sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

QUNATO MAIS PRECE, MAIS PRETA ME APARECE.



  Pensei que Amaya fosse a ultima mulher preta afrolatina que tivesse aparecido na minha vida de poeta, velho preto, velho. Mas, não é. Quanto mais prece, mais preta afrolatina me aparece.


 Minha vó Guiomar dizia: quanto mais rezo mais assombração me aparece!


 Mas, essas mulheres afrolatinas não aparecem na minha vida como assombração, que dá medo assombra e assusta. 

Essas mulheres afrolatinas na minha vida, não aparecem como assombração, não!!!
Aparecem como Alumiação. Uma alumiação que ´dá medo, de tanto que me agracia e encanta!

Desde que Amaya, me alumiou lá da Nicarágua, na verdade, já me alumiaram: Ana Karol, a meninha desenhista da rua de lama, Arminda, do conto Pai contra Mãe, do Machado de Assis, Lucrécia, do conto o Caso da Vara, de Machado de Assis, Denise,treinadora de futebol do Complexo de Acari e agora Danny Ramírez Torrez, integrante do Grupo de Trabalho Étnico da Comissão da Verdade da Colombia. Ela deu uma entrevista ao jornal o Globo, neste dia 26 de Dezembro de 2018. Ela é ativista afrocolombiana.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

terça-feira, 5 de junho de 2018

AINDA TEMOS DUBLIN, O LIVRO


V
AINDA TEMOS DUBLIN

DELEY DEACARI

(EDIÇÃO VIRTUAL GRATUITA DO AUTOR)








CUIDAÇÕES AMIGAS

á Carol Maíra

Cuidando d’ocê
Eu cuido d’eu!
Oce deix’eu
Cuida d’ocê
É seu jeito
De cuida d’eu!















AINDA TEMOS DUBLIN

Dane-se se a burguesia do mundo faz da ONU em Nova York pra oprimir os povos do mundo e ainda tem Paris pra se divertirem e gastarem o produto da pilhagem de nossas riquezas
Ainda temos Dublin onde os povos oprimidos e pilhados do mundo tem sua OPU, Organização dos Povos Unidos para se unirem pra luta e resistir a opressão e a pilhagem.
Se nossos opressores tem Nova York e París os oprimidos ainda tem Dublin.
Comprei os quatro jornais que são publicados no Rio, neste Domingo. Somando os quatro dá umas cem paginas. Vou direto a noticias internacionais. Matérias e textos a maioria sobre o casamento do playboy parasita real, sobre Venezuela,sobre matança de estudantes nos EUA, Palestina, mas... sobre o Congo, nada.
De passagem li no facebook alguma coisa sobre massacres lá, mas nos jornais, pelo menos do Rio, nada.
É como me disse um velho amigo Itamar Freitas,e editor do jornal O Povo na mesma época que morreu do casamento da Princeza  Dayane e da morte de 350 nigerianos numa explosão de um duto de petróleo: É uma por 500 Deley.
Pra noticia de uma celebridade européia só é preciso 500 africanos mortos pra ganhar uma nota de pé de pagina.
Quando a gente conhece uma pessoa, convive com ela por alguns minutos, um bom convívio, passa a ter uma simpatia por ela. Se esse bom convívio dura quatro dias e a pessoa é uma combatente pela liberdade e pela justiça como você a simpatia passa a ser afeição e irmandade.
E mesmo depois de distante de você ela continuar fazendo parte de sua vida alvo de sua afeição e suas lembranças preocupações constantes, e vez por outra você tem vontade de dizer alguma coisa a ela, uma palavra de solidariedade revolucionária participativa e acolhedora.

Principalmente quando tem noticia de que a luta dela se torna mais difícil por conta da piora das coisas em seu pais.
Vi no facebook a postagem de uma irmãzinha de luta e amizade que esta em Dublin. Uma foto com uma mulhereda de luta, no meio delas uma carinha negra, muito possivelmente de uma companheira africana.
Emocionado pela foto, pensei comigo mesmo: Ainda temos Dublin. Gostaria de dizer, a Claudia Chuma, irmazinha da Republica Democrática do Congo, que esteve em Dublin, na Plataforma da FrontLine, em Outubro de 2017, querida companheirinha, coragem, ainda temos Dublin.
Se nos oprimem nos massacram nos ameaçam, em Acari ou em Kinshasa, ainda temos Dublin onde nos reunir para nos aquilombar globalmente.
Cheguei em Dublin já sentindo saudades da favela. O atraso de um dia por causa do furacão que se abateu sobre a Irlanda diminuiu ainda mais um pouca a vontade de ir.
Ter viajado 11 horas entre dois obreiros de uma caravana da iurj que ia pra Israel foi uma chatura e assim que consegui mexer no cineminha fui vendo filmes até Amisterdan.
Nem mesmo a inusitada saudação a Mariguela feita por uma agente federal holandês me empolgou.
Tive a sorte de ir  na janela do avião de Amisterdan para Dublin. Pena que tava muito nublado e não deu pra ver a Inglaterra de cima. Imaginava poder jogar ao menos um saquinho de bosta no palácio real.
O caminho de ônibus até o hotel foi mágico. Fiquei procurando a Dublin favela que Mike Davis fala no livro Planeta Favela. Fiquei na espectativa de que em algum momento ela brotaria.
No hotel, depois de uma descansada, fui para um restaurante onde a maioria dos participantes estavam jantando. Conheci Rafael e Ivi, pessoas que só conhecia de e-mail e que depois passei a amar como se fossem acarienses.

2
Fiquei na numa mesa com Ivi e alguns latino americanos e com Luaty, repper angolano. De saída não gostei do prato nacional da Irlanda. Um frango com batata ruim que passei a amar e gostar como que gosta de chá de boldo, amargo mas necessário pra curar o fígado.
Passei a amar e gostar do frango com batata irlandês depois que Rafael me contou que foram eles que curaram o povo irlandês da fome no séc. 19.
Na volta ao hotel li e reli minha comunicação. Via se cabia no tempo de cinco minutos exigido pela organização do evento, se não havia colocações radicais demais que pudesse criar algum constrangimento a a frontline.
Minha preocupação era com posições políticas mais radicais. Sabia que a frontiline recebia contribuições de empresários capitalistas europeus. Reli o texto e conclui que não havia nada que pudesse constranger a coordenação da frontiline.  Fiquei bolado comigo mesmo quando a companheirinha vietnamita fez sua comunicação radical e desceu do púlpito gritando abaixo o capitalismo, sendo entusiasticamente aplaudida inclusive pelos empresários capitalistas presentes.

         Dublin, por muito tempo, não esteve na minha lista de cidade estrangeiras que eu gostaria de conhecer. Belfast, Guernica e Barcelona eram as "unicas" cidades europeias. Sempre quis conhecer Luanda e Cabinda, em Angola, Cabinda por ser muito provavelmente terra natal de meus antepassados recentes.

Dublin entrou na minha lista de cidade visitaveis, quando uma breve sitação no livro "planeta favela" de maki davis. A idéia de que teria havido uma cidade-favela na Europa no inicio do século 19, numa época em que os crioulos e africanos escravizados nas ámericas ainda viviam nas senzalas e no quilombos, me fascinou e me fez amar Dublin me despertou um amor a primeira vista por Dublin se nunca te-la visto ou estado nela.

Quando estive em Dublin para a Plataforma da Frontline esperei poder ver e sentir ao menos uma alminha da Dublin cidade-favela que ergui com tábuas de carinho no meu coração. Se há/ deve haver. não houve tempo pra ver, mas senti na cara de cada dublinense algo de favelado dublinense de 1805,1830.

Favelado sabe outro favelado em qualquer lugar do mundo.
Em qualquer lugar do mundo nenhum favelado é o outro.
Todo favelado é um eu, por isso em Dublin me senti
um eu favelado dublinense.
Todos dublinenses que via eram eu
e eu era todo que via, embora ele
sequer me visse.
Ainda hoje sinto que e sei que todo
dublinense e eu,SOMOS!

Já sabia que ia ter gente defensora de direitos humanos das mais variadas formas de atuação e com certeza a maioria que já havia sofrido algum tipo de ameaça a sua vida.
Talvez influenciado pela releitura do Planeta Favela fui imaginando que poderia encontrar um bom numero de militantes favelados como eu. Poe causa do furacão que se abateu sobre a Irlanda dois antes a maioria dos vôos dos participantes atrasou muito e chegamos já com o evento começado em um dia.  Já cheguei no hotel,na parte da tarde, dei uma descansada. Quando acordei no lá pelas 20h recebi um comunicado de Ivi de que estavam todos num restaurante jantando. Desci do taxi e fui recebido na porta por Ivi e por Rafael. Lá dentro pensei comigo mesmo que aquele lugar nunca tivera antes tanta gente preta reunida. Como na minha imaginação acreditava que ia encontrar na plataforma muitos favelados do mundo, imaginei que quase toda gente ali, era preta, porque as imagina faveladas.
Havia viajado 11 horas expremido ente dois obreiros de uma delegação de vinte e cinco envagélicos que iam pra Israel. Eram de vários estados do Brasil mas mesmos falando português se comunicavam meio que num dialeto neopencostálico. Principalmente depois que consegui achar um vídeo de artistas africanos cantando e suas línguas tradicionais. No inicio os evangélicos ficaram meio perplexos com tantas linguagens e canções demoníacas mas depois resolveram não falar mais comigo de nenhuma maneira. Só se comunicavam entre si num dialeto pictografado. Pra fui do rio a Amsterdan ouvindo hebreu. No segundo dia da plataforma, meu primeiro dia nela. Me  meti a gato mestre em fazer um comentário depois de uma mesa de debates logo de manhã. Fui interrompido antes de terminar a primeira frase pela coordenadora da mesa me disse em espanhol: “senhor, o português não é língua prevista no evento. Fiquei mudo sem saber o que fazer e dizer. Fui socorrido por atila roque que traduziu o que eu falara. Depois sentei-me acabrunhado e bolado. Mais pra envergonhado pelo mico. Me afundei na cadeira, com os olhos pregados na programação escrita em inglês. Levantei a cabeça e percebi que ninguém estava olhando pra mim. Olhei aquário onde estavam os tradutores simultâneos... inglês, Frances, espanhol, árabe e... russo. Porque russo carai? Só tinha uma russa no evento.
Alguém me ajudou a focalizar o radinho no ponto da tradução em espanhol. O tradutor falava tão rápido quanto as pessoas na mesa. E eu não entendia quase nada. Depois mudou o tradutor e ficou um pouco mais fácil. Apenas um pouco. Mesmo assim deu pra levar. Nos dias que se seguiram ouvi pelo menos uma cinqüenta 60 comunicações pessoais de defensoras e defensores a maioria mulheres. A maioria não brancas. Mesmo as orientais tinham a pele tostadinha como pele de quem passa maior parte do tempo no sol.
Se tínhamos em comum sermos todas e todos ali, ou a ampla maioria defensores e defensoras de direitos humanos em situação de risco de morte, dai uma simpatia e uma cumplicidade natural,aos poucos foi caindo na real que diante de tanta diversidade de pessoas e países e variedade de atuação haveria também muitas diversidades de idéias, posições políticas, filosofia e concepções religiosas quantos éramos ali presente.
Entender pouco o que cada um dizia me ajudou até hoje manter a simpatia, a cumplicidade e a solidariedade revolucionária afetiva com todas e todas, com algumas mais por serem mulheres, mais muito com todas.

Não foi a primeira vez que participei de um grande evento com muitas línguas diferentes tipo torre de babel. Em 1984 havia participado do Kizomba. E no encontro com 30 escritores africanos e afrolatinos, pelo menos uns 10 de línguas  portuguesa o pau quebrou feio em decorrência das grandes divergências políticas.
Em 1992 participei da Eco 92, mas eu e Antonio Krisna passamos mais tempo nos divertindo na tenda dos gringos perguntado onde podia se comer mico leão dourado na brasa, que fazendo coisas sérias. Só quando fui arrastado pelo cacique Raoni e o Pagé Paiakan pra o encontro de povos indígenas na oca em Jacarepaguá que ouvi uma diversidade de línguas tentando prestar atenção e levar a serio. O que mais me encafifou foi ouvir indios japoneses.

Depois foi no Forum Mundial de Porto Alegre. O portoalegrês é tão difícil quanto o cearês mas dava pra entender. Não tive muito contato com gringos de verdade, fora os gaúchos.
Passei mais tempo com mães e famílias de vitima de violência do Rio.
Embora falássemos o mesmo dialeto favelês, foi ai que percebi o quanto falávamos línguas diferentes, divergentes, e o que tínhamos em comum éramos ser favelados e vitimas de violência. Cinco dias de convivência com mais de quarenta faveladas e favelados  de diversas favelas, no ônibus, no alojamento, no fórum ,fora o suficientes para acabar com qualquer romantismo ingênuo quanto a unidade entre mães de vitimas de violência, a idéia de que só por serem mães de vitimas de violência, são heroínas e santas.

São só criaturas humanas martirizadas e sofridas. Em acari aprendi a conviver e atender mães que tem os filhos assassinados por policiais incentivados por governantes e políticos de direita mas que fazem campanha pra elege-los em troca de 50 reais por semana como cabos eleitorais. Aprendi a conviver com mães que dizem que não importaria se seus filhos fossem bandidos. E mesmo sabendo que foram executados friamente não faria nada pra punir os assassinos de seus filhos.
Talvez se eu falasse inglês ou mesmo espanhol teria mais dialogo com os participantes da plataforma já que com execeção de um trans curda que não falava nem árabe, todas as pessoas falavam inglês ou ao menos espanhol.

Não sei vou voltar a uma outro plataforma da frontline. Talvez outros defensores ameaçados vão.

Mas acho que  a plataforma bienal  da frontiline é o único lugar do mundo em que pessoas das diversas etnias, nacionalidades, posições políticas, religiosas, que tem em comum terem a vida em em risco por defenderem o direito humanos a vida podem se encontrar, se solidarizar, se fortalecer, se acumpliciar através da gentileza, do amor mutuo individual e coletivo, compartilhar da experiência singular de quanto mais temos a vida em risco mais temos vontade de viver, de permanecer vivos e vivas, ao menos pra nos encontrar de novo em Dublin, a capital mundial das defensoras e defensores de dos direitos humanos no planeta, e constatarmos que cada um ainda esta viva e vivo, que ainda temos a vida e a vontade de não nos deixar matar, de termos a vida de cada um e de todas e todos pra compartilhas pelo menos uma vez a cada dois anos.

E nos agarrar a esperança de novos encontros futuros já que ter esperança é ter saudade do futuro. Assim como a saudade do encontro passado é como ter esperança do passado.
Por isso, enquanto temos saudade como esperança do passado e esperança como saudade do futuro, AINDA TEMOS DUBLIN!


VÊ SE FICA VIVO,TÁ?

Deixo a chave com a dona da kitinete e caminho até a praia para o ponto das vans que vão pra Irajá. Enquanto a van não chega fico vendo a estátua de Yemanjá erguida num rochedo no meio do mar que o pastor joani rip palharin culpa pela poluição da praia de Sepetiba.

A van chega, entro e antes de chegar em Santa Cruz já estou cuxilando.
Acordo já quase em honorio Gurgel. Já na ponte Coelho Neto ouço foguetório. Ligo pra minha escuta e ela confirma, caveirão do 41º bpm invade a favela. Salto no ponto do IAPC e encontro S. uma das mais antigas e maravilhosas professoras do Ciep Adão Pereira Nunes. Ganho um grande e carinhoso abraço e um parabéns atrasado. Falo que tem policia na favela . Ela dá um suspiro desconsolado e enfadado que já deu milhares de vezes nos mais ou menos 20 anos em que trabalha no ciep quando há operações policiais.Nos dois últimos anos duas alunas de sua escola foram baleadas durante operações policiais.

Vou na banca de jornais do IAPC e compro os três principais jornais da cidade: o globo, o dia e o extra. os três dão destaque a três negros por diversas razões: Naldo Benni por ter agredido a mulher, Rogério 157 por ter sido preso e Vinicius JR. por se a esperança da urubuzada de ser campeã da sulamericana.

Sento num banco, dou uma folheada no jornais vou pro ponto das vans e pego uma de volta pra Sepetiba cumprir meu protocolo de segurança.

Ligo o rádio do celular ponho o fone no ouvido e vou ouvindo Males Davis e choro. Deixo vento na janela bater em meus olhos para os outros passageiros não verem que estou chorando, as lagrimas descendo... se alguém perguntar digo que é cisco que o vento pôs nos meus olhos e grudou na catarata.
Vê se fica viva,ta? É o que um penso calado e forma de oração cada vez que sei que das uma meninas do JG, da Anistia, do Coletivo Fala Acari, que a Ivi da Frontline vão em missão pra um território de risco de conflito. Quando tenho que ir em casa e vejo minha irmã e volto deixando ela lá.
Vê se fica viva foi o primeiro titulo pensado para esse livro. Que na verdade seria vê se fica vivo,ta? Ouvi isso de uma menina negra em Acari quando seu namorado passou  armado nós fazendo a escolta um chefe do trafico  de Acari.
Vê se fica vivo, é um pensamento e forma e oração de cada mulher que tem um homem na sua vida na favela, seja marido, filho irmão, pai que sai pra trabalhar dentro ou fora da favela.
Como cada vez mais  mulheres tem sido mortas ou baleadas dentro da favela ou quando saem pra fazer alguma coisa... trabalhar, ir pra escola, ir pro baile, Vê Fica Viva,ta? É um pensamento oração de mulheres e homens da suas vidas.
E é o pensamento oração de famílias de pessoas como Suely que não mora na favela, mas vem aqui trabalhar, dar aula... e passa maior parte do dia aqui, vivendo os mesmos risco que nós as favela. Mais tempo até que com as famílias em casa.

BOPE S.A. MUITO MAIS SÉRIO DO QUE SE PENSA!

Tem gente indignada na time line por causa do curso de verão off bope da pela organização para militar do Major Bráz.

Major brás é o mesmo, aquele porta voz de pm que portando a voz da pm justificou que, se há 20 pms que só eles, num contigente de cerca de 45 mil soldados, tem 370  poucos auto-de-resistência é porque há mercado pra eles.

Elementar, não Major Brás: se há mercado, porque não oferecer cursinhos a quem estiver interessado/a num lucrativo e promissor mercado da segurança privada militarizada? Venha voce e traga sua familia, viver e aprender a emocionante aventura de ser um caveira e ainda ganhar um dinheiro com isso. Afinal só o Estados Unidos tem cerca de 60 empresas mercenárias que contratam 20% dos militares no mundo árabe.

No Brasil, enquanto as forças armadas, as pms de todos os 27 estados não tem mais de 950 mil homens, a segurança privada tem 2.5 milhões.

Mas gente que é militante de esquerda, meno e mais radical, não basta só demonstrar indignação na time line. O BOPE .S.A. do Major Brás não divulgou todo conteúdo do curso, mas com certeza sua alunada vai aprender como reprimir protestos, identificar favelados terroristas,

Num tá na hora da gente levantar as orêias, como faz todo jégue inteligente é preparar nosso coice auto-defesa prévia?

6 de Dezembro de 2017 ·

EXÉRCITO REVISTA MULHER EM PÚBLICO E BEBE CHORA DE TERROR NO CARINHO. AGORA ME DIGA: QUAL O TAMANHO DA SUA DIGNIDADE QUE EU TE DIGO O TAMANHO DA SUA HUMANIDADE...
Aos 63 anos eu já vivi e ví quase de tudo ness vida.
Mas não me lembro de ter visto algo que me revoltasse e mexesse mais com a minha dignidade que a grande fotografia de quase meia pagina no Globo de hoje. uma jovem negra sendo revistada e apalpada na linha da cintura por soldado das forças armadas em praça pública. Atrás, uma menina negra, menor de idade, porque botaram um cristal, nos seus olhos aguarda pra ser possivelmente revista também. no chão dentro de um carrinho, um bebe negro, não deve ter mais de dois anos, chora aterrorizado.
O que esse bebe vai pensar pra sempre da policia,das forças armadas não sei, espero que pense e odeie da forma mais forte possível da mesma força e forma que ama e teme a mulher que ve sendo constrangida e esculachada.
Gente: qual o tamanho da minha da sua da nossa dignidade? ela mede o tamanho da minha, da sua, da nossa humanidade!
E não temos o direito de nos dizer dignos e humanos se nos calarmos, não fazermos nada diante de tão cruel e sinistra indignidade e desumanidade.
Essa, moça, jovem negra, simples moradora da CDD, tem todo direito de deixar pra lá, ficar com medo de correr atrás pelo constrangimento e vexame publico que sofreu, pode até achar normal, ou não achar normal e temer represaria

É UMA MULHR NEGRA,GENTE,E UM BEBE NEGRO,PORRA!
O QUE QUE NÓS PALADINOS E PALADINOS DA DEMOCRACIA, DA JUSTIÇA E DOS DIREITOS HUMANOS VAMOS FAZER? PORQUE VAMOS FAZERRRR.NÉ?.
 
NÃO ABRAÇO NEM AFAGO A MARÉ PORQUE...

Quando sem tem uma pessoa, um povo, um lugar amado e querido dentro de nosso coração nosso próprio coração já os abraça e afaga sem que você precise abrir e fechar os braços amolengar e os dedos pra o cafuné do afago.
MARÉ EU AMO MUITÃO!https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f20/1/16/1f61c.png😜https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f20/1/16/1f61c.png😜
MAS DUDA NÃO FOI A PRIMEIRA MENINA NEGRA FAVELADA MORTA COM UMA BOLA NAS MÃOS E NOS SONHOS...
É preciso no entanto dar destaque especial a morte da menina negra Duda, de treze anos, mesma idade do Jeremias enquanto treinava na quadra da Escola Daniel Piza em Acari. Duda era ótima praticante de varias modalidades esportivas, com varia medalhas conquistadas e se preparava para participar de mais uma competição da basquete.
Paradoxalmente a medida que as meninas de favela vão conquistando mais tempo e espaço nas áreas ao ar livre das favelas, diminuindo a hegemonia masculina que dominam os campos e quadras das favelas, também vão expondo mais aos riscos de praticar esportes nas favelas, seja por lazer seja por sonho de se tornar uma atleta profissional.
Pode-se argumentar que a construção  de equipamentos esportivos fechados solucionariam o problema principalmente se fossem blindados com a super argamassa que o prefeito Crivela prometeu e nunca cumpriu.

Mas o problema é que pode-se blindar escolas, creches, postos de saúde, centros culturais esportivos polivalentes mas não se pode blindar as ruas becos e vielas por onde as pessoas circulam pra ir pro trabalho, pra escola, pra os centros culturais.
As ruas, praças, becos e viela das favelas são mais da policia e dos meninos do tráfico, que também são moradores que dos moradores, principalmente das crianças e adolescentes.
Pode mais na favela hoje quem porta um fuzil e veste um colete a prova de balas, seja policia ou bandido,e não quem porta um berimbau, veste uma calça de algodão ou porta uma bola e veste uma camisa de futebol.
Vive-se mais com um fuzil nas mãos e um colete a prova de balas, seja bandido ou policia,
Morre mais quem porta um berimbau e uma calça de algodão e traz na cintura um cordel de mestre ou aluno, morre mais quem porta um apito de um cronometro de treinador comunitário nas mãos ou uma bola e uma camisa de treino de aluno ou aluna de projetos de esportes nas favelas.
Assina esta postagem: deley de acari, poeta, animador social cultural e desportivo que atua há trinta anos no território em constante conflito armado que é a Favela de Acari.

OBSERVATÓRIO DAS ESCOLAS FECHADAS EM ÁRA DE CONFLITO CAUSADO INTERVENÇÃO DE AGENTES DE SEGURANÇA... RÁPIDO:
Primeira semana de aula. Dá alguém em cada complexo de favelas ir monitorando cada dia sem aula causado por intervenção de agentes de segurança, estadual ou federal. E acompanhar junto a pais e professores os danos causados ao rendimento escolar das crianças e a nível de trabalho das educadoras, tanto em creches quanto nas escolas estaduais e municipais.
Parece que o prefeito acaba de fazer um acordo vantajoso com a associação de creches conveniadas, mais grana parece.
Como é dever do estado garantir escola de qualidade para a estudantada e um  outro nível de estado vive causado danos a essa qualidade, cabe aos pais, alunos, professores, processar o estado que causa os danos e o estado que deveria propiciar esse ensino de qualidade não o faz ou se omite. no caso do estado, que oferece universidade e escola de segundo graus publica e ele mesmo causa danos a qualidade do próprio ensino que ele oferece, pior ainda. acho que nesses casos todos, cabe inclusive habeas corpus preventivo. fala ai Zaccone, mano véio, você que é da área.

JEREMIAS NÃO É O PRIMEIRO, NEM SERÁ O ULTIMO MENINO MORTO COM A BOLA NOS PÉS, OU NOS SONHOS...
A mãe do Jeremias disse que ele foi baleado quando estava jogando bola. A bola, hoje em dia, é a ferramenta que da forma aos sonhos de todo menino negro de favela na idade dele, 13 anos.
Ele não foi o primeiro nem o ultimo menino negro de favela a ser baleado e morto em meio a uma operação policial. Na própria Maré, o pequeno matheuzinho, era aluno de um projeto social e de uma escolinha de futebol.
Há uns três anos um menino, de 11 anos, acho, foi baleado e morto em meio a uma troca de tiros entre policia e assaltantes quando ia pro treino de futsal em Bangu, no Bangu AC.
Em 1995 em Acari, um menino de 15 anos promissor meia atacante da Escolinha do Botafogo foi morto por pms do 9bpm numa chacina.
Da  favela do Caju favela do Caju um grupo de mulheres mães e uma irmã, Beth do Caju, começaram a participar da Rede, inclusive foram ao Forum Mundial de Porto Alegre em 2005. Beth teve um irmão de 13 anos que criava como filho morto junto com outros rapazes Poe PMS.
Matheus da Baixa da Maré, tinha 9 anos, participava de projetos sociais da favela, sonhava em ser jogador de futebol. Uma manhã foi a escola e não houve aula. Voltou pra casa, pediu um real pra comprar pão, tomar café, depois jogar bola. Foi morto com um tiro no peito disparado por um policial que atirou pra matar um traficante desarmado, só com uma radinho na mão, que não lhe deu todo o dinheiro do arrego. Errou o alvo e acertou o menino que saia no portão.
Em 2004, Vitorugo, 9 anos brincava na rua, com o irmão Natan de 8 e um outro amiguinho. P2 do nono bpm atiraram num vigia da boca. Ferido na pernas, o rapaz estava imobilizado. Enquanto isso, Vitinho correu pra dentro de casa. Lembrou que o irmão e o coleguinha ainda estavam fora do portão. Voltou e jogou o irmão pra dentro. Foi atingido com um tiro pelas costas que projetou o coração pra fora do peito. O PM 2 o confundiu com um bandido e largou cinco tiros pra cima dele logo depois que vitinho ter conseguido jogar o irmão pra dentro do portão. O outro garoto ficou ferido e até hoje tem seqüelas.
Há cerca de três anos, dois irmãos alunos meu da escolinha de futebol que coordeno em Acari quase foram mortos depois da explosão de uma granada caseira, deixada perto de sua casa.
Há mais ou menos três anos, eu mesmo fiquei acuado com mais 36 meninos, entre os vão de uma arquibancada do campo de Acari, enquanto pms atiravam na nossa direção tentando acertar um vigia que passou correndo, desarmado só com o radinho na mão. Nossos corpos ficaram salpicados de estilhaços de cimento e marquinhas de sangue de pedrinhas que voavam do concreto e nos atingia com balas de chumbinho.



ACARI:QUERO MEUS TIROS DE VOLTA!

Estou numa favela de Angra dos Reis.
Ouvi muitos tiros bem próximo daqui por volta das 3 da manhã. Acordei assustado pensando que estava em Acari. Fui a janela mas fiquei com meso de abrir, puxei a cortina e ví as luzes do porto e da orla da praia embaçadas pelo vidro da janela.Não consegui dormir mais até agora. Vim bisbilhotar a net até clarear ir pra rodoviária e voltar pra Acari. 
Ontem uma vizinha que me empresta a kitinet, me disse que uma facção rival tá tentando tomar os morros que o TCP domina na Costa Verde, inclusive este. Ela acha que é questão de tempo, pode ser hoje, amanhã, mas vai ser.
Já tava mesmo pensando e voltar pra Acari, por causa da febre amarela que teve o primeiro caso aqui e eu ainda não me vacinei.
Por outro lado, pra ouvir tiroteios aqui e saber de jovens mortos, parece que já teve um pm, também...
Acari: quero os "meus" tiroteios de volta Parafraseando o velho poeta no exílio que um dia escreveu: as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá, eu penso: os 762 que aqui trovejam não trovejam como os de lá.
Além do mais ser Deley de Acari, numa favela prestes a dominada pelo CV pode não ser uma boa ideia. Mesmo sendo um Defenders e estando há 180 km do Acari do TCP.A
 
 · 
TIROS EM ACARI:LONGE DOS OUVIDOS, DENTRO DO CORAÇÃO!

Seis e meia da manhã. Estou há 180 km de distância e 2h30 de ônibus de Acari. Miles Davis rola no som tocando Concerto Para Arrejuez, arrumo algumas roupas na mochila, pra voltar pra favela, quando o telefone toca. É minha vizinha, dublê de guardiã. Já saiu? num vem não, muito tiros e fogos, os meninos correndo na rua, deve ser muita policia. peço pra ela bater na minha porta, ver se minha irmã já saiu pro médico. ela disse que viu minha irmã sair uns 20 minutos antes da policia chegar. Jogo a mochila na cama, deito e choro, abro janela e vejo a chuva fina lá fora, a praia lá embaixo, estou numa favela duma cidade da costa verde, esta deserta e o mar de um prata&chumbo,ainda esta meio escuro e o mar reflete as luzes do porto e das cabines dos navios cargueiros fundiados ao largo. Minha vizinha me liga novamente e pede pra eu escutar, tiro sequenciados de 762 e pistolas.
Bem aqui embaixo do nosso prédio. Assim que calmar vou ver se sua irmã tá no posto, dai te ligo. Só consigo dizer:valeu,dona... tá de boa!
Tiros em Acari: estou há 180 km e há 2h30 de Acari ... Tiros longe dos ouvidos, mas dentro do coração.
Moradores descem até a pracinha pra pegar a van pra descerem pro trabalho. Na parede, atrás da guarita uma inscrição: TCP, Todo Certo Prevalece.
Boto Miles pra tocar de novo, enxugo as lágrimas, saindo do facebook, ver o e-mail, se tem resposta de compas que defensores que conheci em Dublin, na Plataforma da FrontLine, saber se vão ao fórum das águas ou ao fórum social mundial.
Cumprindo meu protocolo emergencial de segurança, com a FrontLine, JG e Anistia a me proteger. Que Yemanjá proteja os moradores de Acari e principalmente minha irmã, mesmo ela sendo evangélica! Amém, aleluia... ODOYÁ!
 
2/2 · 
A GUERRA DE JULGMANN É RACISTA INSTUCIONAL E NEOLIBERAL...

Segundo o Globo, registros de "homicídio decorrente de intervenção policial"/auto de resistência, dão conta de 66 mortes em Janeiro de 2018, 48 são negras ou pardas, 4 brancas e 14 não tiveram a cor declarada.
Na matéria do globo, de hoje, em fim duas vozes que representam com legitimidade a CDD, Vivi Sales e Paulo Lins que assina um texto brilhante e doloroso. Ele não diz o que vou dizer com todas as letras  mas nos leva a entender o porque e pra que essa guerra toda. O Crime Mundial e brasileiro é neoliberal e racista, assim como o estado também o é.
Não tenho os dados sobre a morte de policiais civis e militares em confronto, os mortos em dias de folga, não valem, aqui, talvez não passe de dez. pensando neste mesmo período de janeiro de 2018. Infelizmente as autoridades não costumam divulgar a raça dos policiais mortos, não muito provavelmente a maioria são negros, pardos e quase tão jovens quanto 66 traficantes que seus companheiros de farda mataram.


O TRIBUNAL DO CRIME É RÁPIDO, EMBORA AS VEZES FALHE!
 Já ví muito marido acusado de agredir a mulher, arder num micro-ondas de pneu, depois o tribunal penal sumario do tráfico descobrir que foi engano, pedir desculpas a familia e até pagar o enterro.

Se for verdade que o PCC ofereceu, 50 mil pilas pela cabeça da moça que cometeu racismo contra a filha negra, então tá de boa, fechou a lista de crimes passiveis de serem punidos com a pena de morte pelo Tribunal Penal Sumário do Crime Organizado.

Ao estupro, traíção e "volta" na boca de fumo, se soma o crime de racismo.

Da parte que me toca como preto velho favelado estou sujeito a leis do tráfico e as leis do asfalto. De cada 100 compas com quem trabalho, milito e convivo, pelo menos 80 são mulheres, negras e, tem idade pra serem minhas filhas, e mesmo netas. Qualquer brincadeira politicamente incorreta, um toque no ombro...
Moro, vivo e milito em território TCP+ADA=TCA, de repente alguém pode me acusar de fechar com o CV(crime de traição) e os manos me chamarem pro desenrolo.
Dar a volta na boca... fora de questão.

Sobra estupro e racismo... se me acusarem e provarem que cometi uma tara ou racismo, esse é meu conselho: procurem a boca de fumo. Aqui não precisa de lei Maria da Penha, nem cadeia, ou saco preto e vala, ou múmia de fita adesiva e micro-ondas de pneu. Se bem que essa forma de punição esta em desuso há muito tempo em Acari.

A Justiça do Asfalto demora, mais acerta do que falha.
A Justiça da Favela é rápida, tanto acerta quanto falha.

No asfalto, a Justiça é sempre injusta porque demora, mesmo sendo feita.
Na favela a Justiça é vista sempre como justa porque rapida.

Ando olhando o Asfalto do meu lugarTerritório/Asfalto do Território/Favela.
Estou olhando o Caso Togun... Togun e as moças que o acusam, lá no asfalto onde estão, daqui da Favela.

Daqui não se escreve tarado com aspas.
Vou olhando e vendo e assuntando no que vou vendo e olhando.
Na favela não se olha nem se ve de cima do muro. Senão se toma tiro no coco tanto do lado dos pilas como do lado do bandidos.
Também não se olha nem se vê de trás do muro porque qualquer "balinha" de 7meiota travessa muro e parede como se fossem de papel.
Não sei onde deixei meu Michel Foucout que fala de biopoder, tribunal popular, produção da verdade...

Lí muito Foucout, quando "boiava" mais no asfalto que na favela.Agora ando relendo Foucout "boiando" mais na favela que no assfalto. Sei que Marcola e Marcinho VP andaram lendo Mao e Malcon x na cadeia. Desconfio que estão lendo Focout também. É só uma idéia, sem segundas intenções, só com a primeira mesmo: quem for visita-los delhes de presente Frantz Fannon, James Baldwin, Angela Davis...

Estão lendo Foucout também? É só uma idéia, sem segundas intenções, só com a primeira mesmo: quem for visita-los delhes de presente Frantz Fannon, James Baldwin, Angela Davis...

Como diz o povo do asfalto: vai empoderar os caras na cadeia, quem sabe até os emprenhe a mente. O povo preto vai ganhar com isso.

28 de Novembro de 2017 ·

ESSA PARADA DO PCC SE METER COM QUESTÃO RACIAL?

Uma organização que supostamente é liderada por um leitor e simpatizante de Mao  e malcon x deve o deveria ter muito mais a dizer do que por á prêmio a cabeça de uma racista virtual.

Papo reto: moro há 40 anos, milito, vivo, convivo numa favela que há mais de 40 anos e dominada por uma facção comercializadora de drogas de forma ilícita, que hoje é aliada ao pcc? conheci e conheço ex-frentes "frentes" do tráfico em acari, tão inteligentes quanto Marcola.

Custo a crer que reduziriam a questão do racismo a apenas um ato de vingança que vale 50 mil dolares sem ouvir a familia de menina, e principalmente os ativistas antiracistas.

Se querem fazer o certo mesmo do lado errado da vida, podem começar agora. Até porque a imensa maioria de traficantes das bases nas favelas e periferias, que vem sendo massacrados e genocidados pelo estado policial penal militar racista, são negros e índios.




NÃO TORÇO PRA URUBUSADA MAS TORÇO PRA MENOZADA PRETA FUTEBOL CLUB...

Deste que passei a trabalhar profissionalmente com escolinha de futebol, torço pela menózada preta dos clubes de futebol. Sei o quanto penam pra chegar a serem profissionais de um clube de futebol.


Sou fã de paulinhos, linkolns, vinicius jr, paulo vitor, xexes...
Não pelos pela-sacos como everton ribeiro, diego, muraralha, mas pela menorzada preta do urubu, torço que ele fique na libertadores.
26 de Novembro de 2017 ·

SOBRE A ONG FUTURO FELIZ...

Há varias coisas que se pode fazer com quase nenhum dinheiro. Depende da forma de gestão que se escolhe pra uma ong, O empreendedorismo, muito em voga, requer um bom dinheiro, gestão patronal. Um gestão auto-gestionada, com gestão coletiva, requer pouco dinheiro pra começar... alías, há pouca coisa rolando, no CCFF que só precisa de visibilidade para não parecer que a organização, esta totalmente parada, sem atividade: Rola oficina de artes marciais, rola escolinha de futebol, as 3ª, 5ª feiras e sábados, no sintético do amarelinho, já rolou um sarau de poesia, dia 24 de novembro vai haver uma reunião pra organizar um pré vestibular comunitário, dia 25 de Novembro, vai rolar a primeira aula de oficina de Fotografia Pega Visão, que começou 6ª feira passada, com um passeio ao Museu de Belas Artes, e a Caixa Cultural.

Tá pra começar uma Escolinha de Rugby Infantil Feminino...

O que a gente precisa é fazer um assembléia pra eleger uma nova diretoria, com sete ou oito pessoas, com Vanessa na presidência, pra regularizar juridicamente a entidade.

Um projeto de esporte social internacional em parceria com uma ong italiana que trabalha com crianças e jovens de origem não italiana e Roma,

O que se precisa é que haja pessoas que componha uma diretoria, não com intuito de tirar proveito pessoal e fazer dela um curral politico pras proximas eleições.

O que não falta sáo companheiras e companheiros de fora com disposição a chegar junto, não por caridade a pobres pretinho favelados pra não virarem bandidos e putas, mas por militância . Uma ou duas horas de disponibilidade por 15zena, ou mesmo por mês, como ação politica, valem mais que 20 horas por semana, remuneradas por trabalho profissional.
O importante pra mim é que organizações negras faveladas sejam comandandas por mulheres negras jovens ou não.

Deley De Acari ... Dublin para sempre.
Sempre tive preconceito com a Europa. Nunca foi meu sonho de viagem pra fora do País. Mas estar em Dublin, Irlanda, foi tudo de bom. Me disseram que a Irlanda e um pais diferente de tudo que há na Europa. Um dia desses vou voltar a Dublin, passar uma ou duas semanas de puro ócio, talvez num verão. Lá tem 10 mil brasileiros que vivem entre 450 e poucos mil dublinenses. Dublin eu te amo e a seu povo, vou voltar, se Yemanjá quiser! Como ela querrrr!!

SOBRE CORE EM ACARI...

Há pelo menos 3 ocorrências “estranhas da CORE em Acari...

Há pelo menos 3 ocorrências que seus policiais estão envolvidos, de forma mal esclarecida em Acari. Na verdade, uma delas esta bem clara,já que sou uma das testemunhas, a unica que se dispos, a ir na delegacia,depor.

Não depus nem contra nem a favor aos policiais ou as vitimas. Apenas disse a verdade.

Presenciei um policial da CORE,acompanhado de outros seis colegas, atirar pro chão proximo a uma menina de 9 anos, uma mulher que a acompanhava com outras cinco crianças,de volta da escola.
Ele não atirou em cima do grupo, atirou pro chão, pra assustar e gritou; sai da rua porra, que morrer?

A menina foi baleada toráx e na perna. Um das balas ricoxeteou no meio fio, e a atingiu. Felizmente, hoje passados,dois anos ela esta bem.

Na delegacia, tanto a menina quanto a mulher disseram que o policial atirou nelas pra matar. O policial e seus colegas entraram em contradição, alguns acusaram os traficantes, um deles, acusou o Águia,  helicóptero da mesma CORE de ter atirado. Outros acusaram os traficantes.

13 de Novembro de 2017 ·

NÃO DISSE QUE A POLICIA MENTE QUANDO MATA?

O Comando Militar do Leste acaba de desmentir a CORE sobre a Chacina do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo: General afirma que seus soldados só deram apoio, não atiraram em ninguém!

Não é de agora que os comandados do delegado Rodrigo Oliveira estão envolvidos e mortes em favelas e mentem.
Só em Acari, nos ultimos seis anos, são três ocorrências "sinistras". Eu sou testemunha de pelo menos uma!

Pra mídia, pra gente branca e de bem, do asfalto é mais facil acreditar na palavra de homens brancos, do asfalto também, forrados por uma carteira de policia e um fuzil e uma farda preta, do que na palavras de pretas e pretos pobre favelados.

Mas, agora: em quem a mídia essa gente branca e de bem vai crer na palavra: dos homens brancos, do asfalto também forrados por uma carteira de policia um fuzil e uma farda preta ou nas palavras de homens brancos, do asfalto também forrados de uma carteira de milico,, fuzil e farda camuflada das forças armadas?

Sei lá eu! Minha avó dizia: briga da jacu, iambu, não entra!

Eles que são brancos que se desentendam!

13 de Novembro de 2017 ·



 SE SABER QUE VAI MORRER DE MORTE A BALA TEM DE BOM...

Se saber que vai morrer de morte a bala e não de malária ou vício, e que a cada toque que recebe, esta mais próximo,tem de bom: Saber que vai morrer sedo dá uma vontade danada de viver cada dia, não como se fosse o ultimo, mas como se nunca tivesse vivido!

13 de Novembro de 2017 ·

PESQUISA DA JUSTIÇA GLOBAL 15 ANOS DEPOIS:

Numa pesquisa da ONG JUSTIÇA GLOBAL de 2003, há 15 anos, publicada na revista Caros Amigos, nº de Setembro de 2003, estado do nordeste do país, apresentavam zero mortes por 100 mil habitantes, por pms. Rio de Janeiro, Sampa e Espirito Santo lideravam a estatisticas. Hoje, estados nordestnos, como Alagoas, Ceara e Sergipe, que se encontravam zerados lideram a matança, e o Rio, por exemplo, parece que que não esta nem entre os seis mais genocidas.

O relatório, de 15 anos atrás, foi entregue a Relatora da ONU, para execuções sumárias, extrajudiciais, que esteve no Brasil em 2003.

Vendo superficialmente, os mais otimistas diriam que Rio, São Paulo, Bahia e Espírito Santo, deveriam se dar por felizes, mas na verdade, não é que o genocídio diminuiu, nos nossos estados, continuaram aumentando. A verdade é que parece que os jovens nordestinos "deixaram" de vir serem mortos no Sudeste, para serem assassinados, em seus próprios estados no nordeste, enquanto os jovens daqui continuam sendo assassinados em massa por aqui mesmo.

Em Dublin, na Irlanda, mês passado, tive com a Dra Agnes, atual Relatora da ONU Para Execuções Sumarias, e lhe fiz uma relato verbal sobre a situação das execuções sumárias, e lhe prometi um dossiê que mostrará a necessidade dela vir ao Brasil.

9 de Novembro de 2017 ·

DEFENSOR DE DIREITOS HUMANOS DE ACARI NUM EVENTO INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS, EM DUBLIN, IRLANDA NA EUROPA

Bom dia, moradoras e do Complexo de Acari:

Entre os dias 16 e 20 de Outubro, deste ano estive em Dublin, Capital da Irlanda, um pais da Europa, reunido com 106 defensores de direitos humanos de todo o mundo, autoridades internacionais de direitos humanos governamentais e não governamentais.
No evento Plataforma de Defensores de Direitos Humanos 2017 da Front Line Defenders, de Dublin, Irlanda

Durante os cinco dias de reuniões de trabalho, pude trocar experiências com companheiras e companheiros de países africanos, asiáticos e latinos americanos e tive a rara oportunidade de ter encontros e fazer relatos específicos sobre a situação de direitos humanos no Brasil, nas favelas e em especial nas favelas de Acari com as seguintes autoridades:
O Ministro das Relações Exteriores da União Europeia, a quem apresentamos a solicitação de o Brasil e o Estado do Rio de Janeiro seja punido não só moralmente, mas também com a perda de financiamentos internacionais enquanto não reduzirem a níveis bastante baixos as violações de direitos humanos e a matança da juventude e moradores das favelas.
Sr. Andrew Anderson,Secretario Executivo da Front Line Defenders, relatamos grave situação de ameaças e risco de morte que atinge os defensores de direitos humanos no Brasil, notadamente nas favelas do Rio, como Acari

Michel Forst, Relator da ONU-Nações Unidas para Defensores de Direitos Humanos, fizemos os mesmos relatos apresentado ao Sr. Andrew Anderson, e unir as organizações e defensores de direitos humanos brasileiros para pressionar o presidente Temer a recebe-lo num visita formal, e ao mesmo tempo fizemos um convite informal, em nome do movimento de direitos humanos brasileiro para que ele visite nosso pais e nossas favelas, mesmo que o governo brasileiro não convide.
Andrew Gilmor, Assistente para Direitos Humanos da ONU-Nações Unidas e, fizemos os mesmos relatos e convites.

Com a Sra. Agnes Callamard, Relatora Especial da ONU para Execuções Extra Judiciais, Sumarias ou Arbitrárias, formalizamos denuncia sobre os altos índices execuções sumarias ( homicídios decorrentes de intervenção policial) e autos de resistência forjados, nas favelas do Rio, em especial no Complexo de Acari e formulamos convite para que nos visite oportunamente para constatar pessoalmente a veracidade de nossas denuncias.

A todas essas altas autoridades de direitos humanos e para suas organizações nos comprometemos fazer um relatório bimestral da situação de direitos humanos na favelas do Rio, e em especial no Complexo de Acari.
Por fim quero agradecer as companheiras integrantes do Coletivo Fala Acari pela honra e a confiança de me permitir representar nossa organização em um fórum de tamanha importância como é a Plataforma de Defensores de Direitos Humanos da Front Line Defenders.
Em especial quero agradecer a Front Line Defenders e suas e seus integrantes pelo convite e pela atenção e acolhida e proteção que propiciaram a mim e a todas e todos defensores de direitos humanos em situação de risco, a ONG Justiça Global e ao Escritório da Anistia Internacional no Brasil, as quais sem o apoio político, moral material e financeiro sequer eu conseguiria sair da favela de Acari.

E as companheiras e companheiros, mais de cem defensores e defensoras de direitos humanos de todo o mundo, com as quais pude trocar ricas, sofridas mais corajosas esperançosas experiências de vida e de luta e a certeza de somos importantes para nossos povos e nossas gentes e de voltaremos nos encontrar num futuro  próximo ainda mais fortalecidos por termos nos conhecido e convido por alguns dias e que estaremos vivos, mais felizes e salvos no nosso próximo encontro, seja onde for.

Também não posso esquecer de ser grato a esse pequeno e belo pais heróico e terno pais chamado Irlanda, e ao povo de sua capital, a linda, mágica e carinhosa Dublin, não só por isso, mas se apresentar como oportunidade de vida mais feliz e mais próspera ao mais de mil brasileiros que escolheram esse pequeno e incrível pais pra viveram uma vida melhor que nosso pais, o Brasil, não foi capaz de lhes proporcionar.

Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2017

Vanderley da Cunha,

1982: O ANO EM QUE A POETADA NEGRA ASSUMIU TEORIZAR SUAS FAZENÇAS.

Não tenho nenhuma vontade de, pleo menos agora, talvez nem depois, entrar nessa "treta" sobre as declarações de professora adriana facina.

Estou no pique da chegada de 2017. Quando ele chegar estaremos comemorando 30 Anos do 3º e  penultimo, sim porque ainda faremos mais, 3º Encontro de Poetas e Ficcionistas Negros, Realizado e Petropolis, em 1987, que reuniu durante 3 dias, 59 poetas, escritores, e teoricos negros e negras.

Os 1º e 2º Encontros aconteceram num pique só, em 1985, primeiro e Sampa, depois no Rio.

A condição para participar dos encontros, além de mandar pelo menos 10 paginas de poesias, ou uma obra de ficção era, apresentar um texto teorico sobre poesia ou arte literária negra.

Os dois coletivos de poetas que prmoveram os encontros, foram o Quilombhoje de Sampa, que desde, 1979 já publicava de forma independente, os Cadernos Negros, e o Negricia, Poesia e Arte de Crioulo, do Rio, formado por poetas que já tinham uma militância no movimento negro, no teatro, e no ativismo cultural suburbano e nos cartuns negros.

O que levou os poetas e ficcionistas negros porem como condição pra participação nos encontros, a apresentação de texto teóricos, além das obras literárias?

No ano de 1982, escritores negros do Rio e Sampa, participaram de um Encontro Nestrê de Literatura, componsto varias mesmas.

Numa dela, uma pesquisadora, a professora Zilá Bern, apresentou um texto que desagradou os escritores negros. houve um intenso mas respeitoso debate.

Mas ao voltar pras seus lugares, seus estados os escritores e escritoras, resolveram dai em diante serem teóricos e críticos de suas próprias fazenças poéticas e literárias.

a Lan vai fechar agora. amanhã continuo.

4 de Novembro de 2017 ·

O QUE VOCÊ, DEFENSOR DE DIREITOS HUMANOS FARIA SE UM AMIGO QUE VOCÊ ADORA COMETE FEMINICÍDIO, MATA A PAULADAS UM AMIGA QUE VOCÊ ADORA?

Eu estou me sentindo muito mal mentalmente  somatizando, deprimido, triste e me sentindo um fracassado de merda como defensor de direitos humanos e com muita vontade de largar essa porra toda e me enfiar no meio do mato, e nunca mais botar a cara. Não é esse fim de carreira de militante revolucionário e defensor de direitos humanos que eu queria pra pra mim.

4 de Novembro de 2017 ·

MINHA QUESTÃO COM A DRA LUISLINDA É...

Como juíza e desembargadora quantos negras e negros éla botou na cadeia? Bateu o martelo na cabeça deles, de forma justa ou injusta? Não só com ela, mas também com negros e negras, que chegaram ao status de juíz, promotor, desembargador. Se ela merece ganhar 60 mil ou não, é importante, mas pra mim, o mais importante é saber, o que um negro ou uma negra, que ocupa cargos de previlégios, fez dele, meio pra ajudar ou fuder negras e e negros, sem os previlégios que conseguiram, por mérito próprio ou não.

A principio, tenho um pé atrás, quase sempre os dois, mas sempre disposto a pular pra frente, com negras e negros de direita, filiados ou não a partidos de direita.

Se bem que conheço vários negros e negras de esquerda, filados a partidos, ou não, que tem posições de previlégio, na sociedade e vivem a sacanear, usar e oprimir negras e negros, sem as mesmas posições e sem seus previlégios de classe. Nunca é demais lembrar e relembrar Solano Trindade.

NEGROS

Negros que oprimem
negros
não são meus irmãos.

Negros
a serviço do capital
não são meus irmãos.

Somente os negros
oprimidos do mundo
são meus irmãos.

Para eles eu tenho
um poema maior
que o Rio Nilo.

4 de Novembro de 2017 ·

#SAPATÃO,NÃO!
GOSTO DA PALAVRA LÉSBICA!

Não gosto desta palavra, sapatão! Ela marcou minha infância construindo na minha cabeça e introgetando em mim preconceito contra mulheres que gostam de mulheres.

Refrões de marchinhas de carnaval como esse: 'Maria sapatão, sapatão, sapatão, de dia é maria, de noite é João." eu repetia, com amigas e amigos nos blocos de sujo.

Só comecei a superar me homofobismo contra mulheres quando acompanhei de perto varias irmãs negras, do Movimento Negro, dos anos 80, assumirem sua bissexualidade e homossexualidade, e ser solídário ativa e revolucionariamente a elas. Tenho orgulho de ter uma linda e adorável criaturinha humana na minha familia.

Sou fã da cantora Ana Carolina e achei lindo sua namorada Letícia Lima, ter tido a coragem de ser capa da revista do Globo de Domingo passado, mesmo diante de toda onda de homofobia que assola a nossa sociedade.

Simplesmente não consigo escrever a palavra sapatão nos meus textos, de poesia, crônicas ou qualquer outro. Escrevo lésbica.

3 de Novembro de 2017 ·

2ª PARTE:DE LUIZA MAHIN A MARIANA CRIOULA, PIONEIRISMO DAS MULHERES NEGRAS AFRICANAS E BRASILEIRAS COMO DEFENSORAS DE HUMANOS.

Manoel Congo, Pedro Dias, Vicente Moçambique, Antonio Magro, Justino Benguela, Belarmino, Miguel Crioulo, Canuto Moçambique, Afonso Angola, Adão Benguela, Mariana Crioula, Rita Crioula, Lourença Crioula, Joana Mafumbe, Josefa Angola e Emilia Angola.

As e os 16, dentre, os cerca de 500 escravos revoltosos do Quilombo de Manoel Congo, em Paty do Alferes em 1838, que foram levados a julgamento depois da revolta ter sido sufocada.

Dos 16 somente os homens foram punidos com chicotadas,50 por dia durante 3 meses, e Manoel Congo foi condenado a morte.

Embora se diga que as mulheres teriam sido perdoadas, na verdade embora não tenham sido punidas com castigos físicos foram mandadas de volta a senzala e ao trabalho pesado das lavouras de café, já a maioria eram mucamas, dormiam na casa grande e faziam apenas trabalhos domésticos. Além do mais, embora não haja registros, teriam também obrigadas a andar com gargantilhas de ferro, que era uma punição para escravos fugitivos e revoltosos.

Com relação as escravas rebeldes, fugitivas, era comum também ser aplicada como punição informal o estupro.

A primeira coisa que acho importante perceber que dos nove são africanos, como Manoel congo. Dados da época apontam que 70% dos escravizados eram africanos, principalmente trazidos da região das atuais Angola e Republíca do Congo, no Rio de Janeiro, principalmente na região da Grande Vassouras.

A segunda coisa: Desde o Quilombo dos Palmares, lá pelo ano de 1600, as principais rebeliões escravas foram lideradas por africanos, embora com a adesão de crioulos, escravos nascidos no Brasil.

Terceira coisa: Sobre Palmares há pouco registros da participação de mulheres . Mas há informações que dão como certo, que pelo menos uma aldeia, das 12 aldeias palmarinas que se espalhavam num raio de mais de cem kilometros era comandada por uma mulher. Palmares durou pelo menos 100 anos. Embora se registre como seu fim, 20 de Novembro de 1695, com a captura e morte de Zumbi, é certo que aina houve resistências até pelo menos 1707.

Voltando ao Quilombo de Manoel Congo: É notável a participação das mulheres africanas e crioulas/nascidas no Brasil.

O que se sabe é que, quase todas e todos homens e mulheres que lideraram a revoltam faziam parte de uma Sociedade Secreta Chamada Ebana. Algumas fontes de informação dão conta que essa sociedade secreta já exisitia entre os escravos  de origem banto, que eram maioria em Palmares, há mais de 120 anos antes.

Mas vamos a minha defesa de que as e o quilombolas de Paty do Alferes, estão entre os pioneiros da defesa de direitos humanos, no Rio, no Brasil.

Nem sempre revoltas escravas tinha como objetivo explicito romper com estado e implantar uma nação, uma republica independente como foram os casos, da Sabinada e da Revolta Malê.

A maioria das revoltas tinham a intenção de lutar contra os maus tratos, os castigos, os assassinatos. Claro que num dado momento, mesmo essas revoltas "reformistas" que podem ser enquadradas no que o prof. Florestan Fernandes chamava de "revolução dentro da ordem" poderiam ter evoluido para a "revolução para romper a ordem.' o que não exclui essas revoltas de serem também, em defesa dos direitos humanos, com muita semelhança a s lutas em defesa dos direitos humanos hoje, já que boa parte das e dos defensores de direitos humanos hoje, no Brasil e no Mundo, acreditam e lutam, por plenos direitos humanos no âmbito de uma sociedade capitalista, branca, patriarcal, racista, machista como a em que vivemos e que deve sua existência ao a exploração do trabalho escravo por quase 4 anos.

Pra não alongar muito a postagem, vou acrescentar alguns comentários, possivelmente não agora, talvez amanhã, de como se deu, pra mim, a defesa de direitos humanos, nas revoltas escravas do sec. 19 e que liçõs podemos tirar e aproveitar pra nossas lutas como defensoras e dfensores de direitos humanos, pra fortalece-las.
1 de Novembro de 2017 ·

DE LUIZA MAHIN A MARIANA CRIOULA, PIONEIRISMO DAS MULHERES NEGRAS AFRICANAS E BRASILEIRAS COMO DEFENSORAS DE DIREITOS HUMANOS.

Tenho convicção de os quilombolas de Paty do Alferes, no Rio de Janeiro e os revoltosos da Sabinada, na Bahia, estão entre os pioneiros da luta dos defensores dos direitos humanos no Brasil. Mais as força e a pujança dos dois movimentos que abalaram o Imperio brasileiro recem independente se devem ao protagonísmo de sete mulheres africanas e crioulas/ negras nascidas no Brasil.

Uma delas, africana, segundo relato de seu próprio filho, Luiza Mahin, embora haja evidências de sua ativa participação na Revolução Malê, 3 anos antes, em Salvador, com certeza teve participação ativa na Sabina, revolta que começou em 1837 e terminou em Março de 1838. Sendo essa revolta a unica que existe registro escrito sobre ela, numa carta escrita, por seu filho, Luiza Gama, a um amigo, em 1880.

Outra, mas corretamente outras, Mariana Crioula, e mais seis mulheres, 3 africanas e e duas crioulas como ela, foram protagonistas em igualdade com homens, africanos e crioulos, organizaram a revolta que ficou conhecida como Quilombo de Manoel Congo, no Rio de Janeiro.

Donde minha convicção de que ambos os movimentos eram antes de tudo, de defesa dos direitos humanos?
Embora a Revolta Male tivesse a intenção de romper com a ordem vigente e implantar um Estado Islâmico, e por sí mesmo, no seu cerne, a defesa radical dos direitos humanos, a Sabinada e o Quilombo de Manoel Congo tem umas coisas singulares, que se assemelham a luta dos direitos humanos nos dias de hoje, nas quais, nós, defensoras e defensores de direitos humanos estamos empenhadxs, no Brasil e no Mundo.

A Sabinada teve como motivação principal, a recusa de brasileiros, brancos, ao serviço militar obrigatório, exigido pelo império, para recrutar soldados pra sufocar a revolta dos farrapos, que ocorria no Sul, além de combater os previlégios dos portugueses a detrimento dos dos brasileiros.

Como a Sabinada começou em 1837 e terminou em 1838 é interessante e instigante as evidências de que Luiza Mahin, tenha participado das duas revoltas ao mesmo tempo, tendo que fugir, para não ser caputurada e presa, por causa da Sabinada, e não da Revolta Muçulmana, como sinaliz seu filho, Luiz Gama, que na sua carta, diz ter encontrado indícios da estada de Mahin, na Corte, ou seja, no Rio de Janeiro, metida com malungos desordeiros, ou seja ameaçadores da ordem vigente, e que por isso muito provavelmente teria sido presa, com eles e deportada, bem possivel e ironicamente para África.

Na segunda parte, vou me deter mais sobre o Quilombo de Manoel Congo, no Rio, o protagonismo das mulheres africanas e crioulas no mesmo, e de onde vem minha convicção de que seus protagonistas, independente dos rumos que tomou a revolta faz de seus participantes, em singular as mulheres pioneiras da luta pelos direitos humanos no Brasil. dos quais somos herdeiros, devemos nos orgulhar, refletir sobre suas lutas, festejar e dar a elas toda visibilidade possível, tanto em território brasileiro, mas também e cada canto do mundo, onde há defensoras e defensores de direitos humanos.

1838 foi o ano que africanos e negros escravos e livres, que brancos libertadores ameaçaram e abalaram o Império Brasileiro, recem independente e todo mundo colonial com a possibilidade de uma nova revolução haitiana. do lado de baixo da linha do equador.
2018 pode ser o ano, pelo menos, do começo de novos abalos, e não será possivel, sequer uma sacudidela, sem que as mulheres negras, e pobres das favelas e periferias,e das africanas, tenham o mesmo protagonismo que Luiza Mahin, Mariana Crioula, e as outras seis mulheres do Quilomdo de Paty, tiveram nos movimentos que lideram, e que embora, perdedores, no primeiro momento, ainda não perderam já que somos herdeiras e herdeiros e estamos dando continuidade as lutaas que apenas iniciaram.

Pera aí que daqui a pouco, ou amanhã, posto a segunda parte. Só um toque,véio: sou poeta e animador cultural e militante negro revolucionário. Esse não é um texto teorico ou acadêmico, não é negrologia, nem favelologia. É ARGUMENTO PARA LUTA.


TRISTES MEMÓRIAS DE UM “EX” DEFENSOR DE DIREITOS HUMANOS.
Nesta manhã de 18 de Maio de 2018, em fim me cai a fixa de que não sou mais defensor de direitos humanos. Se fosse estaria a esta hora no III Encontro Internacional de Mães e Familiares de Vitimas do Terrorismo e Estado.
No “movimento” você só é enquanto pode estar. Quando você não pode mais estar você deixa de ser. Ai a conclusão obvia é que na verdade você não foi porque estar é sempre precário.
Vendo a foto para posteridade das participantes do encontro hoje sedo pelo Francérgio meio veio a memória dois grandes e inesquecíveis momento que participei com centenas de mães de vitimas de violência fora do Rio nos últimos 13 anos: O Forum Social Mundial de Porto Alegre em 2005 e uma ato em Brasilia, pelo Desarmamento não me lembro bem a data.
Houve um tribunal popular em Sampa que acabei não perticipando porque PMS do 9º BPM havia saqueado minha casa e levando todos os meus documentos. Levei seis anos para recupera-los.
O mais “sinistro” é que desde que voltei de Dublin em Outubro de 2017 eu vinha me preparando espiritual, física e materialmente pra participar desse III Encontro.
Deixei de ir ao ato dos palestinos, ao Forum Mundial das Águas, ao Forum Social Mundial que também rolou em Salvador, pra ir a esse encontro.
Era uma boa oportunidade de rememorizar os dias passados em longas cansativas viagens de ônibus abençoado pelas lagrimas euforias risos piadas cervejal de mães como Marilene Lima, Téia, Vera Lucia Flores só pra lembrar das que não estão mais entre nós.
A “visão” afetiva dessas mulheres e desses momentos trás uma “saudade meiga” e uma tristeza cruel.


Saudade que fica amarga e tristeza que fica terror com a conclusão de que não podendo mais estar defensor de direitos humanos você não aparece nem é lembrando mais pelas mães e pela organização pra nenhum play list pra participar  de um evento como esse.
Se é lembrado é pra não sendo mais defensor de direitos humanos você nem precisa sequer se consultado se quer participar.
Estive no evento de 2 meses da execução da Marielle, no dia 14, na Cinelândia,pra participar do evento mas também pra saber como fazer pra ir. Perguntei a algumas companheiras quando iriam, ouvi um lacônico dia 14,  perguntaram se eu ia, disse que não já que ninguém havia me avisado de nada.
Outras compas disseram que a play list, já estava fechada. Quase me chateei mas me liguei logo que uma vez protegido por um protocolo de segurança de proteção a vida e inativo pra militância você deixa de ser ativista, pra ser paciente. Quem ta na ativa decide por você o que você pode fazer, o que você pode dizer.
Decide você, não estando mais, você não é. E não sendo você não precisa, você não faz falta, e, se insiste em ser em estar, você é demais, você é excesso.
Sai do ato da Marielle tomei uma água com um velho companheiro poeta, tomei um cana com limão, peguei meu ônibus direto da cidade pro meu cafofo de exílio e vim por duas horas e meia do Centro até aqui no meu lugar de abrigo, remoendo tristes memórias de ex defensor de direitos humanos que hoje, sou que me fizeram, que me deixei ser.
“o pensamento parece uma coisa a toa mas como é que a gente voa quando começa a pensar”.
Esse pensamento avoante me fez flynar até véspera do dia das mais de 1972: Minha mãe, eu e minha irmã morávamos numa kitinete no Bairro Centenário em Duque de Caxias. Ela trabalhava fora o dia todo, fiz café da tarde pra ela tomar quando chegasse do trabalho e fui jogar bola com campo do Centenário FC. Chegou cinco viaturas da PM dois ônibus lotaram os ônibus e nos levaram pra delegacia. Minha chegou pegou minha carteira de escola e foi me tirar. Um dos capitães tinha sido jogador do Esporte Clube Expressinho nos anos 60, do qual minha vó Guiomar era patriarca, tipo assim uma Eurico Miranda do Bem.
O capitão a reconheceu, lembrou que eu tinha sido mascote do time, e um promissor goleiro se crescesse mais que cresci. E me liberou dizendo pra minha mãe que eu estava só com uns arranhões, tinha levado uns tampinha na cara e tava fedendo um pouco a merda porque tinha mergulhado a cara num latão de merda.
Cheguei em casa tomei um banho, minha mãe passou metiolate, daquele que ardia pra burro, nas nódos das minhas mãos nas queimaduras de charuto do delegado.
No outro dia de manhã saiu cinco da manhã , antes de sair fez mil recomendações pra não ir mais ao campo de futebol.
Chegou a tarde, fiz o café dela e fui pro campo. Aos poucos foram chegando os libertados e sobreviventes da prisão em massa do dia anterior. Dos 78 presos, só 16 voltamos. Semanas depois ficamos sabendo outros foram rasgados de tiros de metralhadora e jogados no rio Sarapuí, com o ventre rasgado e com paralelepipídos enrolados nas tripas para não boiar. O mesmo que fizeram com o Paulinho irmão do Cy de Acari e muito provavelmente com os filhos das mães de Acari.
Se não fosse minha mãe me buscar naquele dia, e graças a popularidade de minha avó Guiomar, não tive como sepultura o lodo do rio sarapui o mesmo Rio onde pescava rã e aprendi a nadar.
Seis anos depois, já com 22 anos minha mãe me tirou da boate da Barão de Mesquita, não por ter sido preso pelo exercito jogando bola, mas por estar fazendo teatro de comunista preto e favelado.
Se minha mãe fosse viva teria feito 85 anos no dia 6 de Fevereiro passado. E considerando os cuidados que ela tinha em Acari com os “meninos’ que eram mortos ou torturados pela policia, e sendo minha mãe, seria e agiria como uma mãe de vitima de violência, sobrevivente, mas vitima!
Quem sabe até ela não estaria lá no III Encontro Internacional de Mães e Familiares de Vitimas de Terrorismo de Estado.
O pessoal lá ia gostar dela: era analfabeta, muito inteligente, gostava de contar piada e histórias da roça, e imitava Angela Maria e Mirian Makeba muito bem.
E Mãe de Vitima, embora sobrevivente, de Terrorismo de Estado... e ex defensor de direitos humanos... Eu!
Ampliação do texto em 24/05/2018.
Volto a esse texto depois da polemica que o mesmo gerou no facebook com um questionamento de uma das mães de vitima de violência lá Deizeca ... volto a pensar em Dublin, na diversidade de pessoas, nacionalidades, etnias, classe sociais, religiões presentes na plataforma de 2017.
Ainda conservo na mente e no coração uma visão romântica sobre a primeira cidade européia que me recebeu, da frontline e das mais de um centena de defensores de direitos humanos ali presentes. Ter certeza que a visão romântica sobre Dublin e sobre a Frontline não só não diminuirão como aumentarão a medida que o tempo a  proximidade vão acontecendo.
A visão romântica com relação aos participantes não tenho tanta certeza. Como só falo português a visão romântica se conservou durante a plataforma por diversas razões.
A principal por sermos todas e todos ali de alguma forma gente que tem em comum a defesa de direitos humanos...
Encontrei Patricia, depois do encontro. Fiquei sabendo que ninguém quis ir de Onibus. Muito ruim. Pra mim o melhor desses encontros sempre foram a ida e volta de ônibus com essas mulheres.  


Querido Badee,
Estivemos em Dublin participando da Plataforma da Frontiline se lembra. Estou escrevendo esta carta aberta a você e ao povo palestino pra lamentar a morte de jovem enfermeira Razan, assassinada covardemente, no dia 1º de Junho quando socorria feridos do massacre que as tropas sionistas vem promovendo em Gaza. A triste coincidência é que quando recebi a noticia de sua morte estava justamente escrevendo uma postagem pra lembrar os quatorze  meses do assassinato de menina negra de 13 anos, Maria Eduarda, na quadra de esportes da sua escola, na favela da pedreira aqui em Acari. Duda praticava esportes, ganhou varias medalhas como atleta.
No dia 30 de Março de 2017 estava treinando com colegas na quadra quando dois policiais atiram dezenas de vezes em dois supostos traficantes que estavam perto do muro da escola. Quatro tiros atingiram Duda, que morreu na hora.
Pretensamente a morte de Duda foi acidental. Mas não é acidental quando militares armados atiram na direção de uma multidão ou um grupo de pessoas para balear alguém sem se importar com que vai ser atingido.
Faz uns 10 anos mais ou menos li um informe da Anistia Internacional de Portugal sobre meninas palestinas, da mesma idade de Duda que são baleadas a tiros de fuzil quando passam próximas ao muro do aphataid sionista pela simples suspeita de que carregam bombas em suas mochilas ao em vez de livros cadernos, canetas...
Com certeza o sniper que baleado e matou a jovem enfermeira foi instrutor dos militares brasileiros que vão treinar com as forças armadas israelenses em Tel Aviv.
Portanto são cúmplices do mesmo feminicidio ,ambos matadores de Razan, Duda e dezenas de mulheres e meninas que estão sendo mortas na Palestina e nas favelas do Brasil.
Muito provavelmente, nesta segunda feira vários grupos no Brasil estarão se solidarizando a vocês na palestina e protestando contra a morte de Razan.
Fique vivo querido, espero um dia voltar a ve-lo de novo.


Querida Fatouma Hárper,

Passaram-se mais de seis meses de nossa estada na Plataforma da Frontline Dublin e é bem possível eu você não se lembre de mim. Mas eu me lembro de você toda vez que ouço meu cd de Salif Keita.
Hoje me lembrei de você por causas da repercussão que teve o ato heróico de seu compatriota Mamoudou Gassama, migrante em Paris, que salvou uma criança de cair do quarto andar de um prédio. A historia dele e de seus irmãos ganharam as primeiras paginas dos grandes jornais brasileiros e dos horários de maior audiência das rádios e TVs.
Um conhecida jornalista, Ruth de Aquino publicou um artigo no jornal de maior circulação lido pela classe média e pela burguesia do Rio de Janeiro chamando Mamoudou de Herói do Mali. No final do artigo, no ultimo parágrafo ela referindo ao racismo europeu, que se gaba de ser o eu e pergunta: quem são os outros?
Eu respondo a D. Ruth e ao mesmo tempo me dirigindo a você e a todos e todos malineses que possam talvez ler essa postagem: Os outros são vocês, nós é que somos o eu, muitos eus que juntos somos nós.
Tenho vários amigos negros brasileiros migrados para Europa. Que eu conheça, pelo menos dois em Paris. Um deles o repper Wesley Delírio Black. E uma amiga branca, também. Amanda Dias, Manduquinha mineirinha que amo muito que escreveu uma tese de doutorado dobre uma favela palestina no Libano e Acari.
Já disse algumas vezes para eles, e a Europa não faz favor nenhum, nem um gesto de humanidade receber, acolher e cuidar bem de refugiados afrolatinos , ameríndios e africanos em seu território.  Principalmente países como França, Espanha, Portugal, Espanha e Inglaterra.
Quando um africano, afrolatino chega a Europa em busca de vida melhor, mesmo que não tenha consciência disso, esta fazendo nada mais que desfrutar dos bens e riquezas pilhados durante séculos de escravidão as terras que os europeus chamam de novo mundo.
Durante quatro séculos quase dez milhões de criaturas humanas foram seqüestradas do seio dos mais diversos povos africanos para trabalharem como mão de obra forçada nas Américas.
Portanto tanto o africano como o afrolatino tem direito a emigrar para Europa, quando quiser, como quiser, sozinho ou com a famílias, e desfrutar dos mesmos direitos aos bens materiais e imatariais produzidos e acumulados durante séculos na Europa, da mesma forma que o europeu de nascença, pobre, trabalhador.
Mesmo estes, no mínimo que seja, desfrutam e se previlegiam de tais bens, e  portanto devem compartilhar o pouco que tal previlégio lhe confere.
Estivemos juntos em Dublin, como defensores de direitos humanos. É pouco provável que possamos nos encontrar um dia em Bamako ou no Rio para nos abraçar e conversar e nos fortalecer mutuamente em nossas lutas.
Mas ainda temos Dublin. Quem sabe possamos nos encontrar outra vez e ter mais tempo de nos falar, mesmo que com a ajuda de uma interprete que tenha carinho e sensibilidade pra entender nossas emoções... quem sabe  Ívi?
Por enquanto o que posso pedir a Deus que lhe proteja sempre e a mantenha viva. Vê se fica viva querida Fatouma, não se deixe matar.
Há uns 40 anos atrás, com certeza você ainda não era nascida, ganhei uma coletânea de textos de autores angolanos mimeografados. Um dos poemas, longo, triste e belo, é uma carta-poema de um contratado a sua amada. Contratado eram, ou são ainda, aqueles homens que são obrigados a abandonar sua aldeia para buscar trabalho longe, fica muitos anos, e na maioria das vezes não voltam. O que tem de especial na carta é que na verdade ela é um lamento de um homem saudoso de casa que quer escrever a sua amada, mas não sabe ler e, tristeza maior, ela também não sabe ler.
Não posso imaginar a dor e o sofrimento de tantas mulheres malinesas como você e africanas que sofrem com seus homens fora, sem saber se atravessaram vivos o mar mediterrâneo, se estão bem, na Europa.
Em Acari há muitos homens, famílias inteiras que saíram do nordeste e vieram para sul  do pais em condições semelhantes.
Neste momento, aqui no Brasil, estou fora da minha favela, cumprindo um protocolo de proteção  a minha vida, pois as ameaças por parte dos meus algozes se tornaram mais frequentes desde que voltei de Dublin, e principalmente depois de execução da companheira negra e favelada Marielle Franco, vereadora e ativista de direitos humanos em Março de deste ano.
Graças  as ajudas emergências temporárias e frontiline, tenho conseguido me manter vivo, num auto-exilio forçado, há 80 km da minha favela.
Estou fazendo tudo pra não deixar me matar. Estou fazendo tudo pra continuar vivo, pra ficar vivo, embora a cada dia pareça mais difícil.
Enquanto estiver vivo, não estando em Acari, mas com Acari dentro de mim. Enquanto estiver vivo, tenho acari e também tenho Dublin.
Nós temos Dublin, querida Fatouma, que sabe ainda nos vemos por lá, e possamos ouvir salif keita juntos e falarmos do grande império do Mali, fundando por Sundiata Keita, lá pelos anos mil e duzentos, tempos que na áfrica já haviam duas universidades, e a Europa sequer saíra das trevas da Idade Média.
Receba minhas emocionadas saudações nesta postagem publica que não sei se um dia você vai ler.
Aché, Amor Livre e Luta!
Deley de Acari, poeta, animador cultural
E militante afrocomunista.




FIM