segunda-feira, 6 de abril de 2015

A ESTÓRIA DA MENINA PRETA QUE TOCA SIRIRÍCA NO BANHEIRO DA ESCOLA.




 A estória da menina preta que toca sirrica no banheiro da escola eu conto. mas não digo o nome da menina,nem da escola, nem das outras meninas que tocam sirica com ela.
Elas já quase levam um fragrante da inspetora e, dar o nome delas seria xnovalas. Tudo bem?

Então a estória é assim:são cinco meninas no vestiário da escola enquanto as turmas estão se formando e só saem quando toca o sinal. Enquanto não toca o sinal elas ficam tocando suas campanhias do prazer. Cada uma tocando a sua, claro, não uma da outra... Ainda não.


A menina preta é a única menina preta das cinco meninas. Se bem que uma também é sarará.

Assim que termina o primeiro tempo de aula e a professora sai elas se juntam numa mesma carteira, na ultima fileira e ficam sussurrando quem delas “conseguiu” e com quem. Dessa vez todas conseguiram.

-caraca! Eu consegui! Puxa! Justin bieber

Outra menina:
- ih! Foi...fui com ele também, gostosinho,NE? E ainda esses meninos machistas chaamam ele de jutin biba.


Mais outra menina:
-advinha? Cauã reinald...
- tem vergonha não? ele é muito velho pra você.

A menina preta parecia ainda estar em êxtase. Foi “acordada” com um “pedala Robinho” por uma das meninas. E aí fala... com quem?
A menina preta:
-puxa! Dessa vez foi a melhor de todas, muito bom... Estou “viajando” até agora...

Das outras vezes não foi tão bom assim...
Uma das meninas:
-para de meme. Diz logo com quem foi.

A menina preta:
-com o Cris!
Uma das meninas:
Aquele do “todo mundo odeia Cris?”
Menina preta:
Que odeia o que! Eu amo o Cris...
As quatro meninas com muito espanto numa só voz:
- mas ele é preto!


No fim das aulas todas as cinco meninas tiveram anotado nos cadernos um bilhetinho alertando que elas ficam tempo de mais no banheiro e quase sempre entram atrasadas para a primeira aula e que, se forem pegas fazendo coisa feia serão suspensas.
A menina preta chegou em casa e mostrou a anotação no caderno pra mãe.
A mãe logo se ligou:
Vocês ficam tocando,né?
A menina preta: é! Quer dizer, não, sim! Cada uma se toca em si mesmo, nós não somos
sapatão não, mãe!
Mãe: sapatão, não... lésbica!... mas vocês não tem medo de serem “pegas” não, é?
Menina preta:medo a gente tem, mas vale a pena, e hoje foi tão bom pra mim. A primeira vez que consegui pensar num menino preto e ir com ele até o fim. Mas só que... E não vou falar não!

Mãe: ah! Agora fala...
Menina preta:
- no meio do meu pensamento, o Cris sumiu...
Mãe: que Cris, menina?
Menina preta: o Cris, menino preto por quem eu tava tocando e pensando nele. Então;de repente ele sumiu e apareceu a Juliana Alves.

Mãe: caraça! A Juliana?!
 Menina preta: quase que ela fica no meu pensamento e vou até o fim e consigo com ela. Fiz um esforço danado pra voltar a pensar no Cris e ir até o fim com ele. Ta amarrado eu pensar na Juliana e ir com ela novamente.
Mãe: e daí ela também é uma mulher preta.
Menina preta: ta amarrado mãe!...
Mãe: de repente não seria tão ruim assim.

Menina preta: ih, mãe... Como é que você sabe? Mãe: esquece...
Menina preta: esquece nada, mãe. agora que fala é você.. Vai? Você já foi sapatão?
Mãe: sapatão, não! Lésbica!
Menina preta: mãe!!!
Mãe: não cheguei a ser. Mas tive umas relações livres com umas meninas, quando tive presa na -Santos Dumont quando tive presa lá depois da morte do seu pai.
Eu estava  muito triste com a morte dele, passei três dia no beliche corando sozinha, uma menina branca, grandona e mais velha que eu cismei que ia ser minha marida e que ia me proteger. Eu resisti e ela me bateu, muito. Uma menina preta, mais ou menos da minha idade, me socorreu e me levou pro banheiro e me ajudou a me lavar.

 Tocou no meu corpo com a mesma delicadeza que seu pai tocava em mim. Quando de por mim, estávamos nos amando e nos tocando no beliche.
Ficamos juntas os três meses que fiquei lá.
Menina preta: ela ficou sendo sua marida?

Mãe: não, nunca! O tempo todos fomos duas amigas, duas mulheres carinhosas e ternas uma com a outra, bem femininas! Nada de uma ser a macholona da outra, sapatão! Éramos um par de melissas. Nem sei por que me lembrei disso agora, faz mais de 15 anos...
Menina preta: lembrou porque eu falei da Juliana Alves.
Mãe: será que quando eu tiver “indo” eu for com a luliana Alves até o fim é porque eu estou virando sapatão/
Mãe: sapatão não! Lésbica! Que isso bobagem! Você ainda vai fazer 13 anos...
Menina preta: então? Se ela aparecer e eu for com ela até o fim e eu conseguir com ela?
Mãe: e daí: pode ser tão bom como foi com o Cris!

Menina preta:
Pena que no banheiro da escola tem que set tão rápido. Puxa eu queria ir duas vezes com o Cris
Mãe;
E tem que ser no banheiro da escola? Porque não no banheiro daqui de casa? Na hora do banho? Acorda 115 minutos mais sedo. Seu irmão só acorda lá pra 8 horas pra ir pro treino...

Menina preta: puxa! 15 minutos? Acho que eu consigo até três vezes com o Cris! Nunca pensei que podia ser tão bom assim com um menino preto que nem eu.
Mãe: três vezes? Vai quebrar a campanhianha.
Menina preta: ih! Será que quebra mesmo!
Mãe: nada! Brincadeira! Nossa camapaninha do amor, quanto mais agente toca melhor ela fica e com o a musiquinha dos nossos suspiros mais bonitos.

Menina preta:
-mãe e se eu gostar de menina de verdade o que a senhora vai fazer?
Mãe:
- vou rezar pra minha mãe o   Oxum que você encontre uma menina que ame você como uma mulher feminina com você. Pra gostar de uma pessoa que te oprima, te humilhe, te trate como um macho trata uma mulher?...

Menina preta:
- se eu gostar de homem, como gosto do Cris, vou querer só se for assim igual a ele: preto que nem eu, fofinho, carinha de carente, gostosinho e gentil igual a ele.


Estória contada por Dalila Txumbin
Mãe da menina preta.
Dalila é  uma personagem  contadora de história de uma favela imaginária do meu blog.
Txumbin é seu apelido desde os 16 anos quando ficou viúva pela terceira vez.
Muié xumbinho é o apelido de mulheres jovens que são viúvas de dois ou mais maridos.
Xumbinho vem do raticida xumbinho terrível usado para matar ratos. Comeu, morreu.

Dalila tem 30 anos, vivi sozinha com um filho de 15 anos, uma filha de quase 13 e uma outra de 11. Cada uma de um pai.todos já falecidos. 

quinta-feira, 19 de março de 2015

VÁ A ÁBRICÓ. MAS NÃO COMIGO!





Descobri, ontem, só ontem, depois de tanto tempo, que as companheiras que já convidei para irem a praia de abricó comigo acham que o faço porque quero vê-las nuas. Interessante que já convidei muito mais companheiros, homens para o mesmo lazer e nenhum deles, pelo menos que tenha ficado sabendo, manifestou o mesmo temor.


Todos os que recusaram justificaram de uma forma ou de outra... desde que tem medo de se acostumar ver mulheres nuas e perder o tesão até não agüentar ver tantas mulheres nuas ficar com tesão e de pênis duro.


Abricó é uma praia encantadora e as pessoas que a freqüentam são pessoas especiais. Só se convida pessoas pra ir lá pessoas que você acha que mesmo não tendo uma relação estreita de amizade contigo são pessoas de cabeça, coração e corpo aberto e que você acha que elas  vem pessoa que as convida uma pessoa como elas, de cabeça, coração e corpo aberto para com elas. Nunca um voyaer.


Mais que decepcionante descobrir que as compas que convidei pra ir a abricó sempre fingiram que na verdade fazem de mim um juízo mal é o fato de sempre parecer deixaram parecer que fazem de mim o juízo de uma amigo fraterno, de cabeça, coração e corpo aberto para com elas.

Para evitar decepções como esta para mim e mais juízos mals sobre mim nas mentes e corações de minhas amigas não convido mais nenhuma delas para ir a abricó ou outro lugar qualquer, nem mesmo para um cinema, festa,teatro, um vinho num lugar mais sossegado onde duas ou mais pessoas podem conversar numa boa, pois com certeza acham que cultivo uma vã esperança de leva-las pra cama depois de uma boa conversa, e não apenas no ponto do ônibus ou na estação do metro para irem pra casa.


Abricó é uma praia linda e a maioria das pessoas que a freqüentam são lindas também, de corpo e alma. Curioso que as pessoas que mais admirei de corpo e alma em abricó, quando ainda eu podia enxergar direito, foram as pessoas de mais de 60, 70 anos que conseguem embelezar seus corpos castigados pelo tempo com as almas deslumbrantes que eles abrigam.


Infelizmente, agora, nem isso posso enxergar  nem mesmo as belezas naturais de praia, já que sofro de catarata no olho direito e um forte astigmatismo no olho esquerdo que fazem com que sob a luz forte do sol, ou mesmo em dias parcialmente nublado eu só veja vultos a qualquer distancia maior que 50 centimetros.


De qualquer forma abricó esta lá e qualquer pessoa, homem ou mulher pode visita-la, seja por iniciativa própria, convidada, ou por indicação,desde que se disponham a tirar a roupa e ficar totalmente nua logo na entrada. Isso vale para as pessoas a quem eu  indico Abricó, e para as pessoas que já convidei, que já foram comigo ou que nunca foram ao meu convite por achar que minha intenção não seria propiciar um dia de lazer puro, saudável, entre pessoas saudáveis, mas sim só por querer vê-las nuas.

Que vá a abricó, mas não comigo.

De mim, fica a certeza de que quando você descobre que uma ou mais pessoas fazem um mal juízo de você mas, involuntáriamente ou não deixam transparecer ao contrário, a descoberta é decpcionante e triste, mas pelo menos lhe dá a o direito de passar a fazer um mal juízo delas, pelo menos no que tange achar que elas mereciam você lidar com elas de mente,coração e corpo aberto.

 E mais, automaticamente fechar a mente o coração e o corpo para essas pessoas, tanto no trato pessoal, como no coletivo. E a amizade ou o relacionamento amistoso e cordial,mesmo que distanciado, passa a ser igual camisa de seda queimada de sigarro: dá até pra vestir ainda, mas já não é a mesma!


VÁ A ABRICÓ, MAS NÃO COMIGO! VAI SER BOM, OU ATÉ MELHOR, DE QUALQUER JEITO!

Aché, Amor Livre e Luta!

Deley de Acari





quarta-feira, 18 de março de 2015

MAS,... PRA ONDE VAI O FEMINISMO NEGRO,MESMO? SABENDO D’ONDE VEM?






  Não sei se sei. Só vou saber d’agora escrevendo este texto e postando lá no meu blog.

Uma  pista: “ o pensamento parece uma coisa atoa  mas como é que a gente voa quando começa a pensar.” Sabença de Lupicínio Rodrigues.

Saber coisas dessa linhagem, feminismo negro, pode-se se saber mais sabendo  se começar a pensar voando pra dentro de si mesmo.

Claro que, um homem negro como eu, jamais vai conseguir voar tão fundo nas fundezas do Tempo que é a alma que Olorum deu a cada um de, como uma mulher negra pode mergulhar.


Esse mergulho  de sabença sobre feminismo negro é inevitável e mesmo desejável que se submerja nas águas da afrodiáspora no Brasil.


Por exemplo: é certo, ou quase, que o Quilombo do Palmares, na verdade era uma rede de quilombos que se espalhava num perímetro de dezenas de quilômetros. Suas primeiras edificações datam do inicio dos anos 1.600 e a principal fortaleza de Palmares teria sido destruída em 1695.

Há evidencias que indicam que apesar da morte de Zumbi e a destruição da fortaleza principal a resistência palmarina tenha ido até pelo menos 1707.

Pesquisadores e historiadores nos informam que, pelo menos um quilombo dos 12 que compunham a rede de quilombos do Quilombo do Palmares, foi comandado por uma mulher. Isso por dezenas de anos. Me atrevo a presumir que essa comandante guerreira tenha imprimido no quilombo que comandava, mais que um toque feminino, uma forma de relações de gênero internas onde a opressão sobre as palmarinas era mínima ou inexistente.

Poderia escrever sobre outros exemplos, passando por Luiza Mahin na Salvador das  quatro  primeira  décadas do Séc. 19.


Pela seita Gélédes, ou pelo protagonismo de yalorixás, mulheres sacerdotisas que assumiram a frente dos terreiros, nos fins do Século 19 até hoje.

Mas, levando-se em consideração que, quanto mais velho se fica, mas a memória coletiva fica rala, vou dar um vôo de pato, na minha mente senil e pousar num ponto onde vi e vivenciei o feminismo negro nascer, ou melhor germinar sobre a terra já que já era planta crescendo sob a terra antes de brotar nos salões do IPCN nos fins dos anos 70, numa fase de retomada do Movimento Negro,ou revigoramento.


Antes de continuar preciso dizer que, pra mim e, certamente para muitas outras pessoas negras e afrodescendentes como eu, é racismo e eurocentrismo dizer que o feminismo negro, nasceu como dissidência de mulheres negras do feminismo de esquerda americano ou eurodescendente.



É minimizar a importância e desqualificar as resistências individuais, de inicio, e coletivas, inclusive com formação de organizações negras feministas nos fins de anos 70, começo de 80 e principalmente anos 90.


Voltando ao IPCN, minha memória me fala de um dia lá pelo ano de 1979 que presenciei a camarada Dulce Vasconcelos, em meio a uma plenária de cerca de 60 irmãs e irmãos, pelo menos uns 52,54 irmãos e 5 ou 6 irmãs, como nos chamávamos na época, protestar contra os irmãos que iam as plenárias e eventos do IPCN e não levavam suas companheiras e ainda davam em cima das poucas mulheres, irmãs negras, que iam lá sozinhas. Na plenária neste dia, também estava seu companheiro/esposo Jair.

Ambos, Dulce e Jair, lideravam o CEBA, de Niterói ,uma das varias organizações negras do interior. O principal projeto político para libertação das irmãs e irmãos negros, do CEBA, era a criação de uma fazenda coletiva, bem parecida com a de um sítio quilombola, hoje. Um projeto de organização negra rural, que os negros e negras  urbanos e de classe pobre remediada, acham legal, mas pouco viável.

Na segunda parte desse texto, dá pra falar do surgimento das organizações negras feministas surgidas de grupos de mulheres que reuniam no CEAP, no próprio IPCN... isso: do nascimento do Coletivo NZinga, do Crioula, do Bloco Afro Agbara Dudu e da visibilização do lesbianismo negro ainda por aí por esse tempo lá.


Nunca é demais deixar claro que, por melhor e mais louvável que seja o que escrevo sobre feminismo negro aqui no meu blog, nem de longe chega perto o quanto as compas negras podem fazer melhor.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PORQUE WADIH DAMOUS? POR MAIS DIREITOS HUMANOS E MENOS POLICIA EM ACARI



  

     Acordo da costumeira “madorna” das tardes com a voz , no rádio,do Deputado Pedro Fernandes, numa propaganda eleitoral se vangloriando por ter conseguido a construção do Batalhão do CEASA, 41º BPM e outros seis mini-batalhões e, prometendo se for reeleito, mais policia.

O Complexo de Acari, há mais de 40 anos, é um tradicional curral eleitoral da Família Pedro Fernandes, e “Pedrinho”, como é conhecido o jovem deputado, tido como herdeiro político da família e com promissora carreira política pela frente.

Neste momento, há menos de uma semana para o dia das eleições, cerca de 60 cabos eleitorais, na sua maioria mulheres negras, da favela de Acari distribuem “santinhos” de Pedro Fernandes,em dobradinha com o dp. Federal Pedro Paulo, pelas ruas das favelas do Complexo de Acari, pra ganhar 80 Reais por semana, por 10 horas de trabalho diário Muitas dessas mulheres acarienses teve um filho, irmão ou companheiro morto, preso ou espancado por policiais do 41º BPM.

Muitas dessas mulheres já tiveram suas casas invadidas, sem mandato de juiz, e saqueada por policiais do 41º BPM. O mesmo 41º BPM pelo qual o Dep. Pedro Fernandes, se gaba de ter viabilizado a construção. Esse 41º BPM que, herdou do 9ºBPM, que até sua construção, policiava a área, o triste e macabro recorde de execução extra-judicial/execuções sumárias de supostos traficantes, e a suspeita de morte de pelo douze pessoas, dita “inocentes” em menos de dois anos, inclusive de mãe e filha, na Favela Quitandinha, em Costa Barros, e do produtor cultural João e do jovem trabalhador do CEASA,  Pedro, no mês de Julho passado,em Acari.

Melhor faria o Dp. Pedro Fernandes, que ao em vez, de prometer mais batalhões e mais policia, prometesse, senão fechar, ao menos exigir, do governo estadual ao qual apóia, uma investigação séria e rigorosa, sobre os crimes cometido pelo policiais do 41º BPM, do qual é um dos principais responsáveis pela construção e existência e portanto, responsável indireto, senão por omissão, dos crimes do 41º BPM que vem se revelando uma verdadeira “quadrilha fardada e armada”.

Felizmente, no Complexo de Acari, ao contrário de outros complexos de Favela, a campanha eleitoral, corre livre e sem nenhuma pressão ou repressão e com toda liberdade de expressão.

Por isso, como defensor de direitos humanos e militante comunitário de Acari, apoio os candidatos Toninho da Padaria, 65065, pra dep. Estadual e Wadih Damous, 1322 para dep. Federal.


Apoiar, Wadih e Toninho, pra mim tornou-se mais que participar de uma campanha eleitoral, mas um ato de protesto contra a política de militarização das cidades, de confronto extermínio pela policia, e contra a política de segurança pública baseada na UPPs, da qual o atual governo representado por Fernando Pezão, e a Familia Fernandes, principalmente a sua matriarca Vereadora Rosa Fernandes, candidata em potencial, a prefeita do Rio, em 2016, ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro,e também da Sessão Especial da ONU Sobre Politica Mundial de Drogas.


Vanderley da Cunha, 

Poeta, Animador Cultural
E Defensor de Direitos Humanos do Complexo de Acari.
Blog: deleydeacari.blogspot.com.br



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·         Vanderley Da Cunha Vanderley

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

WADIH DAMOUS, UM ULTIMO VOTO PELOS DIREITOS HUMANOS EM ACARI!






Desde que o Deputado Estadual do PSOL,  Marcelo Freixo, há duas três eleições consecutivas, vem renegando, confiança e a gratidão com os votos pelos direitos humanos e contra violência de estado, defensores de direitos humanos favelados, dos moradores do Complexo de Acari, principalmente das famílias de vitimas e sobreviventes, que essas pessoas não têm em quem votar.

Eu, pessoalmente, já havia decidido não votar, assumir a “campanha não vote: lute!”

Mas, entendo que é importante, para um militante negro e revolucionário socialista, perceber “momento histórico’ que o Brasil vive, e principalmente, como este “momento histórico” afeta a Favela, já que tudo que acontece, no mundo, no estado, na cidade afeta a favela. Pensando no que dizia Vinicius de Moraes:

“Ninguém é universal fora de seu quintal!”

Por isso, no “momento histórico” que vive as favelas do Complexo de Acari, em que se dá o  debate e o embate eleitoral para eleger, deputados, senadores governadores e presidente da República, no qual o candidato a deputado estadual Pedro Fernandes, reconhecido herdeiro político do curral eleitoral da Família Fernandes, pede os votos acarienses, afirmando que :



“Conseguiu a construção do Batalhão do CEASA ( 41º BPM) e a implantação de seis Mini-Batalhões, e tem o compromisso de criar Batalhões-Escola com o objetivo de manter o efetivo nesta região”


É inegável o fato de que o 41º BPM, só trouxe benefícios à “segurança pública” de empresários e da classe média, do “asfalto” de nossa região. Nas favelas, no entanto, sua construção, só aumentou a violação de direitos humanos, com a morte de moradores inocentes e a execução sumária de supostos meliantes, através do chamando “auto de resistência”.

Acho importante apresentar e apoiar a candidatura a deputado federal, de Wadih Damous, ex-presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, já que tenho certeza de que Acari, não precisa de mais policia e nem de batalhões-escola que ensine mais policias a violar os direitos humanos dos moradores de Favela.

Como Wadih Damous, entendo que as favelas, e Acari, precisam sim que seus direitos humanos básicos a uma saúde digna, cultura e de mais escolas que eduque nossas crianças e jovens para uma “segurança popular” contra a violência e para a Paz.


Mesmo não acreditando que qualquer dos partidos políticos que estão aí, como partidos, possa oferecer alguma alternativa confiável de governos para o povo das favelas, entendo que nos partidos de esquerda, ainda há políticos que merecem minha crença e minha confiança neles como pessoas e como militantes socialistas.

Por isso apesar de não crer mais no PT como alternativa de “esperança” e “bom futuro de paz” pras favelas, Wadih Damous, ainda merece minha crença e minha confiança, como amigo e companheiro de lutas libertadoras.

Tenho a certeza de que sua candidatura a deputado federal, em dobradinha com Toninho da Padaria, pra Deputado Estadual, é fortes aliados contra que representa os projetos de mais Policia e mais da atual “Política de Segurança Pública” da Família Fernandes, e do atual Grupo Político do Ex-Governador Sérgio Cabral.


Por isso eu, nesta ultima vez que me envolvo em “campanha eleitoral”, apoio: Wadih Damous, 1322, para Federal e Toninho da Padaria, 6065 para Estadual.

Deley de Acari,
Poeta, animador cultural, militante negro, líder comunitário e defensor de direitos humanos do Complexo de Acari, desde 1977.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

E AINDA TENHO MUITO A DIZER PARA E SOBRE ADRIANA FACINA.



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Ainda tenho muito a dizer para e sobre Adriana Facina. 
Mas por agora é isso:

Meu respeito admiração e a feição por ela continuam as mesmas, apesar dos não pesares.
Então,agora sobre afirmações dela no texto/desabafo publicado no livro ACARI CULTURAL. Vou comentar aqui só que se refere a mim pessoalmente. De principio é preciso que os futuros leitores do livro saibam que o tal Vice-coordenador do projeto a que ela se refere sou eu mesmo: Deley de Acari.
Sobre o projeto de funk com o Favo de Acari: Desde que me afastei do Centro Cultural Areal Livre, em 2003, nunca mais havia tido o controle sobre qualquer entidade com CNPJ em Acari. Por isso, por varias vezes, projetos de que participei, dependeram de entidades guarda-chuva.

Quando o projeto de funk foi elaborado por Adriana, a APAFUNK ainda não existia e a solução foi recorrer a escola de samba Favo de Acari.
Sabedores de a diretoria de escola de samba era toda enrolada com relação a finanças e prestação de contas, os lideres do “movimento funk acari” resolvemos por um compas, MC Liano, como responsável pelo projeto. Ao perceberem que não teriam controle sobre as contas do projeto, alguns diretores da escola de samba, atrasaram bastante a entrega de documentos da entidade inviabilizando o projeto.


Foi por conta dessa má experiência que 10 funkeiros de Acari, mais o Mano Teko, resolveram o ocupar o prédio onde onde funcionava, até 20 de Julho de 2010, Odpo de Acari. Iniciativa da qual, ao contrário do que Adriana esta informada, eu não participei e só soube dela no dia em que estavam grafitando meu nome no muro do prédio.
Tive sim um participação ativa, mas temporária, era o único não funkeiro do Coletivo, e discordei da maioria dos encaminhamentos por isso me afastei. Então; Nunca administrei o CCPR. Fiquei apenas como dinamizador do Cachasarau.



SOBRE SELEÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS:

Com relação a divulgação, boicotada segundo Adriana, da minha parte, convidei oito pessoas:Cinco universitárias que gostaram do projeto, mas ou estavam trabalhando ou fazendo estágio ganhando muito mais que os 300 Reais de bolsa do projeto de Mapeamento Cultural de Acari. Tres delas, com ecino médio,uma por coincidência encontrei a agora á pouco, mandaram currículo por er-mail, para Adriana, e até agora aguardam resposta.
O artista a que Adriana, se refere, não só não quis participar do projeto, como não fez nada, contra ou a favor, da divulgação,como não participou desde o inicio, não tinha como boicotar a divulgação. Ele era apenas uma das oito pessoas convidadas por mim. E tal como as outras três possoas foi avisado por mim da sua não aceitação no projeto.


Sobre a questão da divulgação é o que tenho a dizer. Acredito que o MC Pingo, o Mc Liano e o MC Teko, que também ficaram responsáveis pela divulgação, terão algo a dizer sobre a acusação de boitcote.
Sobre a informação dada pelo direitos da Associação de Moradores, de que na houve divulgação, crendo na boa fé dele, ao informar Adriana, o que tenho a dizer é que,tanto eu como Pingo e Liano, conhecemos bastante pessoas com o perfil, exigido para estagiário do projeto, que fomos de casa em casa, se precisar colar centenas de cartazes pela favela. Creio que a maioria não aceitou pelos motivos que já expus acima.



Não pedi pra ser vice-coordenador, na verdade, só tenho a 3ª primária e ganhar mais que estudantes universitários me constrangia.
Durante os tres meses que fiquei no projeto recebi, 600 Reais por mês. No total 1.800 Reais, destes empreguei 1.500 Reais n compr de material esportivo pra escolinha de futebol, que não tinha nenhum tipo de apoio.


COM RELAÇÃO AO PAPEL DE AGENTE DÚPLO:


Desde o inicio defendi o Mapeamento Cultural em Acari e continuo defendendo a importância dele para a comunidade. Me indispus pessoalmente com o artista a que Adriana se refere por causa do Projeto. Eu ele, somos amigos há mais 16 anos, realizamos alguns projetos juntos, discordamos politicamente em muitas coisas.
Temos tido vários arranca-rabos por causa dessa discordâncias. O arranca-rabo sobre o Mapeamento Cultural de Acari, talvez tenha sido o principal motivo do meu afastamento do CCPR. Depois de uma certa idade, a gente aprende que é melhor perder a razão do que perder a amizade. Já que em alguns casos 

Paulinho da Viola tem razão quando diz: “ Que a razão esta sempre com os dois lados.”
Quem fez com que Adriana “descobrisse” alguns meses depois, que detonava o projeto, ao mesmo tempo que o defendia da boca pra fora,interpretação minha, ou ouviu o galo cantar sem saber onde, ou usou de ma fé. Seja porque tenha agido assim, com certeza deve estar feliz por ter contribuído para acabar com uma bela amizade e relação de carinho e respeito entre mim e Adriana.


Com relação o suposto boicote a reunião de Adriana com Dona Isabel, mãe de santo: No dia que a reunião entre as duas foi marcada, foram marcados duas outras atividades: uma atividade de ação social no mesmo espaço em que aconteceria ao reunião sobre o Projeto de Lan Hause da Pamela, e houve uma jogo de futsal feminino, em Piedade, do time que eu e Tiaguinho, do Menores do Funk,éramos treinadores.

O tempo para a reunião portanto era pouco e a reunião com Dona Isabel muito importante: Dona Isabel estava muito chateada com o projeto do livro AS CORES DE ACARI, por não ter ganho um exemplar do livro. E não queria mais dar depoimento a ninguém de fora. Só aceitou a começar a conversar com Adriana, depois que soube que ela também é do Axé, apesar de ser professora universitária. 


Depois então, decidiria de daria depoimento ou não. tal encontro demandaria pelo menos umas quatro horas. Razão pela qual, como vice-coordenador, estando dentro de Acari,tomei a iniciativa de desmarcar a reunião, e aguardar uma nova data na agenda. Adriana se sentiu “ferida” na sua autoridade de chefe, sem levar em consideração que quem esta no “campo” é que sabem se é necessário ou não fazer mudanças diante de imprevistos.
Lamento ter sido acusado de gente duplo pro Adriana Facina. Tal acusação marcada pra sempre num livro, vindo de um pessoa que fez um apresentação tão carinhosa num folheto, do Tortura Nunca Mais, quando recebi a medalha Chico Mendes, é bem dolorosa.


Agente duplo, na época de ditadura militar, era dedo-duro, traidor, caguete. Fiquei dois dias preso no Doi-Codi, fui torturado pra dedurar colegas de teatro, mas não entreguei ninguém.


Agente duplo na favela e x9, verme.
Ficar num livro sobre cultura de Acari, como dedo-duro, traidor,caguete, x9,verme, fixado por um academica brilhante como Adriana, além de doloroso é imperdoável, pra mim mesmo.

COM RELAÇÃO A LISTA RESTRITA DO PROJETO E VAZEMENTO DE CONVERSAS NELA.

A lista tinha uma nove pessoas, entre os participantes de fora e de dentro de Acari. Quando li vários textos no facebook criticando Adriana, na maioria das vezes, deslegante e grosseiramente, escrito pelo artista comentei num e-mail com ela sobre a falta de ética do mesmo, até então amigo em comum, meu e dela.
Ela me acusou dizendo que falta de ética era eu ter passado a ele, coisas da lista restrita do mapeamento. De imediato disponibilizei a ela meu e-mail e minha senha no Yahoo para que ela verificasse ela mesma todas as minhas mensagens que naquele momento tinha mais de 700.


Esclareci a ela, que este amigo artista também tinha a minha senha já que foi ele quem me ajudou a abrir o e-mail no Yahoo há cerca de sete anos.
Além dele, e antes de Adriana, tiveram acesso a minha senha no Yahoo as seguintes pessoas: Mano Zeu, que me ajudou a fazer o Orcut, Claúdia do Funk Raiz e Maria Pupin, fotografa que me ajudou a postar varias fotos no Ourkut.


Só voltando, com relação ao projeto de Lan Hause, da Pamela: minha atrito com ela,se deu da minha parte, não pelo projeto em si, nem por ela, mas pelo seguinte motivo: o Coletivo do CCPR havia decidido a não trabalhar com qualquer projeto governamental,e Pamela sabia disso, estranhei que tivessem aceitado o projeto, e marcado uma reunião justamente no CPPR.
Fiquei indignado com essa contradição já que defendera varias vezes que o 

Coletivo, não só participasse de editais, como se legalisa-se tirando o CNPJ. Fui voto vencido varias vezes na proposta e de repente vejo, depois da minha saída, o Coletivo mudar de idéia.


COM RELAÇÃO A TV ESTRANGEIRA:


Colaboramos com companheiras e compas suecos que já haviam e vem nos ajudando há bem mais tempo da feitura do documentário. Uma filmagem que durou dois dias e já estava marcada há três meses.
Por um sobreposição de agenda o “cachasarau” em homenagem ao poeta hélio de Assis foi marcada no mesmo dia, como as filmagens foram feitas durante o dia, e o chachasarau só rolaria depois das 20h na haveria problemas. Estava mais ou menos acertado que a equipe de filmagem do “mapeamento cultural” apenas faria tomadas do sarau.


Quando cheguei o CCPR para organizar o sarau, os meninos do mapeamento já estam entrevistando hélio no 2º andar, com a câmera virada para onde fica uma vigia do tráfico, há 100 metros do prédio do CPPR . os homens armados a quem Adriana se refere foram no CPPR saber se tinha sido filmados e não acompanhar o suposto traficante “dono da favela”. Demorou um pouco para convence-los de que não e não virem a fita.


O suposto “dono da favela” era tão somente apenas, um dos traficantes mais antigos, mas não ocupava nenhum cargo de chefia, nem ocupa. Ele é uma das pessoas mais articuladas e inteligentes e por isso, foi escolhido e aceitou o convite para dar um depoimento, que durou quase duas horas, sobre sua vida, e não sobre a boca de fumo.


Todas as pessoas de fora de Acari, da equipe de mapeamento, como outras mais ou menos ligadas, por amizade a equipe, “cançaram” de ver os chefes do tráfico circular pela favela durante todo o tempo que durou o mapeamento, não me consta que tenha sofrido qualquer ameaça ou constrangimento. Muito pelo contrário, sempre souberam que o projeto de mapeamento vinha de contra-mão ao que “pesquisadores” vinham buscar em Acari. Que o projeto de mapeamento seria importante para divulgar uma boa imagem da favela.



Papo reto: Os atuais “donos da favela” de Acari, são pessoas com nível cultural bem acima da média, dos chefes do trafico no Rio, potencias “objetos de estudo” que qualquer pesquisador gostaria e ficaria tentado a estudar e “lançar” suas teses de mestrado e doutorado. São “malucos” gente boa e tenho orgulho disso, meus amigos pessoais, desde antes de serem traficantes.
Por serem gente boa e meu amigos é que já impedi varias vezes que virassem objetos de pesquisa e matérias especiais de jornais.


Da mesma maneira que ‘eles”fazem tudo o que podem para nos preservar, lideres comunitários e ativistas culturais de qualque possível associação ao tráfico, fazemos tudo para evitar e temos conseguido, que virem “espécimes exóticos” para Academia e para “mídia burguesa de esquerda e de direita. Como já forma Marcinho VP, Flavio Negão e Escadinha.
Me anima a esperança de poder ver-los fora do crime, antes de serem presos ou mortos. Gente muito mais perigososa e famosa que eles conseguiram sair. 


Tenho feito o que posso pra ajuda-los nisso. E tá quase indo.
Como a Adriana não estava em Acari, neste epsódio, que a informou o fez mau e distorcidamente.
Se houve alguém do CCPR ou da equipe local, do “mapeamento” que usou os nomes dos “manos” pra botar terror, vacilou bastante porque sabe que não se usa os nomes dos “caras”, sem eles saberem.


SOBRE A HOSTILIZAÇÃO AO INTEGRANTES DA EQUIPE.

Com certesa houve hostilisação da parte de alguns integrantes do CPPR a membros da equipe. Principalmente da parte do já citado artista. Cabe a ele, e outros integrantes do CCPR se posicionar com relação a isso depois de lerem o texto da Adriana.

Da minha parte, como Vice-coordenador do projeto de “mapeamento” fiz, pela lista restrita, portanto lugar adequado, já não esta havendo reuniões por conta da gravidez de Adriana, criticas a atitude temerosa de começar a filmar a entrevista com o hélio, sem minha presença o de um dos membros da equipe, sem orientação de como e onde e quando pudesse filmar se enquadrar
Que não pudesse sair na “foto”.
Com certeza não os hostilizei. Se assim se sentiram,lamento.

Lamento que: Carol, Patricia, Arthur, Daniel e Felipe, tenham se sentido hostilizados por mim e tenham levado essa reclamação a Adriana, sem antes me questionar pessoalmente.
Lamento e fico triste e magoado, já que sempre fiz tudo para trata-los com respeito e gentileza. Se em algum momento fui hostil com elas e eles, na maioria das vezes fui cordial e respeitoso. Lamento que um ou outro, momento de rudeza tenha sido mais importante que a maioria de tempo carinho.

Por fim volto a afirmar que o projeto de “mapeamento cultural” foi e é importante para Acari,tanto como o filme sobre o mesmo.
Discordo das criticas, mais e menos, rudes e injustas que ´foram e vem sendo feitas a ele.
Tanto quanto a tese de doutorado de Marcos Alvito, quando o documentário de TV sueca/estrangeira, quanto outros trabalhos feitos no a”asfalto” sobre Acari, tem sido, de uma maneira ou de outra, importantes. Tenho varias considerações sobre isso mas que não dá pra focar aqui,num texto que já esta muito grande.


Mas o essencial é que quem quer que seja, que venha pesquisar e fazer trabalhos sobre Acari, saibam que de há muito, por aqui não há tantos “paus-mandados” como outrora. E que há gente, liderança culturais e social com senso critico, pra saber o que é bom ou ruim pra nossa favela, somos bem poucos ainda, mas somos em numero bastante para formar um pequena tropa de choque intelectual orgânica.


Ninguém é “dono da favela”. A favela de Acari, é talvez a favela mais aberta pra filmagens, pesquisas, estudos acadêmicos...
Da minha parte, sei o poder que tenho dentro da favela, e que não é pouco, pra formar opiniões dos moradores, esclarecer coisas, opinar...
Mas não uso meu poder pra fechar a favela, só não me presto a ser a porta de entrada. Há dezenas de outras portas de entrada que não eu, que podem ser procuradas.


Da minha parte continuo aberto a apoiar e colaborar com trabalhos acadêmicos, jornalísticos investigativos sobre Acari, que sob minha modesta, mas apurada, experimentada capacidade teórica e pratica de avaliação, julgue se relevante.

No mais sobre o livro, só li até agora, o texto/desabafo da Adriana para produzir com base nele, o presente algumento.
Devo intervalar a leitura dos outros artigos, com algumas coisas que estou tendo que estudar de imediato. Que ninguem ponha palavras na minha boca que não falei, que ninguem ponha escritos na minha caneta que não escrevi ou vou escrever.

Cada um ou cada uma assuma seu pensamento e sua verbação dele.
quem parir matheus que o embale.


Mas por si só, gosto da existência de um livro e de um filme sobre Acari, assim como o Poesia Em Favela, organizado pela própria Adriana, e os livros do Alvito, um que tem 12 poesias minhas e o outro AS CORES DE ACARI.

No passo que for lendo os artigos, vou escrevendo sobre eles aqui mesmo no Blog, já que provavelmente serão textos tão reflexivos e longos como este. Que portanto não cabem no face book.

Por fim, não percam o lançamento do livro nem sua leitura, como de tudo que foi e tem sido escrito, filmado, dito mau dito, e bem dito sobre Acari.
Desconfiem tanto o bem dito quanto o mau dito sobre Acari.
O bem dito quase sempre vem eivado de sonhos e devaneios sobre nossa favela que na maioria das vezes acabam levando ao Mal Dito que faz muito mal ao que Acari é de verdade e na realidade.
Um traficante poeta escreveu há uns dez anos num muro da favela: “Nossa realidade não se compara ao pior de seus pesadelos”.
Ele morreu sem saber, pois não teve tempo o bastante para ver e vivenciar que: “a realidade de Acari “na real” nem se compara aos melhores sonhos de realidade do asfalto.”

Estava bastante feliz e animado pra ir no lançamento do livro, nesta 2ª Feira, na Travessa Ouvidor, depois que Carol me deu um exemplar ontem no Quilombo.
Leitura do artigo de Adriana, me fez repensar e desistir de ir. Um pouco surpreso e triste com o texto, mas feliz pela existencia do livro e a importância que ele tem pra pessoas, agentes culturais de Acari que estão nele.
Deley de Acari,
Poeta, animador Cultural, ex vice-coordenador do Projeto de Mapeamento Cultural de Acari. Com orgulho sem arrependimento, feliz com o resultado, embora triste com alguns “meios ruins” que não seriam necessários para chegar a um fim não bom.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

SOBRE LINCHAMENTO DE GUARUJA: NÃO SOU DESSES PRETOS QUE VEEM RACISMO M TUDO... SÓ EM QUASE TUDO!

Que se prenda quantos linchadores de Guaruja forem presos. Não dá pra pensar no linchamento só, nem na infeliz moça linchada.
Linchamento é só a execução de uma sentença que á dada para quem cometeu um crime passível de pena de morte.
Desde os tempos da "idade média" a "magia negra" é um crime passível de pena de morte.
Mas na "idade média" magia negra, não tinha tanto o aditivo negra, era mais magia do diabo, coisa do mal.
Magia negra passou a ser magia negra mesmo a partir da escravidão de africanos pelos europeus.
No Sec. 20 , nas Américas magia negra foi ficando restrita a religiões como a umbanda.
Linchamento: Execução sumária coletiva com pena de morte de alguém acusado de um crime bárbaro contra uma pessoa da coletividade ou contra coletividade toda.
Para que haja o julgamento, sentenciamento e o linchamento –exucação sumária, não precisa que esse alguém tenha consumado o crime. Basta que haja a suspeita que tal pessoa possa cometê-lo. EM tais casos, o julgamento, a sentença e execução sumária são um ato preventivo.
Pra mim foi o que aconteceu em Guarujá:
Havia, ou há ainda, alguém suspeito ou suspeita de magia negra,não uma magia negra que potencialmente, não signifique perigo a uma pessoa ou á coletividade, mas um tipo de magia negra que põe em risco, não só a vida de uma pessoa mas das vidas de todos da coletividade, no caso, guarujaense, e o pior e o mais grave, de suas crianças.
Não nos esqueçamos que tal pessoa era, e ainda é acusada de seqüestrar ou estar tentando seqüestrar crianças para praticar com seus corpos, magia negra.
A moça que foi por ser suspeita de ser essa tal pessoa,. O julgamento, a sentença e as condições para o linchamento execução sumária, já estavam prontas. “infelizmente” para a moça, sua família, filhos, amigas e amigas, os juízes, jurados e carrascos, se confundiram e executaram a pessoa errada.
Só que a execução da pessoa errada, não acaba com a sentença, o julgamento, nem com o mérito da execução, já que a tal pessoa, se é que existe, praticamente de magia negra com crianças, ainda esta por aí, por lá, na coletividade guarujaense.
A pergunta que me pergunto é: se a moça executada fosse a pessoa “certa”, seu linchamento seria desculpável, a comunidade guarujaense, seria compreendida e incombinável pelo linchamento, em que pese a violência e a crueldade da forma, já que reagiu a altura a uma ameaça trágica e castatrofica contra as crianças da coletividade?
Mas, assuntando mais matutativamente com relação a esse caso: O que é entendido hoje como magia negra? Bruxaria, macumba, candomblé, quimbanda, feitiçaria?
Magia negra seria então praticada por negros? Ou não precisa ser negro para se praticar magia negra, basta agir como negro ou se acumpriciar com ele, pra ser considerado um ou uma praticante da magia negra?
Não vi escrito ou falado em nenhum lugar, mídia até agora: mas me parece óbvio que a moça executada pela coletividade guarujanse, o fou como bruxa, feiticeira, macumbeira, candomblecista.
E isso pra mim, revela ou desvela o perfil racial do caso.
O crime em questão, a magia negra, é um crime característicos dos negros, ou do Negro.
Cada vez mais nossas comunidades faveladas e pobres vem absorvendo a cultura neopentecostal e a pondo em pratica, norma, moral e tábua de leis a vida de cada um comunitário e da comunidade como tal.
Diariamente dezenas e pastores, dizem aos fieis da igreja e a toda comunidade o que, pelas leis de Deus, é pecado ou é virtude. Pelas tábuas das leis de Deus, pecado e crime, são sininimos, mais que isso... são a mesma coisa.
Nunca deixam claro o que são os pecado/crimes veniais, que podem ser reparados com uma penitencia, jejum, o dízimo a igreja. Mais deixam clara quais são os pecado capitais, puníveis inrreversimente com a perna de morte, morte do corpo e da alma, com o inferno.
E a macumbaria, a feitiçaria, o candomblesismo, ou seja, todas as formas de magia negra, um desses pecados-crimes capitais.
Pecado-crime, não só contra Deus, mas também contra suas leis e contra seu povo.
E parece que Deus dá ao seu povo, o direito de diretamente sem, tribunais intermediários, burocráticos, de acusar, julgar, condenar, sentenciar e executar a pena sumariamente, uma vez, ao menos, encontrado um ou uma possível pecador-criminoso.
Como todo negro ou negra, é potencialmente um macumbeiro, se eu estivesse ou estiver, dentre esse povo que esta organizando atos, passeatas, eventos contra o extermínio da população negra, como a faxina étnica, incluiria o caso do linchamento do Guarujá, como um dos principais pontos de pauta, dos debates, das ações.
Olha só: há seis meses de fazer 60 anos, portanto ficar velho, com 50 anos de terreiro e 40 de Movimento Negro, não sou u desses pretos, agora quase velho que vê Racismo em tudo. Só em quase tudo”

Deley de Acari
Poeta, animador cultural,
Co-coordenador Nacional
Do Circulo Palmarino.