segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PORQUE WADIH DAMOUS? POR MAIS DIREITOS HUMANOS E MENOS POLICIA EM ACARI



  

     Acordo da costumeira “madorna” das tardes com a voz , no rádio,do Deputado Pedro Fernandes, numa propaganda eleitoral se vangloriando por ter conseguido a construção do Batalhão do CEASA, 41º BPM e outros seis mini-batalhões e, prometendo se for reeleito, mais policia.

O Complexo de Acari, há mais de 40 anos, é um tradicional curral eleitoral da Família Pedro Fernandes, e “Pedrinho”, como é conhecido o jovem deputado, tido como herdeiro político da família e com promissora carreira política pela frente.

Neste momento, há menos de uma semana para o dia das eleições, cerca de 60 cabos eleitorais, na sua maioria mulheres negras, da favela de Acari distribuem “santinhos” de Pedro Fernandes,em dobradinha com o dp. Federal Pedro Paulo, pelas ruas das favelas do Complexo de Acari, pra ganhar 80 Reais por semana, por 10 horas de trabalho diário Muitas dessas mulheres acarienses teve um filho, irmão ou companheiro morto, preso ou espancado por policiais do 41º BPM.

Muitas dessas mulheres já tiveram suas casas invadidas, sem mandato de juiz, e saqueada por policiais do 41º BPM. O mesmo 41º BPM pelo qual o Dep. Pedro Fernandes, se gaba de ter viabilizado a construção. Esse 41º BPM que, herdou do 9ºBPM, que até sua construção, policiava a área, o triste e macabro recorde de execução extra-judicial/execuções sumárias de supostos traficantes, e a suspeita de morte de pelo douze pessoas, dita “inocentes” em menos de dois anos, inclusive de mãe e filha, na Favela Quitandinha, em Costa Barros, e do produtor cultural João e do jovem trabalhador do CEASA,  Pedro, no mês de Julho passado,em Acari.

Melhor faria o Dp. Pedro Fernandes, que ao em vez, de prometer mais batalhões e mais policia, prometesse, senão fechar, ao menos exigir, do governo estadual ao qual apóia, uma investigação séria e rigorosa, sobre os crimes cometido pelo policiais do 41º BPM, do qual é um dos principais responsáveis pela construção e existência e portanto, responsável indireto, senão por omissão, dos crimes do 41º BPM que vem se revelando uma verdadeira “quadrilha fardada e armada”.

Felizmente, no Complexo de Acari, ao contrário de outros complexos de Favela, a campanha eleitoral, corre livre e sem nenhuma pressão ou repressão e com toda liberdade de expressão.

Por isso, como defensor de direitos humanos e militante comunitário de Acari, apoio os candidatos Toninho da Padaria, 65065, pra dep. Estadual e Wadih Damous, 1322 para dep. Federal.


Apoiar, Wadih e Toninho, pra mim tornou-se mais que participar de uma campanha eleitoral, mas um ato de protesto contra a política de militarização das cidades, de confronto extermínio pela policia, e contra a política de segurança pública baseada na UPPs, da qual o atual governo representado por Fernando Pezão, e a Familia Fernandes, principalmente a sua matriarca Vereadora Rosa Fernandes, candidata em potencial, a prefeita do Rio, em 2016, ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro,e também da Sessão Especial da ONU Sobre Politica Mundial de Drogas.


Vanderley da Cunha, 

Poeta, Animador Cultural
E Defensor de Direitos Humanos do Complexo de Acari.
Blog: deleydeacari.blogspot.com.br



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·         Vanderley Da Cunha Vanderley

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

WADIH DAMOUS, UM ULTIMO VOTO PELOS DIREITOS HUMANOS EM ACARI!






Desde que o Deputado Estadual do PSOL,  Marcelo Freixo, há duas três eleições consecutivas, vem renegando, confiança e a gratidão com os votos pelos direitos humanos e contra violência de estado, defensores de direitos humanos favelados, dos moradores do Complexo de Acari, principalmente das famílias de vitimas e sobreviventes, que essas pessoas não têm em quem votar.

Eu, pessoalmente, já havia decidido não votar, assumir a “campanha não vote: lute!”

Mas, entendo que é importante, para um militante negro e revolucionário socialista, perceber “momento histórico’ que o Brasil vive, e principalmente, como este “momento histórico” afeta a Favela, já que tudo que acontece, no mundo, no estado, na cidade afeta a favela. Pensando no que dizia Vinicius de Moraes:

“Ninguém é universal fora de seu quintal!”

Por isso, no “momento histórico” que vive as favelas do Complexo de Acari, em que se dá o  debate e o embate eleitoral para eleger, deputados, senadores governadores e presidente da República, no qual o candidato a deputado estadual Pedro Fernandes, reconhecido herdeiro político do curral eleitoral da Família Fernandes, pede os votos acarienses, afirmando que :



“Conseguiu a construção do Batalhão do CEASA ( 41º BPM) e a implantação de seis Mini-Batalhões, e tem o compromisso de criar Batalhões-Escola com o objetivo de manter o efetivo nesta região”


É inegável o fato de que o 41º BPM, só trouxe benefícios à “segurança pública” de empresários e da classe média, do “asfalto” de nossa região. Nas favelas, no entanto, sua construção, só aumentou a violação de direitos humanos, com a morte de moradores inocentes e a execução sumária de supostos meliantes, através do chamando “auto de resistência”.

Acho importante apresentar e apoiar a candidatura a deputado federal, de Wadih Damous, ex-presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, já que tenho certeza de que Acari, não precisa de mais policia e nem de batalhões-escola que ensine mais policias a violar os direitos humanos dos moradores de Favela.

Como Wadih Damous, entendo que as favelas, e Acari, precisam sim que seus direitos humanos básicos a uma saúde digna, cultura e de mais escolas que eduque nossas crianças e jovens para uma “segurança popular” contra a violência e para a Paz.


Mesmo não acreditando que qualquer dos partidos políticos que estão aí, como partidos, possa oferecer alguma alternativa confiável de governos para o povo das favelas, entendo que nos partidos de esquerda, ainda há políticos que merecem minha crença e minha confiança neles como pessoas e como militantes socialistas.

Por isso apesar de não crer mais no PT como alternativa de “esperança” e “bom futuro de paz” pras favelas, Wadih Damous, ainda merece minha crença e minha confiança, como amigo e companheiro de lutas libertadoras.

Tenho a certeza de que sua candidatura a deputado federal, em dobradinha com Toninho da Padaria, pra Deputado Estadual, é fortes aliados contra que representa os projetos de mais Policia e mais da atual “Política de Segurança Pública” da Família Fernandes, e do atual Grupo Político do Ex-Governador Sérgio Cabral.


Por isso eu, nesta ultima vez que me envolvo em “campanha eleitoral”, apoio: Wadih Damous, 1322, para Federal e Toninho da Padaria, 6065 para Estadual.

Deley de Acari,
Poeta, animador cultural, militante negro, líder comunitário e defensor de direitos humanos do Complexo de Acari, desde 1977.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

E AINDA TENHO MUITO A DIZER PARA E SOBRE ADRIANA FACINA.



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Ainda tenho muito a dizer para e sobre Adriana Facina. 
Mas por agora é isso:

Meu respeito admiração e a feição por ela continuam as mesmas, apesar dos não pesares.
Então,agora sobre afirmações dela no texto/desabafo publicado no livro ACARI CULTURAL. Vou comentar aqui só que se refere a mim pessoalmente. De principio é preciso que os futuros leitores do livro saibam que o tal Vice-coordenador do projeto a que ela se refere sou eu mesmo: Deley de Acari.
Sobre o projeto de funk com o Favo de Acari: Desde que me afastei do Centro Cultural Areal Livre, em 2003, nunca mais havia tido o controle sobre qualquer entidade com CNPJ em Acari. Por isso, por varias vezes, projetos de que participei, dependeram de entidades guarda-chuva.

Quando o projeto de funk foi elaborado por Adriana, a APAFUNK ainda não existia e a solução foi recorrer a escola de samba Favo de Acari.
Sabedores de a diretoria de escola de samba era toda enrolada com relação a finanças e prestação de contas, os lideres do “movimento funk acari” resolvemos por um compas, MC Liano, como responsável pelo projeto. Ao perceberem que não teriam controle sobre as contas do projeto, alguns diretores da escola de samba, atrasaram bastante a entrega de documentos da entidade inviabilizando o projeto.


Foi por conta dessa má experiência que 10 funkeiros de Acari, mais o Mano Teko, resolveram o ocupar o prédio onde onde funcionava, até 20 de Julho de 2010, Odpo de Acari. Iniciativa da qual, ao contrário do que Adriana esta informada, eu não participei e só soube dela no dia em que estavam grafitando meu nome no muro do prédio.
Tive sim um participação ativa, mas temporária, era o único não funkeiro do Coletivo, e discordei da maioria dos encaminhamentos por isso me afastei. Então; Nunca administrei o CCPR. Fiquei apenas como dinamizador do Cachasarau.



SOBRE SELEÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS:

Com relação a divulgação, boicotada segundo Adriana, da minha parte, convidei oito pessoas:Cinco universitárias que gostaram do projeto, mas ou estavam trabalhando ou fazendo estágio ganhando muito mais que os 300 Reais de bolsa do projeto de Mapeamento Cultural de Acari. Tres delas, com ecino médio,uma por coincidência encontrei a agora á pouco, mandaram currículo por er-mail, para Adriana, e até agora aguardam resposta.
O artista a que Adriana, se refere, não só não quis participar do projeto, como não fez nada, contra ou a favor, da divulgação,como não participou desde o inicio, não tinha como boicotar a divulgação. Ele era apenas uma das oito pessoas convidadas por mim. E tal como as outras três possoas foi avisado por mim da sua não aceitação no projeto.


Sobre a questão da divulgação é o que tenho a dizer. Acredito que o MC Pingo, o Mc Liano e o MC Teko, que também ficaram responsáveis pela divulgação, terão algo a dizer sobre a acusação de boitcote.
Sobre a informação dada pelo direitos da Associação de Moradores, de que na houve divulgação, crendo na boa fé dele, ao informar Adriana, o que tenho a dizer é que,tanto eu como Pingo e Liano, conhecemos bastante pessoas com o perfil, exigido para estagiário do projeto, que fomos de casa em casa, se precisar colar centenas de cartazes pela favela. Creio que a maioria não aceitou pelos motivos que já expus acima.



Não pedi pra ser vice-coordenador, na verdade, só tenho a 3ª primária e ganhar mais que estudantes universitários me constrangia.
Durante os tres meses que fiquei no projeto recebi, 600 Reais por mês. No total 1.800 Reais, destes empreguei 1.500 Reais n compr de material esportivo pra escolinha de futebol, que não tinha nenhum tipo de apoio.


COM RELAÇÃO AO PAPEL DE AGENTE DÚPLO:


Desde o inicio defendi o Mapeamento Cultural em Acari e continuo defendendo a importância dele para a comunidade. Me indispus pessoalmente com o artista a que Adriana se refere por causa do Projeto. Eu ele, somos amigos há mais 16 anos, realizamos alguns projetos juntos, discordamos politicamente em muitas coisas.
Temos tido vários arranca-rabos por causa dessa discordâncias. O arranca-rabo sobre o Mapeamento Cultural de Acari, talvez tenha sido o principal motivo do meu afastamento do CCPR. Depois de uma certa idade, a gente aprende que é melhor perder a razão do que perder a amizade. Já que em alguns casos 

Paulinho da Viola tem razão quando diz: “ Que a razão esta sempre com os dois lados.”
Quem fez com que Adriana “descobrisse” alguns meses depois, que detonava o projeto, ao mesmo tempo que o defendia da boca pra fora,interpretação minha, ou ouviu o galo cantar sem saber onde, ou usou de ma fé. Seja porque tenha agido assim, com certeza deve estar feliz por ter contribuído para acabar com uma bela amizade e relação de carinho e respeito entre mim e Adriana.


Com relação o suposto boicote a reunião de Adriana com Dona Isabel, mãe de santo: No dia que a reunião entre as duas foi marcada, foram marcados duas outras atividades: uma atividade de ação social no mesmo espaço em que aconteceria ao reunião sobre o Projeto de Lan Hause da Pamela, e houve uma jogo de futsal feminino, em Piedade, do time que eu e Tiaguinho, do Menores do Funk,éramos treinadores.

O tempo para a reunião portanto era pouco e a reunião com Dona Isabel muito importante: Dona Isabel estava muito chateada com o projeto do livro AS CORES DE ACARI, por não ter ganho um exemplar do livro. E não queria mais dar depoimento a ninguém de fora. Só aceitou a começar a conversar com Adriana, depois que soube que ela também é do Axé, apesar de ser professora universitária. 


Depois então, decidiria de daria depoimento ou não. tal encontro demandaria pelo menos umas quatro horas. Razão pela qual, como vice-coordenador, estando dentro de Acari,tomei a iniciativa de desmarcar a reunião, e aguardar uma nova data na agenda. Adriana se sentiu “ferida” na sua autoridade de chefe, sem levar em consideração que quem esta no “campo” é que sabem se é necessário ou não fazer mudanças diante de imprevistos.
Lamento ter sido acusado de gente duplo pro Adriana Facina. Tal acusação marcada pra sempre num livro, vindo de um pessoa que fez um apresentação tão carinhosa num folheto, do Tortura Nunca Mais, quando recebi a medalha Chico Mendes, é bem dolorosa.


Agente duplo, na época de ditadura militar, era dedo-duro, traidor, caguete. Fiquei dois dias preso no Doi-Codi, fui torturado pra dedurar colegas de teatro, mas não entreguei ninguém.


Agente duplo na favela e x9, verme.
Ficar num livro sobre cultura de Acari, como dedo-duro, traidor,caguete, x9,verme, fixado por um academica brilhante como Adriana, além de doloroso é imperdoável, pra mim mesmo.

COM RELAÇÃO A LISTA RESTRITA DO PROJETO E VAZEMENTO DE CONVERSAS NELA.

A lista tinha uma nove pessoas, entre os participantes de fora e de dentro de Acari. Quando li vários textos no facebook criticando Adriana, na maioria das vezes, deslegante e grosseiramente, escrito pelo artista comentei num e-mail com ela sobre a falta de ética do mesmo, até então amigo em comum, meu e dela.
Ela me acusou dizendo que falta de ética era eu ter passado a ele, coisas da lista restrita do mapeamento. De imediato disponibilizei a ela meu e-mail e minha senha no Yahoo para que ela verificasse ela mesma todas as minhas mensagens que naquele momento tinha mais de 700.


Esclareci a ela, que este amigo artista também tinha a minha senha já que foi ele quem me ajudou a abrir o e-mail no Yahoo há cerca de sete anos.
Além dele, e antes de Adriana, tiveram acesso a minha senha no Yahoo as seguintes pessoas: Mano Zeu, que me ajudou a fazer o Orcut, Claúdia do Funk Raiz e Maria Pupin, fotografa que me ajudou a postar varias fotos no Ourkut.


Só voltando, com relação ao projeto de Lan Hause, da Pamela: minha atrito com ela,se deu da minha parte, não pelo projeto em si, nem por ela, mas pelo seguinte motivo: o Coletivo do CCPR havia decidido a não trabalhar com qualquer projeto governamental,e Pamela sabia disso, estranhei que tivessem aceitado o projeto, e marcado uma reunião justamente no CPPR.
Fiquei indignado com essa contradição já que defendera varias vezes que o 

Coletivo, não só participasse de editais, como se legalisa-se tirando o CNPJ. Fui voto vencido varias vezes na proposta e de repente vejo, depois da minha saída, o Coletivo mudar de idéia.


COM RELAÇÃO A TV ESTRANGEIRA:


Colaboramos com companheiras e compas suecos que já haviam e vem nos ajudando há bem mais tempo da feitura do documentário. Uma filmagem que durou dois dias e já estava marcada há três meses.
Por um sobreposição de agenda o “cachasarau” em homenagem ao poeta hélio de Assis foi marcada no mesmo dia, como as filmagens foram feitas durante o dia, e o chachasarau só rolaria depois das 20h na haveria problemas. Estava mais ou menos acertado que a equipe de filmagem do “mapeamento cultural” apenas faria tomadas do sarau.


Quando cheguei o CCPR para organizar o sarau, os meninos do mapeamento já estam entrevistando hélio no 2º andar, com a câmera virada para onde fica uma vigia do tráfico, há 100 metros do prédio do CPPR . os homens armados a quem Adriana se refere foram no CPPR saber se tinha sido filmados e não acompanhar o suposto traficante “dono da favela”. Demorou um pouco para convence-los de que não e não virem a fita.


O suposto “dono da favela” era tão somente apenas, um dos traficantes mais antigos, mas não ocupava nenhum cargo de chefia, nem ocupa. Ele é uma das pessoas mais articuladas e inteligentes e por isso, foi escolhido e aceitou o convite para dar um depoimento, que durou quase duas horas, sobre sua vida, e não sobre a boca de fumo.


Todas as pessoas de fora de Acari, da equipe de mapeamento, como outras mais ou menos ligadas, por amizade a equipe, “cançaram” de ver os chefes do tráfico circular pela favela durante todo o tempo que durou o mapeamento, não me consta que tenha sofrido qualquer ameaça ou constrangimento. Muito pelo contrário, sempre souberam que o projeto de mapeamento vinha de contra-mão ao que “pesquisadores” vinham buscar em Acari. Que o projeto de mapeamento seria importante para divulgar uma boa imagem da favela.



Papo reto: Os atuais “donos da favela” de Acari, são pessoas com nível cultural bem acima da média, dos chefes do trafico no Rio, potencias “objetos de estudo” que qualquer pesquisador gostaria e ficaria tentado a estudar e “lançar” suas teses de mestrado e doutorado. São “malucos” gente boa e tenho orgulho disso, meus amigos pessoais, desde antes de serem traficantes.
Por serem gente boa e meu amigos é que já impedi varias vezes que virassem objetos de pesquisa e matérias especiais de jornais.


Da mesma maneira que ‘eles”fazem tudo o que podem para nos preservar, lideres comunitários e ativistas culturais de qualque possível associação ao tráfico, fazemos tudo para evitar e temos conseguido, que virem “espécimes exóticos” para Academia e para “mídia burguesa de esquerda e de direita. Como já forma Marcinho VP, Flavio Negão e Escadinha.
Me anima a esperança de poder ver-los fora do crime, antes de serem presos ou mortos. Gente muito mais perigososa e famosa que eles conseguiram sair. 


Tenho feito o que posso pra ajuda-los nisso. E tá quase indo.
Como a Adriana não estava em Acari, neste epsódio, que a informou o fez mau e distorcidamente.
Se houve alguém do CCPR ou da equipe local, do “mapeamento” que usou os nomes dos “manos” pra botar terror, vacilou bastante porque sabe que não se usa os nomes dos “caras”, sem eles saberem.


SOBRE A HOSTILIZAÇÃO AO INTEGRANTES DA EQUIPE.

Com certesa houve hostilisação da parte de alguns integrantes do CPPR a membros da equipe. Principalmente da parte do já citado artista. Cabe a ele, e outros integrantes do CCPR se posicionar com relação a isso depois de lerem o texto da Adriana.

Da minha parte, como Vice-coordenador do projeto de “mapeamento” fiz, pela lista restrita, portanto lugar adequado, já não esta havendo reuniões por conta da gravidez de Adriana, criticas a atitude temerosa de começar a filmar a entrevista com o hélio, sem minha presença o de um dos membros da equipe, sem orientação de como e onde e quando pudesse filmar se enquadrar
Que não pudesse sair na “foto”.
Com certeza não os hostilizei. Se assim se sentiram,lamento.

Lamento que: Carol, Patricia, Arthur, Daniel e Felipe, tenham se sentido hostilizados por mim e tenham levado essa reclamação a Adriana, sem antes me questionar pessoalmente.
Lamento e fico triste e magoado, já que sempre fiz tudo para trata-los com respeito e gentileza. Se em algum momento fui hostil com elas e eles, na maioria das vezes fui cordial e respeitoso. Lamento que um ou outro, momento de rudeza tenha sido mais importante que a maioria de tempo carinho.

Por fim volto a afirmar que o projeto de “mapeamento cultural” foi e é importante para Acari,tanto como o filme sobre o mesmo.
Discordo das criticas, mais e menos, rudes e injustas que ´foram e vem sendo feitas a ele.
Tanto quanto a tese de doutorado de Marcos Alvito, quando o documentário de TV sueca/estrangeira, quanto outros trabalhos feitos no a”asfalto” sobre Acari, tem sido, de uma maneira ou de outra, importantes. Tenho varias considerações sobre isso mas que não dá pra focar aqui,num texto que já esta muito grande.


Mas o essencial é que quem quer que seja, que venha pesquisar e fazer trabalhos sobre Acari, saibam que de há muito, por aqui não há tantos “paus-mandados” como outrora. E que há gente, liderança culturais e social com senso critico, pra saber o que é bom ou ruim pra nossa favela, somos bem poucos ainda, mas somos em numero bastante para formar um pequena tropa de choque intelectual orgânica.


Ninguém é “dono da favela”. A favela de Acari, é talvez a favela mais aberta pra filmagens, pesquisas, estudos acadêmicos...
Da minha parte, sei o poder que tenho dentro da favela, e que não é pouco, pra formar opiniões dos moradores, esclarecer coisas, opinar...
Mas não uso meu poder pra fechar a favela, só não me presto a ser a porta de entrada. Há dezenas de outras portas de entrada que não eu, que podem ser procuradas.


Da minha parte continuo aberto a apoiar e colaborar com trabalhos acadêmicos, jornalísticos investigativos sobre Acari, que sob minha modesta, mas apurada, experimentada capacidade teórica e pratica de avaliação, julgue se relevante.

No mais sobre o livro, só li até agora, o texto/desabafo da Adriana para produzir com base nele, o presente algumento.
Devo intervalar a leitura dos outros artigos, com algumas coisas que estou tendo que estudar de imediato. Que ninguem ponha palavras na minha boca que não falei, que ninguem ponha escritos na minha caneta que não escrevi ou vou escrever.

Cada um ou cada uma assuma seu pensamento e sua verbação dele.
quem parir matheus que o embale.


Mas por si só, gosto da existência de um livro e de um filme sobre Acari, assim como o Poesia Em Favela, organizado pela própria Adriana, e os livros do Alvito, um que tem 12 poesias minhas e o outro AS CORES DE ACARI.

No passo que for lendo os artigos, vou escrevendo sobre eles aqui mesmo no Blog, já que provavelmente serão textos tão reflexivos e longos como este. Que portanto não cabem no face book.

Por fim, não percam o lançamento do livro nem sua leitura, como de tudo que foi e tem sido escrito, filmado, dito mau dito, e bem dito sobre Acari.
Desconfiem tanto o bem dito quanto o mau dito sobre Acari.
O bem dito quase sempre vem eivado de sonhos e devaneios sobre nossa favela que na maioria das vezes acabam levando ao Mal Dito que faz muito mal ao que Acari é de verdade e na realidade.
Um traficante poeta escreveu há uns dez anos num muro da favela: “Nossa realidade não se compara ao pior de seus pesadelos”.
Ele morreu sem saber, pois não teve tempo o bastante para ver e vivenciar que: “a realidade de Acari “na real” nem se compara aos melhores sonhos de realidade do asfalto.”

Estava bastante feliz e animado pra ir no lançamento do livro, nesta 2ª Feira, na Travessa Ouvidor, depois que Carol me deu um exemplar ontem no Quilombo.
Leitura do artigo de Adriana, me fez repensar e desistir de ir. Um pouco surpreso e triste com o texto, mas feliz pela existencia do livro e a importância que ele tem pra pessoas, agentes culturais de Acari que estão nele.
Deley de Acari,
Poeta, animador Cultural, ex vice-coordenador do Projeto de Mapeamento Cultural de Acari. Com orgulho sem arrependimento, feliz com o resultado, embora triste com alguns “meios ruins” que não seriam necessários para chegar a um fim não bom.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

SOBRE LINCHAMENTO DE GUARUJA: NÃO SOU DESSES PRETOS QUE VEEM RACISMO M TUDO... SÓ EM QUASE TUDO!

Que se prenda quantos linchadores de Guaruja forem presos. Não dá pra pensar no linchamento só, nem na infeliz moça linchada.
Linchamento é só a execução de uma sentença que á dada para quem cometeu um crime passível de pena de morte.
Desde os tempos da "idade média" a "magia negra" é um crime passível de pena de morte.
Mas na "idade média" magia negra, não tinha tanto o aditivo negra, era mais magia do diabo, coisa do mal.
Magia negra passou a ser magia negra mesmo a partir da escravidão de africanos pelos europeus.
No Sec. 20 , nas Américas magia negra foi ficando restrita a religiões como a umbanda.
Linchamento: Execução sumária coletiva com pena de morte de alguém acusado de um crime bárbaro contra uma pessoa da coletividade ou contra coletividade toda.
Para que haja o julgamento, sentenciamento e o linchamento –exucação sumária, não precisa que esse alguém tenha consumado o crime. Basta que haja a suspeita que tal pessoa possa cometê-lo. EM tais casos, o julgamento, a sentença e execução sumária são um ato preventivo.
Pra mim foi o que aconteceu em Guarujá:
Havia, ou há ainda, alguém suspeito ou suspeita de magia negra,não uma magia negra que potencialmente, não signifique perigo a uma pessoa ou á coletividade, mas um tipo de magia negra que põe em risco, não só a vida de uma pessoa mas das vidas de todos da coletividade, no caso, guarujaense, e o pior e o mais grave, de suas crianças.
Não nos esqueçamos que tal pessoa era, e ainda é acusada de seqüestrar ou estar tentando seqüestrar crianças para praticar com seus corpos, magia negra.
A moça que foi por ser suspeita de ser essa tal pessoa,. O julgamento, a sentença e as condições para o linchamento execução sumária, já estavam prontas. “infelizmente” para a moça, sua família, filhos, amigas e amigas, os juízes, jurados e carrascos, se confundiram e executaram a pessoa errada.
Só que a execução da pessoa errada, não acaba com a sentença, o julgamento, nem com o mérito da execução, já que a tal pessoa, se é que existe, praticamente de magia negra com crianças, ainda esta por aí, por lá, na coletividade guarujaense.
A pergunta que me pergunto é: se a moça executada fosse a pessoa “certa”, seu linchamento seria desculpável, a comunidade guarujaense, seria compreendida e incombinável pelo linchamento, em que pese a violência e a crueldade da forma, já que reagiu a altura a uma ameaça trágica e castatrofica contra as crianças da coletividade?
Mas, assuntando mais matutativamente com relação a esse caso: O que é entendido hoje como magia negra? Bruxaria, macumba, candomblé, quimbanda, feitiçaria?
Magia negra seria então praticada por negros? Ou não precisa ser negro para se praticar magia negra, basta agir como negro ou se acumpriciar com ele, pra ser considerado um ou uma praticante da magia negra?
Não vi escrito ou falado em nenhum lugar, mídia até agora: mas me parece óbvio que a moça executada pela coletividade guarujanse, o fou como bruxa, feiticeira, macumbeira, candomblecista.
E isso pra mim, revela ou desvela o perfil racial do caso.
O crime em questão, a magia negra, é um crime característicos dos negros, ou do Negro.
Cada vez mais nossas comunidades faveladas e pobres vem absorvendo a cultura neopentecostal e a pondo em pratica, norma, moral e tábua de leis a vida de cada um comunitário e da comunidade como tal.
Diariamente dezenas e pastores, dizem aos fieis da igreja e a toda comunidade o que, pelas leis de Deus, é pecado ou é virtude. Pelas tábuas das leis de Deus, pecado e crime, são sininimos, mais que isso... são a mesma coisa.
Nunca deixam claro o que são os pecado/crimes veniais, que podem ser reparados com uma penitencia, jejum, o dízimo a igreja. Mais deixam clara quais são os pecado capitais, puníveis inrreversimente com a perna de morte, morte do corpo e da alma, com o inferno.
E a macumbaria, a feitiçaria, o candomblesismo, ou seja, todas as formas de magia negra, um desses pecados-crimes capitais.
Pecado-crime, não só contra Deus, mas também contra suas leis e contra seu povo.
E parece que Deus dá ao seu povo, o direito de diretamente sem, tribunais intermediários, burocráticos, de acusar, julgar, condenar, sentenciar e executar a pena sumariamente, uma vez, ao menos, encontrado um ou uma possível pecador-criminoso.
Como todo negro ou negra, é potencialmente um macumbeiro, se eu estivesse ou estiver, dentre esse povo que esta organizando atos, passeatas, eventos contra o extermínio da população negra, como a faxina étnica, incluiria o caso do linchamento do Guarujá, como um dos principais pontos de pauta, dos debates, das ações.
Olha só: há seis meses de fazer 60 anos, portanto ficar velho, com 50 anos de terreiro e 40 de Movimento Negro, não sou u desses pretos, agora quase velho que vê Racismo em tudo. Só em quase tudo”

Deley de Acari
Poeta, animador cultural,
Co-coordenador Nacional
Do Circulo Palmarino.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CUIDAÇÕES AMIGAS
à carol maíra
Cuidando d'ocê
eu cuido d'eu!
Ocê deix'eu
cuida d'ocê
é seu jeito
de cuida d'eu!

Deley de Acari.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

BEM AVENTURADOS OS BADERNEIROS: DELES E DELAS SERÁ O REINO DE MARIA BADERNA!

Nascida na Itália, em 1828, na cidade de Piacenza, filha do médico e músico Antônio Baderna, Marietta foi aluna do coreógrafo Carlo Blasis. Estreou aos 12 anos em sua cidade natal, e logo integrava a companhia de dança do teatro Scala de Milão. Nessa época a Itália estava fervendo politicamente, buscando a unificação, e ocupada pela Áustria. Marietta era militante, seguidora de Giuseppe Mazzini, e obedecia a ordem da diretiva revolucionária de não participar da vida artística enquanto os austríacos estivessem na Itália. Por perseguição politica, exilou-se com o pai no Brasil, em 1849. Se estabeleceram no Rio imperial, e Marietta fez um sucesso danado no palco, conquistando o público do Teatro São Pedro de Alcântara. Talentosa, de espírito rebelde e contestador, arrebatava o coração dos jovens "badernistas", que era um grupo criado por fãs em homenagem a ela. Segundo biógrafos, no início os cariocas usavam o termo baderna para indicar coisas muito belas. Somente depois de a dança ser considerada fator de corrupção da juventude, a palavra assume os significados atuais. Sempre à frente de seu tempo, Baderna se interessou pelos ritmos afro-brasileiros e saiu às ruas para ver o requebrar das mulatas. Em pouco tempo foi considerada a musa do lundum, da cachuca e da umbigada, danças com movimentos bastante ousados para a época de dom Pedro 2º. Era uma estrela de grande porte, rivalizando até com as divas do canto lírico. Interessante que sempre que os moralistas tentavam boicotá-la (diminuindo seu tempo no palco, ou a colocando em segundo plano), os badernistas protestavam, batendo os pés no chão e interrompendo o espetáculo. Ao término da apresentação, saíam do teatro batendo os pés e gritando o nome da musa: Baderna. Havia quem dissesse que Marietta bebia demais e era viciada em absinto, além de ser muito namoradeira. Triste que seu estilo transgressor e libertário tenha perdido para o conservadorismo. Voltou com o pai para a Itália, e sua carreira entrou em decadência. Morreu em 1870 http://mulheresquehonramorole.blogspot.com.br/201

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

FAPA,FAVELA PARTICIPAÇÕES: PERGUNTAS QUE ESPERAM RESPOSTAS:

A Coluna de Anselmo Góis, no O Globo deu uma nota que em 2013 Celso Athayde sairá da CUFA pra criar uma Holding que já esta denominada de FAPA, Favela Participações que gerirá um grupo de 10 empresas... Holding é uma empresa criada para gerir um grupo de outras empresas ou a participação acionaria de um grupo determinado nestas. A idéia e que um numero significativo de empresas implantadas dentro de uma favela possa realmente trazer o desenvolvimento para maioria dos moradores deve ser vista com reservas, reflexões e questionamentos. A primeira questão a ser levantada é que empresas, como empreendimentos capitalistas visam principalmente o lucro constante e precisam de garantias para não haja prejuízo nem interrupção temporária ou definitiva da produção das marcadorias. Empresas tem resistido a implantar seus negócios nas favelas devido a falta de garantias a segurança e a integridade física de seus funcionários: uma operação policial para combater o tráfico de drogas pode impedir a entrada de funcionários causando um dia de trabalho paralisado, uma guerra entre quadrilhas rivais pode para a produção por até uma semana trazendo grandes prejuízos na produção e inviabilizando a produção e a continuidade da empresa no local. Empresas precisam além da segurança real, física e material, de segurança simbólica que além da segurança física visível gerem um sensação segurança não física mas sensível, por exemplo: Os moradores dos bairros que ficam no entorno de varias favelas o Rio vêem com simpatia quadrilhas de traficantes que "dominam" uma favela e garantem a paz e a segurança não só no território físico da favela em si mas extensiva aos moradores das ruas do "pé do morro" evitantando assaltos, roubos de resistencias, violências contra moradores... e "cobrando" e tomando "providencias cabíveis" quando alguma coisa acontece de errado com esses moradores do entorno da favela. No momento varias empresas estão implantando suas atividades em favelas ocupadas por UPPs já que o braço amardo do estado, garante não só a segurança real, física, mas também a sensação de segurança "invisível" mas tão real, quanto a real. Como não existe mais trafico, pelo menos no "tamanho" que era antes, não há ostentação armada de bandidos. Por outro lado, a crença e a sensação de que nenhuma quadrilha rival tentaria tomar uma favela ocupada por UPPs dá uma certa proteção ao "pequeno" trafico existente. Por outro lado uma favela ocupada por UPP garante a empresas de TV A CABO e INTERNET que elas não terão concorrência de "empresas" locais "informações" conhecidas como NetGato NetCabo e a eliminação das existentes. Com relação a questão de segurança real e não visível um ponto a ser levantado é: Suponhamos que uma quadrilha local de uma favela mantenha ótimas "relações" com empresas locais e do entorno da favela que "controla" e também aos moradores o entorno. Uma vez criada uma holding de empresas como a proposta FAPA: A holding confiará, acreditará e aceitará a segurança que a quadrilha local oferece, promete e garante ou optará pela segurança mais "confiável" e durável que o estado pode oferecer pedindo o u mesmo exigindo a implantação de uma UPP no local, como condição pra implantar seus projetos no local? Outras perguntas que merecem e precisam de respostas: A implantação de uma loja do Bobs ou o MacDolnads não causará a falência de pequenos comerciantes que há vários e vários anos vendem seus x-tudos e vitaminas na favela, com a mesma qualidade ou até maior do que estas grandes empresas de lanches rápidos? A implantação de um Shopping Favela não causará a falência das muitas lojas de roupas, armarinhoos, comércios de variedades? Estes comerciantes terão que se sujeitar, se quiserem sobreviver, a pagar altas taxas de aluguel e "condomínio" pra funcionar dentro destes chopings? Suportarão a concorrência das C&AS, Di Santini, Casa&Vídeo? As dezenas de mulheres que hoje ganham a vida, em tem em seus salões de beleza... seus negócios conseguirão sobreviver as grandes casas de estética que estarão dentro desses chopings? Sabe-se informalmente que mais ou menos 10°/° do arrecadado total com a venda de drogas fica dentro da favela. Por "mais pouco" que seja, é evidente o quanto esse "pouco" dinheiro que fica dentro da favela contribuí para o aumento da renda percapita da favela como um todo. Com relação a uma holding de empresas... há serias duvidas se pelo menos 01 por cento do lucro gerado por elas ficariam dentro da favela propiciando um desenvolvimento geral que beneficie a maioria dos moradores e não só uma elite. Outra questão importante é se a implantação de uma holding de empresas numa favela gerará um numero de empregos significativo o suficiente para a maioria, ou pelo menos uma numero bastante de moradores que com o salário que perceberem num montante o real desenvolvimento da favela como um todo, que beneficie a todos ou a maioria. Tomando como exemplo o fato, a verdade e a realidade de que dentro e no entorno das favelas os empregos que exigem pelo menos o 2º grau completo são ocupados na sua maioria por gente de fora da favela... é só olhar pra a maioria dos funcionários de creches, escolas públicas, postos de saúde, etc e de supermercados, farmácias, etc. Os empregos que exigem escolarida mínima ou muito pouca, este sim "sobram" para os moradores da comunidade. Uma questão delicada: Com a possível, não determinada, mas possível e provável implantação e UPPs, ou pelo menos " contingente policial formal" para garantir o lucro e o funciomento continuo, sem interrupções das empresas e o conseqüente fim o trafico de drogas ou pelo menos, com a diminuição substantiva deste a um nível que venda drogas "no sapatinho" e não precise ostentar armas... o que será feito de e com os traficantes locais que não conseguirem continuar no trafico ou não conseguir algum tipo de emprego numa das empresas da tal holding? Há favelas, não ocupadas por UPPs, que a grande maioria, quase a totalidade dos traficantes são crias, jovens e já não tão jovens nascidos e criados na favela. A grande maioria deles só sabe, por só aprendeu a trabalhar no tráfico, boa parte nunca foi preso, e outra boa parte, embora já tenha pego cadeia por crime hediondo, simplesmente por ser traficante, sequer deu um tiro na vida, nunca matou ninguém, mas tem no trafico a única opção pra criar seus filhos sustentar sua familia, mas não tem nível de escolaridade pra ser incluído nessa tal "salvadora" inclusão social e econômica que uma holding possa garantir. É óbvio que empresas, empresários, antes de tudo visam seus lucros e a garantia da geração continua desse lucros. Por mais humanos e humanitários que queiram parecer, por mais responsabilidades sociais que possam demonstrar, quando seus lucros e a rentabilidade se seus negócios são ameaçados não teem nenhum constrangimento em evocar e por em pratica o velho ditado: "amigos, amigos, negócios á parte", ou amigos, amigos, sentimentos e humanismo á parte". Por isso não estão nem um pouco preocupados com a sorte dos traficantes locais, se serão presos, presos e mortos. Importante pra eles é uma comunidade limpa e segura, não importa quantas liberdades sejam perdidas, quantas cadeias tenham que ser construídas, quanto sangue negro e favelado seja jorrado pra lavar e deixar limpa a favela para implantar sua empresas e seus funcionários cheguem e saiam do trabalho por ruas e vielas higienizadas e "detetizadas". Se os moradores favelados influentes na comunidade, lideranças comunitárias, mediadores e empreendedores de dentro e de fora da favela, não estão preocupados, o se estão não tem respostas, e por não terem respostas, fingem que os "meninos" do trafico são invisíveis, não existem, não tem solução imediata, á médio, ou a longo prazo pra eles... alguém na favela tem que ter, se preocupar com a vida e o destino deles, e suas familias, de seus filhos... Nenhum deles nasceu traficante e boa parte deles gostaria e deixar de ser e viver outra vida... E merecem sérios questionamentos, criticas construtivas, levantamento de duvidas, e tentativas de busca de respostas e soluções, senão para o trafico de drogas, que estão muito além do que meros lideres favelados possa dar. Se o Trafico de drogas movem bilhões de dólares anualmente, é hoje um grande empreendimento capitalista, neoliberal e desumano, por isso além de nossas forças de favelados de combatermos sozinhos... o traficante, desde o prenteso "chefe" até o mais simples fogueteiro é problema nosso, e lideranças, militantes favelados e moradores influentes, até como traficantes/trabalahdores do trafico, mas principalmente como moradores, na sua maioria jovens, que vimos nascer, segurarmos no colo, alguns batizarmos e sermos padrinhos,crescer, brincar, tentar a sorte de uma vida melhor no futebol, na musica o numa fábrica que não existe mais. Não consigo olhar para o futuro desses garotos que vivem no trafico, principalmente, os que tenho uma convivência mais próxima... num caixão ou numa cadeia. Também não consigo ver o futuro deles e de suas familias sob a tutela e opressão do braço armado o trafico ou do braço armado do estado. Minha vó, meu tio astrogildo e minha mãe me ensinaram a acreditar e amar o ser humano como criaturas boas e sagradas, ninguém nasce mal e se ninguém nasce mal, ninguém inevitavelmente morrerá como um ser humano mal por isso merece viver o mais possível e mais longamente possível como criaturas humanas boas e sagradas como nasceram. E a maioria, a imensa maioria do rapzes jovens, e já não tão jovens, que vivem e precisam do trafico, hoje pra viver, sobreviver, sustentar suas familias e criar seus filhos e filhas pelos caminhos o bem que não puderam seguir são criaturas humanas, boas e do bem. E a elas devemos respostas e oportunidades de uma vida alternativa a que uma UPPs possa oferecer, ou o trafico de drogas, tem-lhe oferecido. Essa é a opinião pessoal minha, de Deley de Acari, poeta e animador cultural da favela de Acari. Opinião pessoal que mais que a atitude de dar opinião pessoal gera atitudes, ações e verdades para tornar o que sonha, realidade. Amor Livre e Luta! Deley de Acari

POR UM AMOR MAIOR

POR UM AMOR MAIOR A presente postagem de poemas no blog significa antes de tudo uma rendição a minha imcapacidade de digitar, formar e publicar um livro escrito no papel. É uma capitulação a minha incapacidade de lidar com o computador e com a net. A minha intenção em publicar um livro no papel “era” viabilizar acesso á um número bem maior de pessoas além daquelas em numero restrito que tiveram acesso aos poemas aqui reunidos que já haviam sido publicados em livros e outras publicações escritas que, por diversas razões, desde o alto preço de capa á circulação restrita as tornaram inacessiveis ao povo da favela de Acari e de alguns bairros da periferia. Decidi definitivamente de tentar publicar o livro no papel. Uma vez publicado, com o título ‘POR UM AMOR MAIOR”, com cerca de 60 paginas e duas edições de 300 exemplares, num total de 600 iria vendo á baixo custo, 12 á 16 Reais, uma parte e distribui-los gratuitamente na Favela de Acari. Porém, depois de varias tentativas frustradas, por mim mesmo, a mim, aqui estão as poesias com titulo do livro postadas no blog www.deleydeacari.blogspot.com. Leiam não como uma simples, ou mais uma postagem mas como um “livro eletronico” em que pese a precariedade editorial que meu precário blog oferece. Republica-los no Blog todos reunidos, já que foram publicados aqui separados é uma forma de me livrar deles, lança-los ao vento, a calmaria e a tempestade da web. O primeiro poema do blog, meio que um hai kai foi escrito de depois lançado numa camisa sob o patrocionio de Sebatião Soares e Valeria Moreira, então, lá pros fins dos anos 80, então no Bloco Afro Alafin Aye. Deus, Criou-lo A Mulher. Os poemas que se seguem é tudo que restou de um total de 535 poemas cujos os originais foram queimados num latão de 200 litros pelo meu padastro, dois meses depois da morte de minha mãe em 1986, depois que ele, por duas vezes, tentou currar minha irmã, e ter sido expulso da favela pelo Cy de Acari. O choque provocado pela violencia contra minha irmã somado ao trauma da perda de 535 poemas orinais, oito peças de teatro e 68 contos literários queimados pelo meu padrastro me causaram um histeria literária que durou cerca de 15 anos. Só consegui criar um poema de novo em 1996, por ocasião de um ato contra a Chacina de Vigário Geral. VALA á delma, irmã Vala, manancial de xistossomose beço de tifo cova natural de muitos amigos de infancia crivados de bala. Rio dos meus barquinhos de elástico e graveto... Rio das pescarias de rã com barbante e miolo de pão PARA ALÉM DE TESÃO E aquela tesão da manhã que rareou um pouco nodia na cozinha e no tanque da madame E aquela tesão da manhã que rareou um pouco mais ainda com o sufoco no onibus Castelo-Acari sem sequer saber se chegava viva ou não E aquela tesão da manhã que rareou ainda mais um pouco com a fome não saciada pelo pedaço de ovo com macarrão e feijão requentado pra sobrar mais um pouco pras crianças almoçarem amanhã, dividindo o pouco, irmão com irmão. E aquela tesão que pouco a pouco se rareou mais um pouco até ser quase só desespero Esse amor feito quase sem gosto e com muito cansaço até o gozo misto de orgasmo e afrição. Esse maior feito dum outro jeito de se amar que nos foi preciso encontrar pra fazermos amor bem gostoso Porque só a gente se amando, se amando muito mesmo para além das necessidades do espirito e do corpo ou simplesmente paixão pra conseguir fazer amor gostoso cansada e quase sem tesão. SÍNDROME DO DESEMPREGO Saindo de casa bem cedo á procura de emprego, levou força do meu amor, minha fé. No ultimo anúncio marcado mente e corpo abalados, pela má aparência rejeitado, deixou que vissem seus olhos pela fome bem fundo escavado, que vissem o carapinha emarenhado, deixou que vissem o suor fazendo da face negra um ébano vitrificado. Mas não deixou que lhe vissem o medo comum a quem vive a síndrome do desemprego não deixou que lhe vissem o velho medo porque é da certeza que existe o medo é que o burgues racista faz do humano dócil escravo um inimigo finalmente vencido depois que sua humanidade ele mesmo já havia esquecido. Saindo de casa bem cedo á procura de emprego, levou a força do meu amor minha fé Deixou um beijo gostoso de Colgate e café saboroso feito mel. Voltou á noite trazendo um beijo mau gosto de caldo de cana e pastel amargoso feito fel. Ah, a insegurança do amanhã, de todos, do tudo. Ah, seu velho medo desaguado em lágrimas no regaço do meu colo, chorado em segredo longe do olhar racista do senhor burgues dono e senhor dos empregos. Ah, esse imenso desejo que seu velho medo se transforme com o axé do meu amor, minha fé na minha, na sua, na nossa nova e indestrutivel coragem libertária do amanhã. POR UM AMOR MAIOR Hoje tua preta amanda não pode fazer amor contigo chegou do trabalho cansada, explorada, currada, assediada pelo olhar tarado do senhor patrão. Hoje tua preta amada não pode fazer amor contigo. Precisou de tí mais que pai, irmão ou homem... precisou e encontrou-te amigo. Hoje tua preta amada não pode fazer amor contigo mas te ensinou um amor, um amor maior que jamais havias aprendido. DOMINGO A Catuaba para escorregar o café um giro na feira A Catuaba para escorregar o café um giro na feira comprar uma Roberta Close para comer ao molho pardo a pelada no rala-coco pra tirar a barriga um mocoto com arroz uma cerveja com o vapô da área na tendinha do tião um pagode esperto um samba do Ne do Wilson o macara á tarde Vasco e Flamengo de casa cheia Os trapalhões na tve o fantastico mentir da vida uma bimbada na nega para relaxar corpo e mente e amanhã acordar tranqulis e ser explorado pelo patrão numa boa... E me deixar fazendo o almoço uqe será jantar talves amanhã outra vez almoço que voce ira comer temperado com amortesão que sempre fica recolhido em meu corpo inteiro ardente, inquieto, angustiado de insastifação e frustração de quase sempre e esse quase sempre entre nós é todo dia... que voce me come, jorra-se cai pro lado e dorme antes mesmo que eu sinta dor, prazer ou gozo de ter voce dentro de mim. ÍVO VÊ O OVO á delma, irmã amada. Barquinho de graveto nas valas da favela banhos de rio jogo de gude cachorro fazendo trenzim dibico de pipa vizinha de perna aberta aparcendo a calcinha pique de esconder gazeta bem batida machucadinho no dedo priminha fazendo xixi cavalo calvagando professora sorrindo correição de formiga manga roubada contar estrelas com dedo viajar pelo mundo na goiabeira do fundo do quintal ver São Jorge na Lua... Tudo isso me assustava fascinava e emocionava a um só tempo fazendo da nossa infância pobre e desamada uma infância quase feliz. Mas nada, nada me assustava e fascinava mais a um só tempo que ficarmos horas afio venho pintinhos nascerem do ovo. SÓ CRIOULO a líane galvão Ipanema, Madureira, sou Favela. Branco, negro, sou mestiço. Operario, intelectual, sou poeta. Machista, Feminista, sou simplesmente amante. Esquerda, Direita, Sou só crioulo... só. QUEM DIZ QUE... NÃO VIVE, NÃO SABE O QUE DIZ Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Não vive, não sabe da angústia da favela. Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Não vive o medo que a favela vive constantemente. Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Não vive a violencia do crime organizado que oprime a favela. Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Não vive a miséria que vive a favela. Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Não vive os abusos e as chacinas policiais que atingem a favela. Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Só vive a favela nas retóricas academicas de suas teses de doutorado. Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Só vive a favela nas lombras alucinadas das madrugas do Baixo-Gavea ainda meio que cheirado. Quem diz que favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Só vive a favela no assistencialismo paternalista da neodireita vivariqueana que periga imobilizar a favela de sua autonomia. Quem dizque favela é quilombo urbano não vive, não sabe o que diz. Não sabe que quilombo urbano seria sinonimo de socialismo, não machismo, não racismo, igualdade, irmandade, parceria, ajuda mútua, amor, felicidade, harmonia... e que na favela há muito pouco de cada isso um quase nada de cada isso. Daí que, a existencia de favela é ela mesma a prova mais contundente da inexistencia de quilombos urbanos. AMAZONA NEGRA Quando te cavalgo sou amazona selvagem que te tendo, te deixa ser meu carapinha, te lanhando peito e rosto, não é chicote. É do Cometa-Amor que existe em mim negras, reluzentes caldas múltiplas que orvalham meu suor acre-salgado embebendo teus lábios de meu sumo. Suor-bálsamo que lene, das feridas de me amar que se abrem em ti, a dor com o prazer que o me sorver te alucina. Do ir e vir do sexo no sexo nosso ir e vir é nosso ir. Para o êxtase da chegada não somos cavalo e Amazona mas sim um só caminho. Quando erupe o vulcão que é o nosso amor esvai-se por minha garganta peluda em carne viva nossas lavas flamejantes calcinando nossos ventres e nossas coxas. Descansamos do descanso que é fazer amor quando se ama. Na esteira, semi-inconsciente, nem somos neste momento, um e outro, macho e fêmea nem sentimos um e outro homem e mulher... De tanto nos sentirmos sentirmos e sermos Um e outro ao mesmo tempo. Ainda embriagados de orgasmo, ansiados nos esperançamos que esta ao mesmo tempo esta embriaguez divina SEJA SEMPRE. MARAVILHOSA Maravilhosa,você dorme! sua cabeça carapinha pousada sobre meu peito de poeta. Gotas de suór e húmus te molham a vúlva, reluzem em seu púbis feito microestrelas que me embebem os lábios embriagando minha alma quando faço cafuné de língua em seu cólo uterino. Maravilhosa,você dorme! Seu coração pulsa e tamborila feito marimba cálida, sua respiração melodiosa me inspira como um calímba no cío. Marevilhosa,você dorme! Seus seios fartos(de Yabá) roçam o céu de meus sonhos como lilazes cúmes. Maravilhosa,você dorme! Te ver dormir me fascina... És a prova mais verdadeira que Deus existe,embora não acredite Nele. Nem devo temer,venerar ou amar a Ele... Mas sim adorar,amar e desejar descaramente somente as DEUSAS! Maravilhosa,você dorme! A Lua Vem lésbicamente á janela do quarto admirar sua beleza negra donde os Orixás escolheram a cor para abonitar a noite que era feia por se incolor. Maravilhosa,voce dorme! E me abraça e enlaça em me envolve na paz do seu sono como um menino em seus braços me sinto protegido e acolheido. Sei-me assim nos braços de Mãe Oxum...que me fez então libérto da sína do machismo e a ser como sou agora e daqui pra sempre...irmão, amigo,amante,amado, simplesmente homem! Esse é o primeiro poema que consegui escrever depois de 15 anos de impotencia poetica. Como já escrevi á pouco foi criado para um ato contra a cachina de VG. SE FICAM IMPUNES... NOS CHACINAM A DIGNIDADE Chacinam em Hiroxima, Nahasaki, Auschwistz... se ficam impunes...uma chacina contra nossa verdade. Depois, que verdade diremos ás nossas crianças e toda gente que amamos e anos amam também. Chaicina em Sharpville, Saigon, Luanda... Se ficam impunes... uma chacina contra nosso olhar. Depois, com que olhares olharemos nos olhos de nossas crianças e toda gente que amamos e nos amam também. Chacinam em Ruanda em Bagdá... Guerra do Golfo... Se ficam impunes... uma chacina contra nossa alegria. Depois, com que alegria abraçaremos as nossas crianças e toda gente que amamos nos amam também. Chacinam no Carandiru, na Candelária, em acari, ianomamis... se ficam impunes...uma chacina contra nossa esperança. Depois, com que esperança mostraremos o caminho para nossas crianças...Com que esperança caminharemos junto com ela e toda gente que amamos e que nos amam também. Chacinam em Eldorado dos Carajás em Belford Roxo, em Vigario Geral se ficam impunes...uma chacina contra nosso senso de justiça. Depois, que senso de justiça legaremos ás nossas crianças e a toda gente que amamos e que nos amam também Chacinam em Sabra e Shatila, se ficam impunes... uma chacina contra o amor que existe em nós. Depois, com que amor amaremos nossas crianças e a toda gente que amamos e que nos amam também Chacina na favela, chacinam no campo, chacinam na cidade se ficam impunes...uma chacina contra nossa dignidade humana. Depois, com que dignidade continuaremos vivendo com nossas crianças e com toda gente que amamos e nos amam também. Chacinam nossas crianças, chacinam a gente que amamos e que nos amam também... se ficam impunes...uma chacina contra nossa própria vida. Depois, que vida continuaremos a viver... sem verdade, ,sem olhar, sem alegria, sem esperança, sem justiça, sem amor e sem dignidade humana. Os poemas que vem a seguir foram escritos por “encomenda” para o livro “UM SECULO DE FAVELA” organizado por Marcos Alvito e Alba Zaluar. FAVELA: CEM ANOS. Tá visto que em cem anos de favela muito sangue de moprte banhou as terras batidas de becos, ruas e vielas. Mas tá visto também que na favela há muito mais mulher que a gente e muita menina vira moça toda hora, todo dia se vendo meio que assustada e maravilhada pela primeira vez menstruada. Vai daí, que por benção de Mãe Oxum, essa saguinolência toda que jorra na favela por cem anos a fio, filetes e chimvicas, tem sido muito menos da certeza da morte e muito mais da verdade da possibilidade da vida. Daí que, pela graça de Mãe Oxum, nafavela, centenariamente, se sangra ainda muito mais da divina maravilha da criação que dos horrores letais das chacinas. ACARI-SUPRAEMERGENTE ( ou entregando a favela a cidade) Quem sabe na próxima enchente a favela submerge no Rio Acari duma vez... só de vez E emerge na Avenida Sernambetiba frente a barraca do Pepê... Vái daí que para o gáldio dos emergentes... dá até pra acreditar que só assim nós da favela sejamos entregados saco da cbeça e algemas nos pulsos favelabairranamente á cidade... Zé Gabiolé: ói nós da favela supraemergentes da Barra. REGRAS E EXCREÇÕES Vê legal... são cento e cinquenta e tres bairros e mais de seiscentes favelas dentro deles... coisa meio assim que matar o porco tirar a tripa do porco, picar o porco e botar o porco dentro tripa que vira lingüiça. Vê legal... que já há mais favela que bairro e agora os bairros tão dentro das favelas. Vê legal então que já não é alguma pobreza dentro de muita riqueza. Agora é alguma riqueza dentro de muita pobreza. Vê legal então se favela hoje é regra, então se bairro é excesão, Ser da favela hoje é regra, ser do bairro hoje é excreção. NÃO HÁ UM CANTO DA FAVELA Não há um canto de favela que não guarde uma história. Não há um canto de favela que não tenha um conto pra contar. Não há um canto de favela que não guarde histórias nas marcas da ultima enchente nas paredes dos barracos que levou agua á baixo tvsvideosgeladeiras armários, roupaspanelas que ficou-se devendo prestações mas com sorte saiu-se com vida. Não há um canto da favela um cantinho de viela que não guarde ainda os sons das vozinhas femininas infantis brincando de casinha e Bárbie até uma sairavada de AR-15 botar todo mundo embaixo da mesa da cozinha longe do lugar da bala perdida achar um. Não há um canto da favela que não guarde as vozes sussurradas dos meninos contando a boca miúda os feitos lendários de Jotaélli quando da retomada épica do seu Reino d'Pó das parades do Acari. Não há um canto da favela que não guarde o testemunho choroso de um irmão em Deus subitamente per'vertido a fé cristã depois de tantas dores e horrores que infligiu aos seus inimigos e suas familias aqui na Terra. Este poema abaixo foi escrito a pedido da Cristina Vital para uma publicação do ISER sobre Memória na Favela. MEMÓRIA FAVELA: MULHER! Á Cristina vital “Entre hoje e o amanhã corre um rio Que nos alerta: nas águas de quem oprime não navega quem liberta” Renato Teixeira cantado por Pena Branca e Xavantinho. De favela em favela Os homens vivem cada vez menos Já que se matam cada vez mais as mulheres vivem cada vez mais Já que quase nunca se matam... Nem mais, nem menos. De favela em favela Quem vive mais conta mais Quem vive pouco não resta Nem o evento da própria morte pra contar. As mulheres que estão vivendo mais, Cada vez mais vão ficando pra contar Das vidas e das mortes e muito mais: Sobre a existência toda que pulsa Pungente no tempo que passa... Do que se nasce pra vida Até pro que se morre pra Uma outra vida... se há. Assim, cada vez mais a memória da favela sobrevive Dum jeito de lembrar feminino. Só que a mulher da favela Não conta a favela com a voz da razão. Pras dizer a verdade Ela diz a favela. Ao contrário Do senso comum, ela sensualiza Sensualizando a favela... tipo O pensamento parece uma coisa à toa Mas como é que a gente voa Quando começa a pensar. Na memória da favela É prestar atenção no que diz A mulher da favela Mas há que prestar atenção no que Ela ‘não diz’ da favela. Ao memorizar a favela, É neste ‘não dizer’ que está A verdadeira memória da favela. A memória mulher da favela Não é a mesma memóriamachofavela... Não é também tesededoutoradofeminista Nem documnetáriopraestaçãounibanco... A memória mulher da favela Tem carne e sangue, tem gosto e desgosto, Tem odor e tem dor, tem idoneidade e felicidade. A memória mulher da favela menstrúa. É fisicamente palpável, cafunesável, visível. A memória mulher da favela Copula, fica molhadinha, goza E concebe... e brota nas cozinhas, Nas portas de rua... e nas rodas de cerveja Se oraliza e se faz verbo Como uma cria de parto normal E não num parto absurdo de Uma pesquisa de campo. A memória mulher da favela Por mais trágica e dolorida Que venha ser a lembrança É sempre uma saudade meiga Que Dolores cantava. A memória mulher da favela Faz a saudade esperança do passado Faz esperança saudade do futuro. A memória mulher da favela É cabeça e coração, Razão e emoção. Mas, em tudo, que tudo por tudo A memóira mulher da favela... É útero! E, em sendo uterina, cada morte Por mais trágica, é só uma virgulinha Dentre milhões de ?s, !s e... s Em sendo uterina, A memória mulher da favela Nunca no final do parágrafo Há ponto final. Há sempre dois pontos: E o que vem depois dos dois pontos?! Ouça o que diz a mulher da favela... Mas há que prestar atenção No “o-não-dizer” da mulher da favela E, ou melhor, : Este dois ultimos poemas foram publicados na Coletânia POESIA FAVELA IN LIVRO. UM REAL NA FAVELA VALE MUITO In memorian de Mateuzin da Baixa da Maré (estudo ainda inacabado de um poema inspirado numa foto em aparece a mão ensanguentada de mateuzin com um real ) Um real na favela vale muito, Vale o pão do café das mães, Vale meia dúzia de “ovo” Pra misturar no miojo do almoço, Vale uma viagem pelo mundo Nos caminhos imensuráveis Da web,Um real na favela vale muito, Vale um guaravita e um traquina Pra enganar a barriga, até chegar Em casa quando falta merenda Na escola,Um real na favela vale muito, Um real, de prata e dourado, Reluzente o ao solAlumbrando a alma sublime Na palma da mão de um Menino morto por um estado Policial fascista cruel e desumano... A prata de moeda denuncia A espada da perversa guerra, O ouro da moeda denuncia A ganância da classe dominante E sua sanha de poder, A pequena mão espalmada Mostrando a moeda é a própria Mão do Tribunal Popular Permanente do Mundo sentenciando Que a vida de uma criança Não tem preço, não se mede por dinheiro, Ela é imensurável, como seus sonhos, Suas esperanças, seu futuro, sua vida, Um real na favela vale muito, Um real na mão de uma criança Assassinada numa viela de favela Pela cruel e desumana mão armada Do estado policial é uma sentença muda: O Estado Policial Não presta, e antes Que reduza a vida no Campo, favela e na periferiaA uma prata de real, É preciso, sentar no banco dos réus Do Tribunal Popular dos Povos, Ser julgado, condenado e sentenciado A ser destruído e reduzido a nada. Um real na favela vale muito, Quando na mão espalmada De uma criança morta pelo estado... Porque mostra os governantes Não prestam, não valem sequer Um real de pinga aguada. SEM VOCÊ AINDA SOMOS A ESPERA, COM VOCÊ SOMOS A ESPERANÇA. á Pâmella Passos Sem você, ainda somos flor, com você somos o jardim, Sem você ainda somos arvore, com você somos a floresta, Sem você ainda somos glóbulo, com você somos o sangue, Sem você ainda somos gota, com você somos o oceano. Sem você ainda somos trigo, com você somos o pão partilhado nos fazendo companheiros e companheiras, Sem você ainda somos uva, com você somos vinho que nos nutre, nos fortalece, nos purifica e amplia nossa lucides e faz transparente nossa amizade. Sem você, ainda somos a espera, com você somos a esperança, Sem você, ainda somos lágrima, com você somos o choro de alegria. Sem você, ainda somos dedos, com você somos nossas mãos dadas. Sem você, ainda somos pessoas, com você somos a humanidade. Sem você, ainda somos o afeto, com você somos a ternura revolucionária guevariana. Sem você ainda somos pulso sem algema, com você somos a liberdade conquistada. Sem você, ainda somos negra, com você somos a mãe África e a diáspora que se faz libertação, Sem você ainda somos mulher, com você somos todas as criaturas humanas para além dos sexos, para além dos gêneros... 39 que nos livramos do cativeiro do machismo, do sexismo, que nos oprime, nos desumaniza nos faz escravo do poder patriarcal. Sem você ainda somos calma, com você somos a Paz que a humanidade tanta precisa, Sem você, um homem ainda é um homem, com você um homem é uma criatura nova que, nutrido pelo seu amor, se faz um ser gentil, um homem simplesmente homem, não-macho, não sexista, não dominador. Sem você um homem ainda é um homem, com você um homem é amante, amigo, irmão, sempre contigo... nunca a sua frente, nunca a suas costas, nunca ao seu lado... mas sim sempre com você. Sem você um homem um homem ainda é um homem, pouco mais que uma pessoa solitária, com você um homem é todo amante, companheiro terno, carinhoso, generoso... cumplice cotidiano e perene do seu eu mulher em constante libertação. Rio, 30 de Dezembro de 2009 aniversário de Pâmella Passos e Betinho da Força do Rap Deley de Acari FIM