.
Nenhuma, claro, por isso de Acari: Desculpem se dessa vez só tiamos coisa boa e alegria e não coisa ruim e tristeza pra oferecer a vocês.
Da próxima vez, provável acontecer, que a policia matar uns dez ou meia dúzia de moleques estupram coletivamente uma garota depois do baile funk a gente convida com vocês, com a certeza de contar com vossas presenças, já que estão tão habituados com o velho e ruim não com o não tão novo assim ,mas bom e Acari.
ACHÉ, AMOR LIVRE E LUTA!
19/1 às 8:55 ·
PENSO, LOGO ESTUPRO!
"poesia negra."
" botei minha malha e fui puxar ferro na academia. Na ida passei por aquele menino-gato de cabelo black igual ao do Marcelo da seleção. Ele é novinho mas já rala muito pra ajudar a mãe. Todo o dia quando passo pra academia ou pra faetec ele esta alí arrumando a barraquinha de assai Passei uma hora malhando na academia pensando nele.
Ele tá no face de uma amiga minha e vou pedir pra ele me adicionar,pensei.
Na volta, da academia estava sua cansada, fiquei suada e a malha colou no meu corpo, fiquei com aquele, volumesinho que faz nossa xota parecer um capô de fusca.
Nem me liguei nisso, fui me aproximando da barraca do gatinho negro, ele estava arrumando as garrafas de cobertura e nem parecia se ligar em mim. Mas quando cheguei mais perto dele senti seu olhar fuzilante por debaixo do boné direto por meu capozinho de fusca. Senti como se uma frecha ou uma pica enorme tipo kid bengala, tive rasgado minha vúlva e dilacerado a parede do meu útero,, me curvei com um gemido, tropecei, quase cai. Ele se assustou e veio me amparar. Me deu um arrepio e um sensação de repulsa e reagi, estou bem, me larga,
ele me largou pedindo desculpas, não, tá tudo bem, respondi seca e irritada.
Peguei a mochila que havia caído e pus ela pra frente, cobrindo meu púbis.
Senti minha menstruação. uma dor horrível de cólica, e nem era meus dias. Cheguei e casa, fui direto pro chuveiro, tomei um banho e chorei.
Fechei os olhos em baixo do chuveiro, a água fria, lavando suor e as lagrimas da minha pele negra. Aí de repente, me venho a imagem da estampa na camisa dele, uma silhuta de um filosofo francês, e um frase dele."penso, logo existo!"
Me deu vontade de sair do banho, pelada pela rua ir lá na barraca e assai botar o dedo na cara daquele garoto e gritar, sabe de uma coisa? você devia mudar essa frase ai pra "PENSO,LOGO ESTUPRO!...
Mas dai eu...
Quer ler mais.... Esse é um dos contos do meu livro, PENSO, LOGO ESTUPRO. ia se chamar, VE SE FICA VIVA, mas os contexto atual me instigou a mudar o titulo do livro e não abrir mão de publicar um livro de poesia negra engajada e atual que sirva de diversão cultural enquanto obra literária negra brasileira e ao mesmo tempo ferramente de militância politica negra a partir da única coisa na vida que sei fazer mediocremente bem que é escrever.
Intenções de vot... quer dizer de compra, por favor, podem manifestar por aqui, por enquanto, publicação prevista pra maio de 2018.
18/1 às 10:59 ·
RESPOSTA A MONIQUE CRUZ...
Monique Cruz é uma das mais importantes intelectuais e ativistas negras dos nossos tempos. É uma das lideranças femininas negras faveladas mais combativas, dedicadas e corajosas.
Ela é umas das minhas líderes e me representa. Ouço seu adjá tilintar chamando os machos a se posicionarem botarem a cara sobre o funk do mano negro que faz apologia ao estupro. Daqui a pouco, centenas de homens e mulheres estão "curtindo" e respondendo ao texto dela.
Acho bom, de boa. Cada uma ouve e lê o toque ijexá da irma preta, de acordo com a sensibilidade de seu ouvido a espessura e seu coração.
Mas, nós machos pretos, brancos, favelados compas de liuta, amigos dela, não podemos nos bastar em responder e apoiar a mana, aqui no face.
Vai lá no texto dela, leia novamente, fiche os olhos, lembre do rosto dela, lembre dos seus olhos, que olhamos tantas vezes, ao vivo faca a face, olhos que sempre olhos em nossos olhos, quando ela fala com a gente e nunca deixou de olhar quando ela nos ouve.
Sua fala, agora, seus olhos agora,depois do fim do texto, aguçaram os ouvidos dela, e ela espera alguma coisa da gente aqui no face, mas espera muito mais de nós face a face no dia á dia agora mesmo.
Ninguem exige e espera de quem não acredita.
Monique, nos exige e nos espera, porque acredita e nós,
Não vamos não corresponder a exigência da mana, nem decepicionar sua esperança em nós, até porque sua exigência e sua espera de nós, é a de centenas de manas negras pobre faveladas, que como ela ainda exigem e ainda esperam de nós alguma coisa..
Vamos articular aqui, no face uma reunião de compas negros, e não negros, favelados, mas também não, principalmente, quem trabalhamos com imagens, poesia, música, dança, com o corpo.
A gente pede um espaço na JUSTIÇA GLOBAL, na Anistia, senão a gente senta a bunda preta debaixo de um figuerira no aterro do flamengo mesmo.
Mas isso é pra agora,daqui a pouco, esse tsunami virtual passa pela pea net, como outros já passaram.
DEPOIS DE DUBLIN,PARTE 1
ley De Acari Vanderley Cunha
8/2 às 10:18 ·
BEIÇOLA: O 30º EX-ALUNO MEU MORTO PELA POLICIA...
Ontem fiquei sabendo que o jovem morto, pela tróia do 41º bpm foi o Beiçola, que treinou na Escolinha do Areal Livre, dos 7 aos 15 anos. Ele é o trigésimo ex-aluno meu de escolinha de futebol morto pela num período de 15 anos.
Nem o fato de ter 9 meninada de acari, hoje jogando, federados, em clubes grandes do Rio, seis treinados e preparados por mim, a maioria com menos de 10 anos, diminui minha tristeza, minha depressão, meu desanimo, minha certeza de fracasso, meu sentimento de culpa e impotência e minha vontade de parar com tudo.
8/2 às 9:00 ·
EXÉRCITO REVISTA MULHER EM PÚBLICO E BEBE CHORA DE TERROR NO CARINHO. AGORA ME DIGA: QUAL O TAMANHO DA SUA DIGNIDADE QUE EU TE DIGO O TAMANHO DA SUA HUMANIDADE...
Aos 63 anos eu já vivi e ví quase de tudo ness vida.
Mas não me lembro de ter visto algo que me revoltasse e mexesse mais com a minha dignidade que a grande fotografia de quase meia pagina no Globo de hoje. uma jovem negra sendo revistada e apalpada na linha da cintura por soldado das forças armadas em praça pública. Atrás, uma menina negra, menor de idade, porque botaram um cristal, nos seus olhos aguarda pra ser possivelmente revista também. no chão dentro de um carrinho, um bebe negro, não deve ter mais de dois anos, chora aterrorizado.
O que esse bebe vai pensar pra sempre da policia,das forças armadas não sei, espero que pense e odeie da forma mais forte possível da mesma força e forma que ama e teme a mulher que ve sendo constrangida e esculachada.
Gente: qual o tamanho da minha da sua da nossa dignidade? ela mede o tamanho da minha, da sua, da nossa humanidade!
E não temos o direito de nos dizer dignos e humanos se nos calarmos, não fazermos nada diante de tão cruel e sinistra indignidade e desumanidade.
Essa, moça, jovem negra, simples moradora da CDD, tem todo direito de deixar pra lá, ficar com medo de correr atrás pelo constrangimento e vexame publico que sofreu, pode até achar normal, ou não achar normal e temer represaria
É UMA MULHR NEGRA,GENTE,E UM BEBE NEGRO,PORRA!
O QUE QUE NÓS PALADINAS E PALADINOS DA DEMOCRACIA, DA JUSTIÇA E DOS DIREITOS HUMANOS VAMOS FAZER? PORQUE VAMOS FAZERRRR.NÉ?.
8/2 às 8:15 ·
NÃO ABRAÇO NEM AFAGO A MARÉ PORQUE... Quando sem tem uma pessoa, um povo, um lugar amado e querido dentro de nosso coração nosso próprio coração já os abraça e afaga sem que você precise abrir e fechar os braços amolengar e os dedos pra o cafuné do afago.
MARÉ EU AMO MUITÃO!😜😜
8 de Fevereiro de 2016 ·
NÃO ME CHAMEM PRA MOVIMENTOS CONTRA VIOLÊNCIA...
Eu lí Fanon e com ele aprendi ser violento. Essa briga pobres versus ricos só pode terminar quando a gente tiver morrendo mais ganhando. Paz perdendo não é paz... é derrota e escravidão de novo.
Quando estiverem perdendo eles vão querer conversar sobre a paz, então; De boa: a paz será em nossos termos. e não será paz... será PAZ!
Depois da nossa VITORIA a gente conversa, de boa, sem violência, Já que PAZ COM VOZ É PAZ E CORAGEM!
7/2 às 4:50 ·
PORQUE ANITA NÃO É SAMUEL L. JACKSON...
Lí em algum lugar, acho que n'O Globo que Anita aceitou fazer papel de uma pm de uma UPP que acredita estar prestando um bom serviço pra sociedade. Mas se decepciona depois da morte de um colega de farda. Mesmo assim continua na policia.
Duns tempos pra cá a Globo vem usando sua linha de cultura e arte pra salvar a imagem de o próprio corpo que projeta a imagem. Foi assim com Paola Oliveira fazendo um tenente do Batalhão de Cães/Choque, um das corporações militares mais cruéis e assassinas da policia brasileira.
Ainda precisamos descobrir porque a globo defende tanto as upps, que seus próprios idealizadores consideram um projeto falido.
Defende tanto que resolveu aproveitar a popularidade da cantora Anita pra protagonizar uma minissérie, mais uma chapa branca pra tentar salvar uma politica de segurança publica civil/militar/penal/extrajudicial.
Quem viu DJango Livre, Terrorismo... sabe da capacidade do ator negro americano Samuel L. Jackson de criar personagens negros opressores de forma tão magistração e dialética, usando técnicas de distanciamento bresthiano que desconstrói de um jeito não maniqueísta a ideia de que todo negro e essencialmente bom.
Samuel, como Osie Davis são atores negros militantes com convivência estreita e luta lado a lado com os panteras negras, Luther KIng...
Por favor, nem sei se Anita sabe atuar, mesmo que saiba, são poucos os atores e atrizes brasileiras que podem sequer serem pensadas serem comparadas a um Samuel o Viola Davis. Mas se é pra usar Anita pra dar credibilidade e simpatia a uma pm de upp, seria mais racional e mais barato dar umas 10 horas de bronzeado artificlal na Juliana Paes, pra fazer o papel, já que ela além de ter comprovadamente algum talento é uma branca com a pela mais fácil de ser empretejada.
Em fim, pode ser que Anita surpreenda e se revele uma atriz talentosa e surpreendente e fazer da sua personagem um pm inesquecível, mas ela é um jovem branca, com certo talento como cantora, mas politicamente burra e alienada.
Quanto melhor ela fizer seu papel de pm de upp, pior pra que vive e sofre e morre sob a opressão das upps nas favelas na realidade.
Capaz que com o mesmo talento que ela emprestou sua voz e sua bunda pra dar credibilidade a personagem Malandra do clip, Vai Malandra, ela empreste sua voz e suas mãos pra portar uma pistola, um 762 pra dar credibilidade a sua pm de upp.
Que que as compas feministas negras e brancas mais menos radicais que defenderam anita por causa o clip, vai malandra, vão dizer agora... como compas negro, militante que também defendeu-a quero saber...
7/2 às 5:44 ·
MAS DUDA FOI A PRIMEIRA MENINA NEGRA FAVELADA MORTA COM UMA BOLA NAS MÃOS E NOS SONHOS...
É preciso no entanto dar destaque especial a morte da menina negra Duda, de treze anos, mesma idade do Jeremias enquanto treinava na quadra da Escola Daniel Piza em Acari. Duda era ótima praticante de varias modalidades esportivas, com varia medalhas conquistadas e se preparava para participar de mais uma competição da basquete.
Paradoxalmente a medida que as meninas de favela vão conquistando mais tempo e espaço nas áreas ao ar livre das favelas, diminuindo a hegemonia masculina que dominam os campos e quadras das favelas, também vão expondo mais aos riscos de praticar esportes nas favelas, seja por lazer seja por sonho de se tornar uma atleta profissional.
Pode-se argumentar que a construção de equipamentos esportivos fechados solucionariam o problema principalmente se fossem blindados com a superargamaça que o prefeito crivela prometeu e nunca cumpriu.
Mas o problema é que pode-se blindar escolas, creches, postos de saúde, centros culturais esportivos polivalentes mas não se pode blindar as ruas becos e vielas por onde as pessoas circulam pra ir pro trabalho, pra escola, pra os centros culturais.
As rua, praças, becos e viela das favelas são mais da policia e dos meninos do tráfico, que também são moradores que dos moradores, principalmente das crianças e adolescentes.
Pode mais na favela hoje quem porta um fuzil e veste um colete a prova de balas, seja policia ou bandido,e não quem porta um berimbau, veste uma calça de algodão ou porta uma bola e veste uma camisa de futebol.
Vive-se mais com com um fuzil nas mãos e um colete a prova de balas, seja bandido ou policia,
morre mais quem porta um berimbau e uma calça de algodão e traz na cintura um cordel de mestre ou aluno, morre mais quem porta um apito de um cronometro de treinador comunitário nas mãos ou uma bola e uma camisa de treino de aluno ou aluna de projetos de esportes nas favelas.
Assina esta postagem: deley de acari, poeta, animador social cultural e desportivo que atua há trinta anos no território em constante conflito armado que é a Favela de Acari.
7/2 às 10:00 ·
Vívi Sales, minha linda e brava guerreinha: Olhe bem nos olhos desses meninos das forças armadas. eles não tem nem coragem de olhar nos nossos olhos. De um bom dia pra eles, e vai ouvir um voz trêmula de um pós adolescente que não sabe se pode responder um bom dia a um morador ou não. Alguem com medo assim mal tem tino pra memória visual e reconhecer que já revistou ou não. É são esses bravos guerreiros que mandam pra cima da gente.
7/2 às 9:48 ·
OBSERVATÓRIO DAS ESCOLAS FECHADAS EM ÁRA DE CONFLITO CAUSADO INTERVENÇÃO DE AGENTES DE SEGURANÇA... RÁPIDO:
Primeira semana de aula. Dá alguém em cada complexo de favelas ir monitorando cada dia sem aula causado por intervenção de agentes de segurança, estadual ou federal. E acompanhar junto a pais e professores os danos causados ao rendimento escolar das crianças e a nível de trabalho das educadoras, tanto em creches quanto nas escolas estaduais e municipais.
Parece que o prefeito acaba de fazer um acordo vantajoso com a associação de creches conveniadas, mais grana parece.
Como é dever do estado garantir escola de qualidade para a estudantada e um outro nível de estado vive causado danos a essa qualidade, cabe aos pais, alunos, professores, processar o estado que causa os danos e o estado que deveria propiciar esse ensino de qualidade não o faz ou se omite. no caso do estado estado, que oferece universidade e escola de segundo graus publica e ele mesmo causa danos a qualidade do próprio ensino que ele oferece, pior ainda. acho que nesses casos todos, cabe inclusive habeas corpus preventivo. fala ai zacone, mano véio, você que é da área.
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Partilhar7/2 às 5:08 ·
JEREMIAS NÃO É O PRIMEIRO, NEM SERÁ O ULTIMO MENINO MORTO COM A BOLA NOS PÉS, OU NOS SONHOS...
A mãe do Jeremias disse que ele foi baleado quando estava jogando bola. A bola, hoje em dia, é a ferramenta que da forma aos sonhos de todo menino negro de favela na idade dele,13 anos.
Ele não foi o primeiro nem o ultimo menino negro de favela a ser baleado e morto em meio a uma operação policial. Na própria Maré, o pequeno matheuzinho, era aluno de um projeto social e de uma escolinha de futebol.
Há uns três anos um menino, de 11 anos, acho, foi baleado e morto em meio a uma troca de tiros entre policia e assaltantes quando ia pro treino de futsal em bangu, no Bangu AC.
Em 1995 em Acari, um menino de 15 anos promissor meia atacante da Escolinha do Botafogo foi morto por pms do 9bpm numa chacina.
Há cerca de três anos, dois irmãos alunos meu da escolinha de futebol que coordeno em Acari quase foram mortos depois da explosão de uma granada caseira, deixada perto de sua casa.
Há mais ou menos três anos, eu mesmo fiquei acuado com mais 36 meninos, entre os vão de uma arquibancada do campo de Acari, enquanto pms atiravam na nossa direção tentando acertar um vigia que passou correndo, desarmado só com o radinho na mão. Nossos corpos ficaram salpicados de estilhaços de cimento e marquinhas de sangue de pedrinhas que voavam do concreto e nos atingia com balas de chumbinho.
7/2 às 4:50 ·
PORQUE ANITA NÃO É SAMUEL L. JACKSON...
Lí em algum lugar, acho que n'O Globo que Anita aceitou fazer papel de uma pm de uma UPP que acredita estar prestando um bom serviço pra sociedade. Mas se decepciona depois da morte de um colega de farda. Mesmo assim continua na policia.
Duns tempos pra cá a Globo vem usando sua linha de cultura e arte pra salvar a imagem de o próprio corpo que projeta a imagem. Foi assim com Paola Oliveira fazendo um tenente do Batalhão de Cães/Choque, um das corporações militares mais cruéis e assassinas da policia brasileira.
Ainda precisamos descobrir porque a globo defende tanto as upps, que seus próprios idealizadores consideram um projeto falido.
Defende tanto que resolveu aproveitar a popularidade da cantora Anita pra protagonizar uma minissérie, mais uma chapa branca pra tentar salvar uma politica de segurança publica civil/militar/penal/extrajudicial.
Quem viu DJango Livre, Terrorismo... sabe da capacidade do ator negro americano Samuel L. Jackson de criar personagens negros opressores de forma tão magistração e dialética, usando técnicas de distanciamento bresthiano que desconstrói de um jeito não maniqueísta a ideia de que todo negro e essencialmente bom.
Samuel, como Osie Davis são atores negros militantes com convivência estreita e luta lado a lado com os panteras negras, Luther KIng...
Por favor, nem sei se Anita sabe atuar, mesmo que saiba, são poucos os atores e atrizes brasileiras que podem sequer serem pensadas serem comparadas a um Samuel o Viola Davis. Mas se é pra usar Anita pra dar credibilidade e simpatia a uma pm de upp, seria mais racional e mais barato dar umas 10 horas de bronzeado artificlal na Juliana Paes, pra fazer o papel, já que ela além de ter comprovadamente algum talento é uma branca com a pela mais fácil de ser empretejada.
Em fim, pode ser que Anita surpreenda e se revele uma atriz talentosa e surpreendente e fazer da sua personagem um pm inesquecível, mas ela é um jovem branca, com certo talento como cantora, mas politicamente burra e alienada.
Quanto melhor ela fizer seu papel de pm de upp, pior pra que vive e sofre e morre sob a opressão das upps nas favelas na realidade.
Capaz que com o mesmo talento que ela emprestou sua voz e sua bunda pra dar credibilidade a personagem Malandra do clip, Vai Malandra, ela empreste sua voz e suas mãos pra portar uma pistola, um 762 pra dar credibilidade a sua pm de upp.
Que que as compas feministas negras e brancas mais menos radicais que defenderam anita por causa o clip, vai malandra, vão dizer agora... como compas negro, militante que também defendeu-a quero saber...
6/2 às 20:39 ·
# NEM UM JEREMIAS A MAIS, PORRA!
Que palhaçada é essa de 4 pms sequestrados na Nova Holanda Bráz? Quem plantou essa caozada pra seus pilas invadirem a NH? Cade os pilas sequestrados? Deu no que deu, um menino morto por seus pilas. Tem que fechar a brasil, amarela, vermelha, mesmo! Quebra,quebra,quebra, VAI MORRÊ PULIÇA,VAI MORRÊ PULIÇA!
6/2 às 5:56 ·
ACARI:QUERO MEUS TIROS DE VOLTA!
Ouvi muitos tiros bem próximo daqui por volta das 3 da manhã. Acordei assustado pensando que estava em Acari. Fui a janela mas fiquei com meso de abrir, puxei a cortina e ví as luzes do porto e da orla da praia embaçadas pelo vidro da janeila.Não consegui dormir mais até agora. Vim bisbilhotar a net até clarear ir pra rodoviária e voltar pra Acari.
Ontem uma vizinha que me empresta a kitinet, me disse que uma facção rival tá tentando tomar os morros que o TCP domina na Costa Verde, inclusive este. Ela acha que é questão de tempo, pode ser hoje, amanhã, mas vai ser.
Já tava mesmo pensando e voltar pra Acari, por causa da febre amarela que teve o primeiro caso aqui e eu ainda não me vacinei.
Por outro lado, pra ouvir tiroteios aqui e saber de jovens mortos, parece que já teve um pm, também...
Acari: quero os "meus" tiroteios de volta Parafraseando o velho poeta no exilio que um dia escreveu: as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá, eu penso: os 762 que aqui trovejam como os de lá.
Além do mais ser Deley de Acari, numa favela prestes a dominada pelo CV pode não ser uma boa ideia. Mesmo sendo um Defenders e estando há 180 km do Acari do TCP.A
Tá certo que Todo Certo Prevalece... mas não morto.
5/2 às 7:23 ·
TIROS EM ACARI:LONGE DOS OUVIDOS, DENTRO DO CORAÇÃO!
Seis e meia da manhã. Estou há 180 km de distância e 2h30 de ônibus de Acari. Miles Davis rola no som tocando Concerto Para Arrejuez, arrumo algumas roupas na mochila, pra voltar pra favela, quando o telefone toca. É minha vizinha, dublê de guardiã. Já saiu? num vem não, muito tiros e fogos, os meninos correndo na rua, deve ser muita policia. peço pra ela bater na minha porta, ver se minha irmã já saiu pro médico. ela disse que viu minha irmã sair uns 20 minutos antes da policia chegar. Jogo a mochila na cama, deito e choro, abro janela e vejo a chuva fina lá fora, a praia lá embaixo, estou numa favela duma cidade da costa verde, esta deserta e o mar de um prata&chumbo,ainda esta meio escuro e o mar reflete as luzes do porto e das cabines dos navios cargueiros fundiados ao largo. Minha vizinha me liga novamente e pede pra eu escutar, tiro sequenciados de 762 e postolas. Bem aqui embaixo do nosso prédio. Assim que calmar vou ver se sua irmã tá no posto, dai te ligo. Só consigo dizer:valeu,dona... tá de boa!
Tiros em Acari: estou há 180 km e há 2h30 de Acari ... Tiros longe dos ouvidos, mas dentro do coração.
Moradores descem até a pracinha pra pegar a van pra descerem pro trabalho. Na parede, atrás da guarita uma inscrição: TCP, Todo Certo Prevalece.
Boto Miles pra tocar de novo, enxugo as lágrimas, saindo do facebook, ver o e-mail, se tem resposta de compas que defensores que conheci em Dublin, na Plataforma da FrontLine, saber se vão ao fórum das águas ou ao fórum social mundial.
Cumprindo meu protocolo emergencial de segurança, com a FrontLine, JG e Anistia a me proteger. Que Yemanjá proteja os moradores de Acari e principalmente minha irmã, mesmo ela sendo evangélica! Amém, aleluia... ODOYÁ!
2/2 às 18:23 ·
A GUERRA DE JULGMANN É RACISTA INSTUCIONAL E NEOLIBERAL...
Segundo o Globo, registros de "homicídio decorrente de intervenção policial"/auto de resistência, dão conta de 66 mortes em Janeiro de 2018, 48 são negras ou pardas, 4 brancas e 14 não tiveram a cor declarada.
Na matéria do globo, de hoje, em fim duas vozes que representam com legitimidade a CDD, Vivi Sales e Paulo Lins que assina um texto brilhante e doloroso. Ele não diz o que vou dizer com todas as letras mas nos leva a entender o porque e pra que essa guerra toda. O Crime Mundial e brasileiro é neoliberal e racista, assim como o estado também o é.
Não tenho os dados sobre a morte de policiais civis e militares em confronto, os mortos em dias de folga, não valem, aqui, talvez não passe de dez. pensando neste mesmo período de janeiro de 2018. Infelizmente as autoridades não costumam divulgar a raça dos policiais mortos, não muito provavelmente a maioria são negros, pardos e quase tão jovens quanto 66 traficantes que seus companheiros de farda mataram.
2/2 às 9:14 ·
DE VOLTA AO BLOG DELEY DE ACARI...
Estou voltando a publicar no meu blog deleydeacari.blogspot. com. Time Line de facebook não é lugar pra textos autorais que são confundidos com textos e deixados de lado pra ler depois e nunca são lídos. Bem possível que o primeiro da volta seja: O QUE ME LEMBRO DA CAMARADA LÉLIA GONZALEZ. Um outro uma continuação do conto "PAI CONTRA MÃE. de Machado de Assis, transformando a personagem Arminda, que aborta ao ser recapurada grávida. Nessa continuação Arminda vira protagonista e forma uma malta pra sequestrar e libertar escravas amas de leite e levas para um quilombo.
Na cabeça e no coração: um encontro entre luiza mahin e as revoltosas do quilombo de Manoel congo, que fazem um reflexão crítica da revolta dos males da sabina, e da propría revolta nas fazendas de café do sul fluminense. e a história de três meninas negras que estão num roncó fazendo obrigação de 5 anos de santo, portanto não podem ter relações sexuais até acabar a obrigação mas sofrem tentativa de estupro por parte de um capataz. ao ser agarrada uma deles recebe sua nikise agride violentamente os homens e fogem pra um quilombo e forma uma malta. esta estória voltada pra meninas adolescente negras deve virar um game antimachista, sexista e antimonoteocracia.
Deu pra ver que só marquetingue do blog já deu um textão.
Por enquanto o blog só tem acho que 75 seguidores, nada a comparar com os 4.980 e poucos amigos do face.
Quem quiser ler os textos, vai lá no blog deleydeacari. blogspot. com que não vou fazer link não,tá?
2 de Fevereiro de 2017 ·
OUTRAS PALAVRAS FÊMEAS:
No ultimo domingo, 29 de Janeiro, durante o Cachasarau Torresmo A Milanesa+ Feira Tropicana, tivemos a bela e brilhante perfomance da Poeta Jurema Araujo, cría do Complexo de Acari declamando poemas de seu livro PALAVRAS FÊMEAS que deve se lançado em Julho de este ano. De acordo com o regulamento do Cachasarau, o ou a poeta convidadx tem meia hora pra dizer seus poetas, e um músico convidado, idem. Não tem cachê, o cachê na verdade é pra o povo da platéia: quem lê um poema, canta uma música, da cambalhota, faz polidance, tem direito a uma dose de pínga da boa. Desta vez foi caninha da roça curtida no cravo. Deu muita onda e o povo reclamou. A proxíma vai ser cana de mínas curtida na siriguéla, frutinha do nordeste, no momento vendida á balde nas ruas do Rio, por uns manos e manas baianos.
Daqui até 8 de Março, dia Internacional da Mulher, questionado pelo puto velho e inesquecível Vitor Giannoti estarão sendo publicados poemas e contos de outras poetas negras e brancas, pouco acessíveis ao grande e pequenos públicos. Mas que agora, estão mais alcançaveis, na biblioteca que a familia de poeta e ativista revolucionária feminista doou para o CCPD.
Outras PALAVRAS FÊMEAS tão belas e talentosas quanto a de Jurema Araujo que já tiveram a sorte de serem púbricadas em livro
Dois, ou três poemas de cada poeta estarão sendo postados, na pagina do Negrícia, Poesia e Arte de Crioulo, aqui mesmo no face.
Os livros estão a disposição para empréstimo. O custo é doar um livro pra biblioteca e de repente ficar pegadx aqui no CCPD umas duas horas ajudando a catalogar os cerca de 200 livros de nosso acervo.
Aguardem o próximo Cachasau Torresmo a Milanesa e a próximo Feira Tropicana. Enquanto isso, vão curtindo os poemas e nos visitando aqui em Acari.
Contata a gente!
sábado, 3 de fevereiro de 2018
EBULIÇÃO DA ESCRIVATURA treze poetas impossiveis, 4 negros possiveis
Em 1978, nos tempos mais sinistros da Ditadura Militar a Editora Civilização Brasileira lançava EBULIÇÃO DA ESCRIVATURA, Treze poetas impossíveis, publicação coordenada pelo Poeta Moacyr Felix. Dela participaram 4 poetas negros que posteriormente se revelaram estarem entre os mais talentosos poetas brasileiros do Séc. 20. Alguns deles inclusive como letristas de MPB.
O lançamento foi numa noite histórica para a luta pela liberdade, no teatro casa grande na Zona Sul do Rio.
Começo a transcrever aqui este quatro poetas negros. Perdido durante uns vinte anos achei outro exemplar do livro, na feira de Acari por C$ 2 Reais.
Por enquanto só um poeta de cada um deles pra botar pilha em vocês pra continuar seguindo o blog e comentar pra gente iniciar uma roda de conversa por aqui longe da doideira monológica insana do facebook.
Começo pela ordem publica no livro com SALGADO MARANHÃO:
GRITO E GRAVIDADE
que pelo menos seja conquistado
andar pelos quatro vãos da casa
recriando as falas desgastadas,
pular pro quintal, ganhar a floresta,
juntar guerreiros,
companheiros perdidos,
detritos de frases,
e tecer um com as vozes
que ainda sobram.
aproveitar a excitação da terra,
vim trazendo a bola pro nosso campo,
o que se gasta na luta,
se recompõe na conquista.
entre sóis e cipós de marmeleiros
tucuns,coroátas,, babaçuais,
tarará, tam tam tam, deixa pra lá,
deixa cantar, deixa aclarar
a palidez sanguinária desses rios
desses homens congelados.
embora não se comente,
os poetas trabalham com a língua
suja dos fatos.
com as armas grávidas das sementes,
que não falte saliva
para lubrificar as gargantas,
e que não falta palavras para embalar as idéias,
e u direi agora em viva voz:
que o canto do homem,
não pode ser menor que o nó de seu pavor.
JORGE CLAUDIR
MEIO REPENTE
Se eu disser que é meio frio
você diz que é meio quente
se eu disser meio moroso
você diz meio repente
se eu disser que é meio tema
você diz que é meio mote
se eu disser que é meio salto
você diz que é meio bote
Se eu disser que é meia folha
você diz que é meia palha
se eu disser meio honesto
você diz meio canalha
seu disser meia canoa
você diz meio navio
se eu disser meias chama
você diz meio pavio
...................................
Se eu disser que é meio aço
você diz que é meio ferro
se eu disser que é meio grito
você diz que é meio berro
se eu disse meio bonito
você diz metade feio
se eu disser meio recado
você diz recado e meio.
HAI-KÁFRICO
Aqueles que nós amamos
Sabem muito bem quem são
aqueles a quem odiamos.
ÉLE SEMOG
DOUTOR
Me desculpe,doutor,
mas o senhor é branco
há mais de trinta anos
ee não é justo
que de repente,
simplesmente de repente,
o senhor afirme que
que os crioulos não tem problemas,
que a luta do crioulo
é menos importante que a luta de classes,.
Me desculpe, doutor,
mas enquanto a maioria não entender
que antes de sermos "todos'
ante somos um só,
nunca sairemos desse círculo.
Os homens fazem os sistemas
e os sistemas prendem o homens.
Tô cansado de porrad, doutor,
me desculpe, nós somos bons
amigos, e toda ajuda que vier é valida,
mas o senhor nunca teve
um filho ou um irmão, negrinho como eu
que lhe disse na hora do jantar
que queria ter olhos verdes.
Me desculpe, doutor,
mas existe um pratica
que nenhuma teoria explica,
porque é preciso ser, sendo...
ser e viver crioulo.
SÉRGIO (NATUREZA) VARELA
VOCE SABE?
você sabe que eu sou falho
então me diga
eu vou ouvir fazendo figa
pode ser que quebre o galho
daquela arvore antiga em pleno
outono.
num quintal seco e sem dono
onde eu sirvo de espantalho
você sabe o meu valor
então me conte
eu vou olhar pra onde aponte
sua mão, meu atalho
na mesma estrada torta
onde eu sou a curva
a pista morta, a vista turva
com poeira e com cascalho
você sabe que eu mereço
então tá justo
o custo, o preço que me cabe
com a paga do trabalho
Você sabe que nem eu sei o quanto valho?
Todos os poemas publicados
em EBULIÇÃO DA ESCRIVATURA
Editora Civilização Brsileira,
1978
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
VÊ SE FICA VIVA,TÁ?
Eu, outro defensor de direitos humanos estávamos sentados na porta de um bar. Ao nosso lado três mulheres conversavam conosco, duas delas, mãe e filha, a outra irmã e tía. Mais uns 50 três "meninos" com seus portes aguardavam seu chefe que estava no "descanso." próximo dali.
Assim que ele sai os "meninos" se põem e alerta, ele passa pela gente, dá bom dia pra geral, zoa as mulheres que estavam bebendo cerveja, ela respondem a zoação, pedindo pra deixar mais duas pagas. Ele olha pro dono do bar e ordena: arreia meia dúzia pra essas muié ai, depois me diz quanto foi.
Passa e vai se juntar a sua "cobertura". Fala baixo com eles, e sai andando com dois ao seu lado e outro atrás. Este joga um beijo com a mão pra mulher mais jovem, uns 16 de quem é namorado. Ela responde com uma bicota de longe e fala em tom firme, amoroso... que aos meus ouvidos soa maternal: "Ve se fica vivo,tá?
Frase como esta, mais ou menos dito dessa forma, mas sempre com o mesmo sentido deve ter sido dita, milhares de vezes todos os dias,por mulheres de favela e periferia, ao longo de sentenas de anos, inclusive pela minha, D. Zeni.
Mas vou me situar num anos especifico, 2014, por ser um anos emblemático pra favela de Acari, ano coberto pela pesquisa da Anistia Internacional que registrou 10 mortes de homens, todos negros, no Complexo de Acari, registras com auto de resistência, com fortes evidencias periciais, algumas delas testemunhais de execução sumária, ou como dizem os especialistas, execuções extra judiciais.
Ve se fica vivo,tá? deve ter sido dito,ou pensando ou balbuciado por uma mulher, mãe, companheira filha ou irmã de cada um deles, antes de terem saído de casa.
Mas, pela primeira vez ouvi um versão masculina da mesma frase, quando fui buscar uma das mães de um desses rapazes mortos, pra se encontrar numa reunião com um grupo de pesquisadores da Anistia, num centro cultural da Favela. E foi pronunciada por sua filha adolescente: "volta logo mãe: "Ve se fica viva,tá?
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
VÊ SE FICA VIVO,TÁ?
Nenzy e mais três meninas ensaiam maculelê no terraço da casa, uma delas toca o atabaque enquanto Nenzy e outra menina dançam bate os bastões e cantam.(introduzir aqui um canto daqueles da poesia pro adão.)
> MACULELÊ
> É DA ROÇA É DA FAVELA
>
>
>
> Na
> escravidão vi
>
> Meu
> povo sofredô
>
> Maculelê
> jurei vingança
>
> Maculelê
> jurou vingança
>
> Mas que a dança que ele
>
> Se
> é pra brinca é dança legal
>
> Se
> é pra luta é dança é mortal
>
> Aí,
> aí, que vingança
>
> É
> coisa do mal
>
> Luta
> por justiça é nosso normal
>
> Quem
> foi escravo não
>
> O
> que eu sofri que não sofra ninguém
>
> escraviza
> ninguém
>
> eu
> nasci na roça
>
> me
> crie na
> favela
>
> maculelê
> veio do caniviá
>
> foram
> os pretos mais velhos
>
> que
> trouxeram pra cá
>
> aia,aia,
> maculelê, canto aqui canto lá
>
> jogo
> na roça vou joga na favela
>
> oi
> no mato ou na poeira
>
> maculelê
> é a coisa mais bela.
>
> Quem
> quisé liberdade
>
> Que
> lute por ela.
>
> Ninguém
> é livre na roça
>
> Se
> não for na favela
>
> Ninguém
> é livre
>
> Se
> na favela não for também
>
>
>
>SINHÁ DONA DA CASA
>
>
>
> Da
> licença d’eu chegá
>
> Trouxe
> meus mano
>
> Viemo
> aqui pra nós canta
>
> E
> se dé tempo maculelê
>
> Vamos
> jogar se for pra guerra
>
> Maculelê
> vai guerrea
>
> Mas
> se o caso é festa
>
> Maculele
> só vai brinca
>
>
>
> Maculele
> na favela
>
> É
> assim que a gente faz
>
> A
> gente luta na guerra
>
> A
> gente brinca na paz
>
> Maculele
> ta na favela
>
> Mais
> venho da roça
>
> Na
> roça ou na favela
>
> Tanto
> fez como tanto
>
> Faz
>
> Se
> que briga a gente da coça
>
> Se
> qué brinca a gente faz troça
>
> Na
> coça ou na troça
>
> Com
> maculele do Acari
>
> Não
> há quem poça.
>
>
>
> DE BOLA, JOGO DE ESCOLA.
>
>
>
> Jogo
> de dentro, joga de fora
>
> Sou
> bom na bola, sou bom capoeira
>
> Sou
> bom na escola.
>
> Sou
> boleiro, sou capoeira
>
> Sou
> bom de dible, bom de pernada
>
> Jogo
> de dentro, jogo de fora
>
> Sou
> bom na escola.
>
>
Não
> vou pra capoeira
>
> Não
> vou pra bola,
>
> Mamãe
> não deixa
>
> Se
> eu não for pra escola.
>
> Jogo
> de dentro, joga de fora
>
> Sou
> bom na bola, sou bom capoeira
>
> Sou
> bom na escola.
>
>
>
> Oi
> no pagode eu vi
>
> Mamãe
> catando lata
>
> Jogo
> de dentro, joga de fora
>
> Sou
> bom na bola, sou bom capoeira
>
> Sou
> bom na escola.
>
>
>
> Ou
> no baile funk eu vi
>
> Mamãe
> catando lata
>
> Jogo
> de dentro, joga de fora
>
> Sou
> bom na bola, sou bom capoeira
>
> Sou
> bom na escola.
>
>
>
> Oi
> no samba eu vi
>
> Mamãe
> catando lata
>
> Pra
> vende no ferro velho
>
> E
> vi mamãe catando lata
>
> Pra
> compra meu tênis
>
> Pra
> eu jogar bola
>
> Eu
> vi mamãe catando lata
>
> Pra
> compra meu cordel
>
> Pra
> eu jogar capoeira
>
> Jogo
> de dentro, joga de fora
>
> Sou
> bom na bola, sou bom capoeira
>
> Sou
> bom na escola.
>
>
>
> Eu
> vi mamãe catando lata
>
> Pra
> comprar meu caderno
>
> Pra
> eu ir pra escola
>
>
>
> Deley de Acari
>
>
>
> >QUEM
> É SEJÁ O QUE É
>
>
>
> Quem
> é o que é seja o que é
>
> Não
> vá pelos outros não seja
>
> Mané.
>
>
>
> Quem
> é o que é seja o que é
>
> Não
> fique mudo não vá se cala
>
> Que
> reze quem é de reza
>
> Que
> ore que é de ora
>
> Que
> é o que seja o que é
>
> Não
> fique mudo não vá se cala
>
> Que
> fale que é de fala
>
> Que
> cante quem é de canta.
>
>
>
> Que
> é o que é seja o que é
>
> Porque
> o outro você não vai ser
>
> Que
> rime quem é de rima
>
> Que
> verse quem é de versar
>
>
>
> Que
> ore, que reze, que cante que verse
>
> Há
> sempre uma bala perdida
>
> No
> caminho entre a gente e a escola
>
> Reza,
> ora, versa, canta há
>
> De
> nos dá livramento.
>
>
>
> Há
> sempre uma vala fedida
>
> No
> caminho entre a gente
>
> E
> a escola.
>
> Reza,ora,
> versa canta vai nos dá livramento.
>
>
>
> Há
> sempre um blindado
>
> No
> caminho entre a gente
>
> E
> a escola
>
> Reza,ora,
> versa, canta vai nos dá livramento.
>
>
>
> Minha
> tia vem de fora
>
> Pra
> me ensina na escola
>
> Eu
> vou de dentro pra
>
> Aprende
> na escola
>
> Há
> sempre uma provação
>
> No
> nosso caminho entre a gente
>
> E
> escola.
>
> Pra
> quem vem do asfalto
>
> Pra
> que vai da favela
>
> Quem
> reza, quem versa, quem canta
>
> Quem
> faz oração quer que a gente
>
> Ande
> livre sem sofrer arranhão.
>
>
>
> Quem
> reza, quem versa, quem canta
>
> Quem
> faz oração quer que a gente
>
> Quem
> ensina quem aprende faça
>
> Da
> vida na paz, justiça, na alegria,
>
> Mais
> que uma benção, uma grande
>
> Lição.
>
>
>
> Deley
> de Acari
>
> 5
>
> FUNK
> DE MUIÉ
>
>
>
> Joguei
> maculelê
>
> Do
> Acari a joconé
>
> Joguei
> maculele
>
> Com
> home e com muié.
>
>
>
> Sambei
> samba
>
> De
> Acari á Jaconé
>
> Sambei
> com home e com muié
>
> Jonguei
> jongo
>
> De
> Acari á Jaconé
>
> Jonguei
> com home e com muié
>
> Joguei
> capoeira
>
> De
> Acari á Jaconé
>
> Joguei
> com home e com muié
>
> M
> eu cante funk
>
> De
> Acari a Joconé
>
> Cantei
> com home
>
> Na
> soube das muié
>
>
>
> Só
> ouvi funkueiro home
>
> De
> Acari á Jaconé
>
> Cadê
> o funk das muié,
>
>
>
> Já
> canto funkeiro home
>
> Canta
> aí funk muié.
>
>
>
> Fanqueiro
> home representa
>
> De
> Acari á Jaconé
>
> Muié
> funkeira canta de
>
> Acari
> a jaconé até a Cabrobó
>
> Canta
> funkeiro home
>
> Muié
> funkeira canta mio!
>
>
>
DH: Po mana, vai dar não, tenho que ficar cobertura do primo, hoje. Já tão chamando no radinho. Houve um toque que vai ter operação hoje...
Nenzy: Po, não dá pro primo te liberar hoje não? a apresentação é amanhã.
Começa a soltar fogos.
DH: Aí! a comprovação.
houve-se muita falação no radinho.
DH: Já é fui. se cuida ai meninas. Cuidado com bala perdida ai na lage.
Nenzy: se cida voce muleque.
Kissonde: que é namorada de DH: Aha! meu deus. Se cuida amor. Ve se fica vivo,tá?
DH sai batido.
Nenzy: dá pra continuar?
Kissonde: Enquanto não der tiro dá!
Salale: a menina do atabaque começa a cantar, um canto de maculele.
VE S FICA VIVO,TÁ?
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